Crítica | Legends of Tomorrow – 3X15: Necromancing the Stone

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Há SPOILERS do episódio e da série. Leia, aquias críticas dos outros episódios.

A um mês do término da 3ª Temporada, não era de se esperar um filler (ou algo perto disso) em LoT, mesmo que estejamos falando de um filler de luxo, como é este Necromancing the Stone. Por um lado, a gente entende a intenção do roteiro de Grainne Godfree e Morgan Faust, trabalhando camadas secundárias da temporada, como o relacionamento de Sara e Ava ou a (possível?) colocação de Constantine na equipe. Considerando as implicações que esses blocos poderiam ter, caso fossem entrelaçados aos três capítulos futuros — provavelmente os episódios de “correria” para deter Mallus, que, ao que tudo indica, vai conseguir mesmo se soltar da prisão –, foi uma ótima escolha trabalhar esses elementos à parte. É paradoxal, mas mesmo diante de tanta coisa boa — sim, este filler é excelente — temos que superar alguns incômodos.

A esta altura, vale a pergunta que não quer calar: por que diabos Nate não vira Gládio? Os últimos episódios contaram com pouca ou nenhuma transformação do herói, mas até aí, nada tinha exatamente me incomodado, porque não havia incoerência ou isto era  a única opção de proteção. Assim, no limite dramático, era possível justificar a permanência dele em carne e osso. Mas vejam aqui. O homem vai sozinho buscar o Totem da Terra. Vê a Sara-Mallus de posse do Totem da Morte. Vê o “avô”. Começa a apanhar e tudo fica por isso mesmo. Ele sequer TENTOU “gladiar-se” (que palavra bonita, hein?), o que para mim não faz muito sentido. Como ele realmente estava em perigo e não havia outra opção de proteção, foi um erro do roteiro/direção/produção deixá-lo sem usar os poderes.

Constantine, por sua vez, usou tudo o que tinha em mãos e foi grande estrela do episódio, mais uma vez trazendo um humor cheio de ironia e cinismo, que é maravilhoso assistir. Com Sara em perigo e o encontro dele com Ava, a tensão, o ciúme e o carinho que ambos sentem pela capitã da Waverider dão um tempero a mais ao episódio. Isso sem contar que a participação de Gary aqui é absolutamente incrível. Eu já havia dito que a entrada esporádica e bem escrita do ator Adam Tsekhman na série era o melhor alívio cômico bem contextualizado que a CW tinha. E vejam ele aqui. O modo bobo como sorri e se espanta com as coisas, a cara de felicidade dele quando é beijado por Constantine, a ótima referência a D&D, que tanto serve como elemento de avanço da história como excelente deixa de duplo sentido no final (“essa noite eu sou todo seu!“), tudo isso faz com que o personagem permaneça como o Coringa de ouro da série. Que continue sendo usado com sabedoria pelos roteiristas!

O drama envolvendo Sara e Ava não me pareceu completamente palatável, mas ainda há muita coisa para acontecer. As duas formam um casal muito bonito e cheio de idiossincrasias que é uma pena ver separado. Por outro lado, ambas possuem uma vida agitada, notadamente em “mundos” diferentes e que, talvez, um relacionamento fixo atrapalhasse um pouco o andamento da série. Claro, são apenas hipóteses, mas o fato aqui é o tom demasiadamente melodramático no final. Esperava-se algo mais sólido vindo de Sara, não apenas a justificativa padrão. Torço para que não fique um clima de birra entre as duas nos três episódios que faltam para encerrar a temporada. E mesmo que elas não fiquem juntas, realmente espero que possam conversar a respeito e que haja uma separação digna e amigável, onde ambas as partes entendem que, a despeito de todo o sentimento envolvido, não há nenhuma possibilidade de permanecerem juntas. Maturidade nível hard. É assim que tem que ser.

A exploração dos espaços da nave pela diretora April Mullen e a excelente fotografia do episódio (trabalho com sombras e cores frias é sempre mais difícil, porém, quando bem realizado, o impacto sobre o público é marcante) conseguem tornar a face claustrofóbica do capítulo uma boa desculpa para a distribuição dos totens (Onda Térmica usando o Totem do Fogo foi uma das coisas mais legais da temporada inteira!) e para a construção de uma ponte até Mallus. A batalha final está prestes a começar. Vejam aonde chegamos. Até em filler LoT permanece incrível. Quem um dia poderia dizer uma coisa dessas?

Legends of Tomorrow – 3X15: Necromancing the Stone (EUA, 2018)
Direção: April Mullen
Roteiro: Grainne Godfree, Morgan Faust
Elenco: Brandon Routh, Caity Lotz, Maisie Richardson-Sellers, Amy Louise Pemberton, Tala Ashe, Keiynan Lonsdale, Nick Zano, Dominic Purcell, Matt Ryan, Courtney Ford, Jes Macallan, John Noble, Adam Tsekhman, Violett Beane, Matthew MacCaull
Duração: 43 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.