Crítica | Legends of Tomorrow – 3X03 e 4: Zari / Phone Home

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Zari

Phone Home

SPOILERS! Confira as críticas para os outros episódios aqui.

A construção de um enredo para uma série como Legends of Tomorrow, que sempre foi despreocupada, do tipo “povão” e “para desligar o cérebro e assistir” não é narrativamente algo muito difícil de se conseguir, basta ter um plano de temporada sólido e roteiristas que não sejam samambaias. Peguemos como exemplo comparativo adicional outra série da CW: The Flash. A 1ª Temporada foi um ótimo exemplo de divertimento bobo, mas com qualidade dentro de sua proposta, o que não se seguiu na ou na 3ª Temporada do show. Em LoT, o movimento de qualidade foi o contrário. A jornada contra Vandal Savage na 1ª Temporada foi vergonhosa; já os embates contra Flash Reverso e Cia. Ltda. mais as bagunças temporais no  ano do programa tiveram um grandioso salto de qualidade e, em 4 episódios de Terceira Temporada, vemos estabelecido um ponto de ação, uma ameaça vindoura e, até agora, ótimas escolhas para a resolução de impasses junto aos heróis.

Novamente: é preciso levar em consideração a proposta do programa e ver se os enredos fazem jus à promessa. Este ano — ou pelo menos até o momento — LoT tem conseguido algo muito positivo em representar o seu novo momento de colocar ordem na casa. Em Zari, somos apresentado à heroína Isis, que na série é Zari Thomaz, personagem vivida por Tala Ashe. Aqui também temos a real introdução de Kuasa (Tracy Ifeachor), vilã descendente de Vixen que tem uma entrada triunfal, tornando-se dramaticamente aprazível ao mesmo tempo que cruel, tudo isso sem o episódio fornecer um único ponto de motivação (ainda — e não coloco isso como algo negativo, vejam bem), mesmo que em seu encontro com Zari em dado ponto do episódio ela fale sobre saber ou não usar o poder do totem e mostre um real desejo de vingança, de certa forma, muito parecido com o de Vixen até reencontrar-se com uma ancestral em uma viagem alucinógena e ter tido o conselho de não temer o seu lado violento, mas saber controlá-lo.

A boa referência a O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final (“venha com a gente, se você quer viver“) a citação cômica de Prison Break (Mick reencontrou o seu lugar na série sem ser descaracterizado ou escanteado, o que é ótimo) e a reafirmação do conflito entre as Lendas e a Agência Temporal criada por Rip, majoritariamente representada por Ava Sharpe (Jes Macallan interpreta o tipo de “vilã interna” que acrescenta uma dose extra de boas preocupações para os mocinhos) são os pontos centrais do capítulo, que mesmo tendo uma missão de resgate em andamento e duas novas personagens sendo introduzidas, ainda se firma com uma ótima linha humorística. Mesmo com um descuido da direção na organização do último ato, o episódio termina bem e com um gancho para o já candidato a melhor capítulo da temporada, o emocionante e nostálgico Phone Home.

Confesso que fiquei inicialmente preocupado quando percebi que o quarto capítulo focaria em Ray Palmer, pegando o gancho do episódio anterior para inserir o elemento nerd do personagem em um episódio familiar, temático de Halloween. Mas não demora muito para o espectador perceber a força narrativa que, ainda bem, não abandona a sequência dos acontecimentos então em voga. A “perseguição” da Agência Temporal, os dramas internos (Vixen, Zari, Stein — com um belo desfecho, no nascimento do neto — e um aceno para a saída ou reformulação de Nuclear), toda a caminhada emotiva de forte construção de julgamento moral, com pitadas de Rousseau e teorias do Bom Selvagem, além de todas as referências a E.T. – O Extraterrestre (1982) e Caça-Fantasmas (1984) se juntam para formar um capítulo bem escrito que consegue criar um atalho sem fugir do núcleo da temporada.

Os efeitos especiais têm claramente melhorado na série, fruto do maior orçamento que a emissora disponibilizou para esta temporada do show, o que também permite à direção de arte uma contextualização de maior impacto, sem depender de dois pontos principais na técnica visual que praticamente reinaram absolutos nuas temporadas anteriores: a direção de fotografia e os figurinos. Sem arroubos megalomaníacos e com um admirável trabalho dentro da simplicidade despreocupada e boba que é a série, LoT tem avançado bem. Quem diria, não é mesmo? Vamos torcer para que continue assim.

Legends of Tomorrow – 3X03 e 4: Zari / Phone Home (EUA, 24 e 31 de outubro de 2017)
Direção: Mairzee Almas / Kevin Mock
Roteiro: James Eagan, Ray Utarnachitt / Matthew Maala
Elenco: Victor Garber, Brandon Routh, Caity Lotz, Franz Drameh, Maisie Richardson-Sellers, Amy Louise Pemberton, Tala Ashe, Nick Zano, Dominic Purcell, Jes Macallan, Adam Tsekhman, Tracy Ifeachor, Joy Richardson, Jack Fisher, Dalias Blake, Susie Abromeit, Christina Brucato, Cissy Jones, Marc Graue, Paul Becker
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.