Crítica | Lego Liga da Justiça: Combate Cósmico

lego-combate-cosmico-plano-critico

estrelas 3,5

Chega a ser triste o quanto a DC Comics não confia no potencial de seus próprios personagens em mídias fora dos quadrinhos ao querer colocar o Batman em tudo. Dos seis filmes da Lego lançados até então, apenas dois não contam com o Morcego na posição de protagonista, com Lego Batman: O Filme a ser acrescentado nessa contagem. Fora isso, temos as inúmeras animações da DC em parceria com a Warner, que colocam Wayne até mesmo em Liga da Justiça Sombria, quase com o errado conceito de que esse universo não sobreviveria sem o vigilante de Gotham City. Isso, contudo, não quer dizer que Combate Cósmico, quinto filme da Lego sobre os heróis da editora, seja necessariamente ruim.

Embora dê continuidade à série iniciada em Batman Be-Leaguered, qualquer um pode aproveitar esse desenho sem ter assistido os anteriores. A trama nos apresenta, logo de início, Brainiac, que está em uma saga para catalogar os planetas do universo, minimizando-os e os colocando em potes dentro de sua nave. Agora ele colocou seus olhos na Terra e cabe à Liga da Justiça impedir os planos maléficos do vilão, o que eles não esperavam, contudo, é que Superman, Mulher Maravilha e o Lanterna Verde fossem mandados para diferentes épocas pelo antagonista, caindo nas costas de Batman a tarefa de trazê-los de volta para que Brainiac seja impedido.

Combate Cósmico é a primeira das animações DC/ Lego que não gasta tempo com outros vilões antes do principal entrar em jogo. Temos aqui uma narrativa que vai direto ao ponto, já inserindo Brainiac como a maior ameaça a ser combatida pela Liga. O grande problema do longa-metragem está na forma como sua narrativa é fragmentada, soando como um video-game, no qual Batman precisa passar por diferentes fases, libertando os membros do grupo fora de seu tempo, antes de partir para a luta final. Isso, naturalmente, acaba criando constantes quebras de ritmo, fazendo o filme todo parecer um compilado de episódios, com início, meio e fim cada um deles.

Felizmente, o humor característico da empresa de blocos coloridos se faz presente com toda a força aqui e ganhamos sequências verdadeiramente engajantes se analisadas separadamente. Ouso dizer que Brainiac é o vilão mais marcante dessa série de animações, sendo retratado de forma bastante cômica por Phil LaMarr, que empresta sua voz ao antagonista. A Lego usa o máximo de sua ironia ao colocar o andróide com uma espécie de TOC, que escolhe a Terra somente porque precisa de um planeta que comece com as letras E e A.

O trabalho de animação em si também não deixa a desejar, apenas melhorando a fórmula utilizada desde os primeiros filmes realizados pela empresa. A propriedade dos blocos é constantemente utilizada, ainda que não de forma tão criativa quanto Liga da Justiça vs. Liga Bizarro. Isso sem falar nos manuais de instruções que são uma das muitas referências existentes dentro do desenho, que, como sempre, não impactam o desenvolvimento da história e não se sentem na necessidade de pipocar a todo e qualquer instante diante de nossos olhos.

Lego Liga da Justiça: Combate Cósmico conta com um sério problema de ritmo, provocado por sua narrativa episódica, felizmente, esse fator é contornado pela qualidade da animação e a forma como os personagens são trabalhados, especialmente o vilão Brainiac. Dito isso, Batman funciona como um ótimo protagonista, ainda que gostaríamos de roteiros que trabalhassem mais os diversos personagens do universo DC. Mas, pelo que parece, não veremos isso tão cedo.

Lego Liga da Justiça: Combate Cósmico (Lego DC Comics Super Heroes: Justice League – Cosmic Clash) — EUA, 2016
Direção:
 Rick Morales
Roteiro: James Krieg
Elenco: Troy Baker, Nolan North, Josh Keaton, Grey DeLisle, Phil LaMarr, James Arnold Taylor, Kari Wahlgren, Khary Payton
Duração: 78 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.