Crítica | Lego DC Comics: Batman Be-Leaguered

estrelas 3,5

O sucesso de Lego Batman: O Filme – Super-Heróis DC Unidos certamente não seria desperdiçado pela Lego e Warner, que rapidamente enxergaram nessas animações uma forma de trabalhar tais personagens de forma mais descontraída. Eis que, apenas um ano depois, as duas empresas em parceira lançaram no Cartoon Network um especial de vinte e dois minutos sobre a Liga da Justiça, Lego DC Comics: Batman Be-Leaguered, que não é relacionado ao longa-metragem anterior e nos traz a origem do grupo de heróis sob uma perspectiva divertida e cômica, ao mesmo tempo que sabe explorar a natureza de cada um dos supers.

Novamente o protagonista é Batman, que, durante a tentativa de roubo de uma joia em Gotham, é abordado por Superman, que deseja recrutar o Cavaleiro Negro para a Liga da Justiça. Negando de imediato, o vigilante mascarado testemunha o repentino desaparecimento de Superman e é forçado a pedir ajuda dos outros heróis, apenas para vê-los sumindo, diante de seus olhos, um a um. Cabe ao Morcego, portanto, descobrir quem está por trás desse esquema, ao mesmo tempo que ele, pouco a pouco, enxerga a necessidade de fazer parte desse grupo de super-heróis, por mais taciturno que ele próprio seja.

Assim como Super-Heróis DC UnidosBatman Be-Leaguered, adota o humor característico dos games da Lego, que satirizam os personagens ao extrapolar seus traços de personalidade mais fortes. O que não necessariamente funcionaria em um longa-metragem live-action funciona perfeitamente aqui, visto que o desenho assume um caráter metalinguístico ao colocar os blocos coloridos e a composição de cada personagem como se fossem realmente formados de diferentes peças. Um bom exemplo disso é quando Batman perde o capuz e acaba ficando sem cabelo – esse é um universo de Lego e não um mundo retratado através desse brinquedo.

Evidente que algumas licenças poéticas são necessárias para que a animação permanece fluida. Os movimentos dos personagens não respeitam as limitações do brinquedo, ainda que as emulem – não estamos falando de algo realizado em stop-motion e sim em computação gráfica. Devo tecer elogios às texturas, que realmente nos fazem acreditar que estamos diante de peças de Lego e não um universo criado em um computador. Isso também se estende para as expressões de cada indivíduo, que garantem o carisma de cada um deles, mesmo do Morcego, que tenta ser sombrio, mas não consegue, trazendo boas risadas ao espectador, especialmente em um de seus monólogos na batcaverna.

O roteiro somente desliza ao tornar as coisas um tanto quanto repetitivas no meio do filme, tirando qualquer chance do espectador se surpreender. Esse fator acaba tirando espaço da resolução, que tem seu clímax resolvido de maneira rápida demais. Felizmente, o afiado texto de James Krieg explora a personalidade dramática dos vilões e satiriza seus planos excessivamente complicados – o resultado final acaba ficando um tanto apagado, mas ele cumpre sua função, finalizando a obra de forma bastante redonda, de maneira coesa que define perfeitamente o objetivo da animação: nos mostrar a origem da Liga da Justiça.

 Lego DC Comics: Batman Be-Leaguered é mais uma ótima animação realizada pela Lego em parceria com a Warner, que explora o universo DC com um necessário bom-humor. Apesar desse elemento de comédia, estamos falando de um desenho que sabe explorar seus personagens de maneiras criativas, divertindo o espectador tanto com risadas, quanto através de suas cenas de ação. Mesmo com alguns tropeços ao longo do caminho, temos aqui um filme curto que abre caminho para mais produções contemplando esses icônicos personagens.

Lego DC Comics: Batman Be-Leaguered — EUA, 2014
Direção:
 Rick Morales
Roteiro: James Krieg
Elenco: Dee Bradley Baker, Troy Baker, John DiMaggio, Grey DeLisle, Tom Kenny, Nolan North, Khary Payton
Duração: 22 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.