Crítica | Legends of Tomorrow – 3X01: Aruba-Con

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SPOILERS! Confira as críticas para os outros episódios aqui.

Os produtores de Legends of Tomorrow parecem realmente ter encontrado o caminho de ouro para lidar com a série, vindo desde a 2ª Temporada com um trabalho inteligente e divertido com a introdução das viagens no tempo dentro daquilo que a DC Comics normalmente propõe ao mostrar grupos formados por heróis díspares. Em certa medida, o que temos aqui é uma representação que lembra bastante a fase cômica da Liga da Justiça nos anos 80 e 90, tendo o mérito de seguir com bastante competência os eventos da temporada anterior, resolvendo o impasse central e dando para o espectador todas as peças necessárias para a criação de um novo arco. Esqueçam a coisa atroz que foi a 1ª Temporada da série. LoT evoluiu bastante. Agora, temos uma jornada de equipe da DC que dá gosto de assistir e, ao menos na ideia geral apresentada para esta 3ª Temporada, há um grande potencial para manter as coisas em alta conta.

Como já citado, o roteiro de Phil Klemmer e Marc Guggenheim retoma de maneira fluída o ataque dos dinossauros visto no episódio Aruba, que encerrou a Segunda Temporada. Há pouco tempo para pensar em soluções e os próprios heróis parecem jogados no meio de uma grande tempestade, mas em nenhum momento isso parece demasiadamente corrido ou tratado de maneira irresponsável no roteiro, apressando alguns pontos para dar destaque a outros, como praticamente se tornou um “padrão de ajuste” nas séries de super-heróis da CW. É claro que existe um mínimo de estranheza assim que Rip Hunter entra em cena (Arthur Darvill está excelente em cena, representando mais uma faceta do [ex?] Capitão, alguém muito mais formal do que deveria ser, quase como se estivesse “dominado”) e ajuda a salvar o dia, extraindo os heróis dos anacronismos temporais assassinos.

Exemplificando com bom humor a ideia de que “verdadeiros soldados não se acostumam fora da guerra“, o episódio nos mostra os ex-tripulantes da Waverider tentando viver em trabalhos que não combinam mais com eles. Descontentes, mas tendo que pagar as contas, cada um se força à nova realidade como pode, agarrando-se com unhas e dentes à primeira oportunidade de quebrar o padrão, tamanho o nível de descontentamento em que vivem. O dilema é interessante e lembra um pouco o drama vivido por alguns companions em Doctor Who, que após uma série de aventuras ao lado de uma das personalidades mais interessantes do Universo, precisam voltar para suas vidas normais, que, em perspectiva, parecem absurdamente insossas e sem sentido, depois de tudo o que viveram. Após seis meses do desmembramento do time das Lendas do Amanhã, os heróis parecem cair no mesmo abismo de inconformismo. Até que Mick, de férias em Aruba, entra em contato dizendo que tem Júlio César como prisioneiro.

A forma como o roteiro desenvolve os blocos individuais (com direito a um pequeno cameo do Flash-West) e de como liga isso à retomada da Agência liderada por Rip é impressionante. Passado a pequena estranheza final e relativizada a finalização pouco inspirada do episódio (refiro-me exatamente aos minutos finais), temos um dos capítulos mais bem amarrados da série até o momento. E vejam que ainda passamos por diversos cenários, temos uma viagem para a Roma Antiga e a reunião de um time aposentado, tudo isso sem lançar mão de fatos apelativos ou jogar dramas heroicos em cena apenas para fazer as coisas parecerem impressionantes, como foi basicamente o caso da 1ª Temporada inteira. A cautela na criação do problema a ser enfrentado, a boa direção de atores de Rob Seidenglanz (Riverdale) e a aplaudível direção de arte, tanto para a Agência quanto para o interior da nave, fecham com chave de ouro os componentes centrais do capítulo, que ainda conta com boa trilha sonora e bons figurinos.

O futuro novamente apresenta complicações épicas para as Lendas e, pelo visto, eles são os causadores de tudo. O mais curioso é que Rip Hunter, mesmo tendo agora a responsabilidade de manter o tempo fluindo sem maiores problemas, finge não ver algumas coisas que seu antigo time faz, porque no fundo ele sabe que só esses desregrados podem ajudar a “estragar o futuro do mundo para melhor”. Quem te viu, quem te vê, hein, Legends of Tomorrow?

Legends of Tomorrow – 3X01: Aruba-Con (EUA, 10 de outubro de 2017)
Direção: Rob Seidenglanz
Roteiro: Phil Klemmer, Marc Guggenheim
Elenco: Victor Garber, Brandon Routh, Caity Lotz, Franz Drameh, Maisie Richardson-Sellers, Amy Pemberton, Nick Zano, Dominic Purcell, Arthur Darvill, Keiynan Lonsdale, Christina Brucato, Jes Macallan, Adam Tsekhman, Nils Hognestad, Simon Merrells
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.