Crítica | Legion – 2X08: Chapter 16

plano critico episodio 16 plano critico 8 legion

  • Há spoilers. Leia, aqui, as críticas dos episódios anteriores.

No episódio anterior, o mais fraco da temporada até agora, a história voltou ao seu eixo principal, deixando de lado as maravilhosas narrativas auto-contidas com que Noah Hawley vinha nos brindando. Essa tendência continua no episódio sob análise, mas, aqui, felizmente, o tom é reencontrado e a série ganha o impulso que precisava.

Mas quem esperava grandes acontecimentos provavelmente saiu decepcionado, pois o capítulo chega a ser até singelo de tão simples. Basicamente, vemos tanto David quanto Farouk descobrindo o paradeiro do corpo do segundo e iniciando uma corrida para ver quem chega primeiro no monastério Mi-Go que magicamente muda de lugar como o castelo da Besta em Krull.

No entanto, está é, apenas, a superfície, o artifício usado para fazer algo que poucas séries baseadas em quadrinhos “ousam” fazer: desenvolver seus personagens. E o primeiro destaque é Syd, que começa a ter dúvidas sobre a natureza do relacionamento dela com David, algo catalisado pelo contato do mutante com sua versão mais velha e sem braço do futuro. Para todos os efeitos, quer parecer que Syd confia mais nela mesma do que em David e esse seu posicionamento coloca em xeque seus sentimentos.

Notem o fantástico diálogo dela com Clarke, que sublinha com notas acridoces o problema. Syd confessa sua relutância em relação a David ao que Clarke responde com empatia, perfeitamente entendendo o problema e ainda colorindo-o com a história de um rapaz que ele gostava, mas que vivia fugindo dele literalmente jogando-se de aviões até que um dia o paraquedas não abriu. Mas Clarke também é pragmático e coloca Syd contra a parede ou, talvez mais apropriadamente, a faz carregar o peso do mundo nas costas. O agente da Divisão 3 é muito claro: David tem o poder de destruir o mundo com o pensamento e uma desestabilização emocional como uma rejeição por Syd pode ser a proverbial gota d’água.

É simples e ao mesmo tempo genial a colocação desse problema, especialmente nos dias de hoje de reafirmação feminina. Syd está, basicamente, em um relacionamento de que não pode sair sob pena de transformar seu namorado em um vilão enlouquecido, algo que dialoga muito bem com o claustrofóbico Capítulo 12, dedicado à sua vida pregressa. Além disso, não é exatamente isso que sua versão futurista dá a entender que aconteceu? Assim, as tramas nas duas linhas temporais começam a aproximar-se, tornando a história sombria e com aquele pesado senso de inevitabilidade.

Corroborando esse aspecto, vemos David colocar em movimento um plano solitário e secreto para localizar o corpo do Rei das Sombras que inclui controlar seus colegas sem que eles saibam o que está acontecendo. A quebra dos laços de confiança fica evidente e é perfeitamente possível começar a vislumbrar um David vilanesco aparecendo, especialmente agora que, durante sua clausura no tanque de amplificação psíquica (inventei esse nome agora, pois não faço ideia como se chama aquilo), vemos, pela primeira vez em muito tempo, pistas de outras personalidades convivendo na mente conturbada do protagonista, algo que, apesar de muito longe do que vemos nos quadrinhos, é um passo na direção certa.

Mas o jogo não é unilateral e descobrimos que Farouk também tem seu peão, com Melanie controlada por ele à distância. Será interessante ver o desfecho desse embate indireto no que toca a união do grupo de David em momento pós-controle mental, incluindo o papel de Lenny nesse tabuleiro.

Ao longo do episódio, o roteiro lida com uma subtramas que nos conta trechos da origem do Almirante e líder da Divisão 3. É curiosa a escolha do momento para isso, pois a quebra de ritmo é inevitável, mas parece iniciar os preparativos para um papel mais relevante para o mutante amplificado ciberneticamente que, agora, tem Ptomomy “vivendo” lá dentro em uma fascinante representação de sua mente que mais uma vez mostra a originalidade dos conceitos abordados por Hawley.

Legion volta à forma com seu oitavo episódio da segunda temporada, abrindo caminho para os três capítulos finais lidarem com o conflito direto entre David e Farouk e potencialmente até mesmo a possível transformação do protagonista em algo mais do que um simpático mutante um pouquinho abobalhado. Fica só a dúvida se está será a última temporada, considerando a baixa audiência que a série tem tido…

Legion – 2X08: Chapter 16 (EUA – 22 de maio de 2018)
Showrunner: Noah Hawley
Direção: Jeremy Webb
Roteiro: Noah Hawley, Jordan Crair
Elenco: Dan Stevens, Rachel Keller, Aubrey Plaza, Bill Irwin, Navid Negahban, Jemaine Clement, Jeremie Harris, Amber Midthunder, Hamish Linklater, Jean Smart, David Selby, Jelly Howie, Brittney Parker Rose, Lexa Gluck, Marc Oka
Duração: 49 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.