Crítica | Legends of Tomorrow – 3X09: Beebo the God of War

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SPOILERS! Confira as críticas para os outros episódios aqui.

Chegamos à Mid Season Finale de LoT com um saldo bastante positivo. Nesta primeira parte da 3ª Temporada a série soube trabalhar com o humor e as nuances mais interessantes de ficção científica. O grande salto não foi apenas na escolha, escrita e direção dos padrões dramáticos mas também na apresentação e encadeamento dos fatos dentro da linha do tempo da temporada. Sem um único episódio ruim, vimos Legends of Tomorrow crescer e provar que transformações para melhor em seriados patéticos podem acontecer. Mas uma sombra paira sobre o show.

Primeiro é preciso destacar aqui a questionável maneira de interligação (ou melhor, a nenhuma interligação aceitável) com a o arco Crise na Terra-X. Fora a morte de Martin, que tem aqui uma participação em sua versão mais nova, o evento parece não ter tido real marca na vida desses heróis e não existe suavidade nenhuma na maneira como a continuidade é feita. Coisa ruim mesmo, de um roteiro que pula direto para a ação presente e parece ter se esquecido completamente que existiu um episódio sete dias antes deste. O bom de tudo é que o erro primário é esquecido porque a maior parte de todas as outras coisas saem, no mínimo, a contento.

Até a Crise eu e uma parcela enorme dos espectadores esperavam que a ocorrência das versões alternativas, mais jovens ou mais velhas dos heróis fossem parte de alguma confusão gerada na fábrica do espaço-tempo pelas mudanças da entrada dos nazistas da Terra-X em nosso mundo. Mas não era isso. E tudo bem que LoT tenha levado essa nuance adiante, assim como a presença de Mallus na saga. O único problema é que o texto não está sabendo colocar Damien e Nora Darhk na história, elemento piorado pelo fato de nenhum dos dois serem vilões interessantes ou palatáveis para LoT neste momento. A presença de Damien na 2ª Temporada fez sentido dentro daquela proposta e, no frigir dos ovos, foi uma boa participação. Mas quando o vi agora na 3ª Temporada meus olhos deram uma volta na nuca e voltaram. Esperava, pois, que o enredo e o ótimo status presente da série favorecesse a presença de Damien. Mas não está sendo assim.

Em termos simples de construção de roteiros, o que um vilão precisa ter, dentro de uma série? Em primeiro lugar, sua presença precisa ser justificada por algo a que o público precisa se agarrar de imediato (acredito que até quem não tem a mínima noção de estrutura de roteiros deva saber disso. Ou provavelmente faltou em todas as aulas de redação na escola). Um personagem, principalmente em uma série baseada em quadrinhos, deve ter um caminho claro para o público, mesmo que as verdadeiras intenções sejam ocultas na trama geral da temporada, o que é perfeitamente esperado e compreensível. Mas entendam a palavra: estrutura. Estrutura é importante! E Damien e Nora não possuem nenhuma aqui. Eles são vilões de luxo de um momento que, sendo um mistério por si só já bastaria (lembrando que ainda temos Mallus para nos preocuparmos). Não prevejo coisas boas vindo daí.

E eis que aparece Darhk manipulando momentos da História, se passando por personas diferentes e… por quê? Para quê? Notem que Kuasa, a neta de Vixen, mesmo tendo sido escanteada pela produção na linha principal (um dos meus medos para o restante da temporada é esse) faz muito mais sentido e prende bem mais o espectador do que o insosso Damien e sua filha “maldade encarnada básica“. Para piorar (mas isso deve ser só implicância minha mesmo, então vou deixar apenas como um comentário passional que talvez alguns de vocês possam se relacionar) a atuação de Neal McDonoughCourtney Ford para estes personagens é afetada demais, teatral demais. Não acompanha o padrão encontrado na série, mesmo em outros vilões (em diversos níveis e escolas dramatúrgicas que temos no elenco).

Mas a lista de medos futuros não acaba. Infelizmente temos Wentworth Miller de volta ao time (temporariamente?), como Citizen Cold. Versão da Terra-X do Capitão Frio, “Leo” se apresenta de maneira diferente (Miller é um ator bacana e essas nuances ele faz bem, mas isso não basta. E claro, nem tudo está diretamente ligado à sua atuação), interagindo de verdade com as Lendas, “perturbando” Mick e… ficando bastante deslocado no meio do grupo. Se esta foi a adição que os produtores prometeram ao time, a escolha foi ruim. Não importa se estamos falando de uma “outra versão”. Nós já havíamos perdido o Capitão Frio. Nos acostumamos com sua ausência e superamos a partida. Vê-lo de volta como recorrente, mesmo como Leo, não é nada interessante. Que trouxessem Ray da Terra-X, então! Seria muitíssimo melhor!

Mesclando humor com espírito natalinoBeebo the God of War apresenta um plot curioso e historicamente desprezado, que é a presença dos Vikings na América antes de Colombo. A brincadeira com o dia de Natal e alguns momentos de reunião da equipe, como a construção do plano de Sara, é ótima, indicando que as Lendas mantém sua excelente química. O que não pode acontecer é que isso seja deixado de lado ou enfraquecido por vilões ruins e adições questionáveis ao grupo. Será que a presença de Constantine conseguirá, ao fim, arrumar esses pequenos desconfortos em andamento? Que a Newcastle Crew nos proteja!

Legends of Tomorrow – 3X09: Beebo the God of War (EUA, 5 de dezembro de 2017)
Direção: Kevin Mock
Roteiro: Grainne Godfree, James Eagan
Elenco: Brandon Routh, Caity Lotz, Franz Drameh, Maisie Richardson-Sellers, Amy Louise Pemberton, Tala Ashe, Nick Zano, Dominic Purcell, Neal McDonough, Wentworth Miller, Courtney Ford, Graeme McComb, John Noble, Jes Macallan, Thor Knai, Katia Winter, Emily Tennant, Hiro Kanagawa
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.