Crítica | Lego Liga da Justiça: Ataque da Legião do Mal!

estrelas 4

Pouco a pouco a Lego cria seu próprio universo cinematográfico com os heróis da DC Comics. Após o sucesso dos três filmes anteriores dos bloquinhos coloridos, chegou a vez da Liga da Justiça enfrentar mais uma ameaça. Continuação de Liga da Justiça vs. Liga BizarroAtaque da Legião do Mal consegue ser a melhor das animações com os supers até então, provando que a Lego junto da Warner Animation e DC Animation sabem melhorar sua fórmula e nos entregar algo que diferencie essa obra das anteriores, por mais que as principais características se mantenham.

Depois de sofrer inúmeras derrotas nas mãos do super grupo de heróis, Lex Luthor enxerga que a única maneira de ter alguma chance de derrotar seus inimigos é unindo forças com outros vilões. Junto de Sinestro e Arraia Negra, ele forma a Legião do Mal (Legion of Doom), recrutando ainda mais bandidos. Juntos eles contam com um plano maléfico de destronar a Liga, envolvendo a manipulação de um certo alienígena de Marte. Pouco sabe o vilão, contudo, que o marciano conta com um forte código de ética e justiça. Enquanto isso, o Ciborgue tenta se provar dentro do grupo, visto que sente como se estivesse apenas atrapalhando seus companheiros de equipe.

O que mais nos chama a atenção no roteiro de Ataque da Legião do Mal é a sua circularidade. Desde o início sentimos como se o Ciborgue fosse o protagonista dessa história e o texto mantém esse fator até o seu término, explorando em cada combate a personalidade do herói, o membro mais novo do grupo – assim, a narrativa ganha uma marcante fluidez. O encerramento ainda cria um paralelo bastante evidente com o começo, que apenas contribui para a coesão do longa-metragem, tornando toda a experiência mais gratificante, visto que acabamos de presenciar o desenvolvimento do personagem.

Dito isso, a obra consegue se desvencilhar do problema que assolava as produções anteriores da Lego: as cenas desnecessárias de ação, que geralmente ocorriam no início da projeção. Evidente que a presença do Trapaceiro não era estritamente necessária, mas, ao menos, os eventos provocados por ele contam com sua função dentro da história. A única sequência que pode ser considerada um filler total é o recrutamento dos outros vilões para a Legião do Mal, mas o simples fato dessa ser a melhor cena de toda a obra consegue balancear esse fator. Temos aqui uma sátira evidente ao reality show Wipeout, que se torna especialmente hilária com a narração de Sinestro ao fundo, com Mark Hamill mostrando seu talento como dublador novamente.

Dito isso, o único aspecto que verdadeiramente nos incomoda é o prolongado ato final, que se estende por mais tempo que deveria. Felizmente, ao longo desses quatro filmes, a Lego aprendeu a utilizar mais os poderes de cada super-herói. O Lanterna Verde desempenha um papel muito mais ativo aqui, enquanto que cada um cumpre sua função como em uma verdadeira equipe. O único que chega a ganhar mais tempo em tela é o Ciborgue, mas, como já foi dito, ele é o foco dessa animação.

É preciso notar, também, como essa série de desenhos pouco a pouco vai se tornando uma versão atualizada de Super Amigos, contando, é claro, com uma dose maior de acidez em seu roteiro e menos momentos felizes para a família. Estamos falando de uma animação que pode ser apreciada por pessoas de todas as idades, mas somente os acima de certa idade irão entender a sátira construída aqui, além de perceber as inúmeras referências, algumas jogadas em nossa cara, como a cômica Nova Área 52. Esses easter-eggs, contudo, funcionam mais como ironia, uma paródia dos filmes de heróis para o cinema, que precisam rechear a tela com referências a cada instante.

Lego Liga da Justiça: Ataque da Legião do Mal! é mais um acerto da Lego, que sabe, como ninguém, fazer ótimos filmes baseados no Universo DC. Com uma veia mais cômica, temos aqui uma obra que verdadeiramente sabe utilizar o potencial desses heróis, nos entregando histórias bem amarradas, auto-contidas e que verdadeiramente nos divertem (ao contrário da DC nos cinemas). Acima de tudo, são obras com identidade e não produções pasteurizadas através de um filtro escuro para parecer mais sombrio, existe alma aqui e a companhia de blocos coloridos bem que poderia dar umas aulas para certos realizador.

Lego Liga da Justiça: Ataque da Legião do Mal! (LEGO DC Super Heroes: Justice League – Attack of the Legion of Doom!) — EUA, 2015
Direção:
 Rick Morales
Roteiro: James Krieg
Elenco: Dee Bradley Baker, Troy Baker, John DiMaggio, Grey DeLisle, Mark Hamill, Tom Kenny, Nolan North, Josh Keaton
Duração: 77 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.