Crítica | Legion – 2X09: Chapter 17

  • Há spoilers. Leia, aqui, as críticas dos episódios anteriores.

O 17º capítulo de Legion e antepenúltimo da temporada – quiçá da série – é um dos mais curtos até agora e mais ou menos metade de seu tempo é gasto com Melanie, que andava bem sumida da história. A pergunta que fica é: a essa altura do campeonato era mesmo necessário voltarmos no tempo para descobrirmos os detalhes de como ela passou a ser controlada pelo Rei das Sombras? E, como corolário: será que não teria sido melhor dedicar esse tempo a fazer a trama andar mais rapidamente do que um jabuti manco?

Afinal, recapitulando muito rapidamente a temporada corrente, ela toda pode ser resumida na corrida de Farouk atrás de seu corpo original, com David tentando impedi-lo. Esse fiapo de história é a desculpa que Noah Hawley precisa para maravilhar os fãs de sua série com uma orgia audiovisual de tirar o chapéu, com direito a viajantes episódios inteiros dedicados a personagens específicos como o que nos conta o traumático passado de Syd, o que nos revela a dolorosa transformação de Lenny e, finalmente, o que nos faz passear pelas angustiantes vidas possíveis de David.

Mas contar a história é preciso e, mais uma vez, Hawley se enrola nessa tentativa, depois de nos trazer um episódio cambaleante seguido de outro eficiente a respeito. Ao focar boa parte dos pouco mais de 40 minutos em Melanie, o episódio simplesmente não avança, não traz absolutamente nada de novo para a história e, pior ainda, não acrescenta nada realmente interessante sobre a personagem que possamos classificar como um bom desenvolvimento. Aqui, ela passa os minutos que têm de dela resmungando sobre o sumiço de seu marido por 21 anos, um ressentimento que já havia sido explorado anteriormente, mas que havia ficado no passado, considerando que ela era a terapeuta e líder da equipe mutante na utópica Summerland. Se alguma coisa, essa sua dependência de Oliver representa uma involução e não um esperado passo para frente. Chega a ser um desperdício ver Jean Smart aqui desse jeito, especialmente quando a lembramos como Floyd Gerhardt, na segunda temporada de Fargo, do próprio Hawley, papel que lhe valeu uma indicação ao Emmy.

Felizmente, porém, o episódio – o primeiro a ser dirigido pelo showrunner desde o inaugural da série – não é integralmente focado na agora desinteressante Melanie. Mesmo voltando à personagem mais algumas vezes, temos a oportunidade de acompanhar os desdobramentos do plano de David para derrotar(???) seu inimigo antes que ele alcance seu objetivo. Novamente, o avanço narrativo é tímido, com Carey e Kerry agindo a partir do gatilho mental implantado pelo Legião (que ainda não é o Legião propriamente dito e já começo a duvidar se um dia ele será) para levar uma arma até o sinal fluorescente de um polvo azul. A interação entre os bizarros mutantes siameses é, diria, o ponto alto do episódio, com Cary, de semblante entristecido, abordando sua morte e a necessidade, que fica nas entrelinhas, de Kerry aprender a se virar sozinha no mundo, algo que ela tem absoluto pavor de sequer tentar. Amber MidthunderBill Irwin, considerando a diferença de idade deles, têm uma inusitada química nessa relação fraternal interdependente, mas hesitante que demonstram e seus momentos contracenando, aqui, transitam entre a doçura e a patetice, em um conjunto final muito divertido.

A outra ponta do plano de David, claro, é Lenny. Finalmente livre da Divisão 3 ela parte para sua antiga gangue de drogados farristas que a recebem como uma rainha (merecidamente), com direito à noite tórrida de sexo com uma das garotas depois de uma festa de arromba. Aubrey Plaza sempre ilumina os momentos em que ganha os holofotes na série e não é diferente no tempo que tem no episódio, agora com seus novos olhos claros e a uma intensidade ainda maior em tudo o que faz, inclusive ao interagir com o fantasma de Amy com quem quase forma uma “parceria” paranormal.

Mesmo com seus ótimos momentos, o capítulo, porém, nada realmente faz além de confirmar o controle mental de Melanie (como se isso fosse realmente necessário) e transportar (literalmente) Lenny do ponto A ao ponto B, tudo como preparativo para o potencial embate final com o Rei das Sombras no deserto, próximo ao templo Mi-Go. Em mãos menos hábeis, o episódio seria complicado de assistir, mas estamos falando de algo não só escrito como dirigido por Noah Hawley e que, por mais problemático que seja, sempre há algo de bom a extrair. No entanto, confesso que o showrunner está esticando um arco narrativo simples demais e que, para todos os efeitos, já deveria ter acabado. Com duas partes ainda pela frente, meu receio é que a mágica lisérgica de Legion se esvaia em um visual vazio e uma lentidão exacerbada.

Legion – 2X09: Chapter 17 (EUA – 29 de maio de 2018)
Showrunner: Noah Hawley
Direção: Noah Hawley
Roteiro: Noah Hawley, Nathaniel Halpern
Elenco: Dan Stevens, Rachel Keller, Aubrey Plaza, Bill Irwin, Navid Negahban, Jemaine Clement, Jeremie Harris, Amber Midthunder, Hamish Linklater, Jean Smart, David Selby, Jelly Howie, Brittney Parker Rose, Lexa Gluck, Marc Oka
Duração: 42 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.