Crítica | Lego: Liga da Justiça vs. Liga Bizarro

lego-dc-liga-da-justica-plano-critico

estrelas 4

A Lego realmente merece palmas, enquanto a DC vem lutando para estabelecer seu Universo Cinematográfico nos cinemas, a companhia de blocos coloridos, em parceria com a Warner, vem produzindo filmes sobre os super-heróis desde 2013, com Lego Batman: O Filme – Super-Heróis DC Unidos. Evidente que estamos falando de propostas totalmente diferentes, com pretensões completamente distintas. As aventuras proporcionadas pela Lego são mais descontraídas e não pedem muito de si próprias. O que é irônico, pois ao fazerem isso conseguem genuinamente se destacar pela sua qualidade.

Liga da Justiça vs Liga Bizarro é uma dessas animações. Sequência direta de Batman Be-Leaguered, o desenho tem início com Superman levando Bizarro, seu clone defeituoso, para um planeta distante, para que lá ele possa fazer o que quer sem machucar outros. Um tempo depois, a Liga descobre que o clone está de volta na Terra, atacando a torre da Lexcorp, onde rouba a arma de duplicar de Lex e faz cópias de toda a Liga. Dito isso, os heróis devem descobrir o que motivara Bizarro a cometer tais atos.

Ainda que consiga nos entreter, a obra conta com um início que desliza em alguns pontos. Após o prólogo com o clone de Superman, vemos a Liga combatendo Gorila Grodd e outros vilões. O problema aqui é o fato dessa sequência não desempenhar nenhuma função dentro do roteiro a não ser a de apresentar os personagens. Esse desvio da trama diverte, mas causa um problema maior: torna outros pontos mais relevantes curtos demais, como se a projeção estivesse correndo para terminar a tempo, dificultando o desenvolvimento e até o suspense de alguns trechos do filme.

Felizmente, o elemento da comédia, sempre presente nas produções mais recentes da Lego mais do que dão conta de nos afastar desse fator. Como já disse nas outras críticas das animações da empresa, elas fazem o ótimo trabalho de satirizar a personalidade e os poderes de cada um desses supers. Além disso, os personagens do filme assumem que seu universo é composto de blocos, como podemos ver já nos minutos iniciais, nos quais uma cidadã de Metrópolis reclama de seu carro destruído, que custara a ela muito tempo para montar. Além disso, toda a linguagem visual da obra faz referência aos blocos coloridos, como o hilário plano de Lex para destruir Superman, que é esquematizado como os manuais de instruções do brinquedo.

Não posso deixar de lado, também, o excelente trabalho de dublagem aqui realizado. Todos conseguem captar perfeitamente o espírito descontraído da animação e o fazem respeitando os personagens icônicos representados. Ainda que sejam parodiados, o Superman fala como esperamos e o mesmo vale para todos os outros heróis que aparecem em tela. Somado ao trabalho de animação, que fornece muita expressividade a cada um dos bonequinhos, temos aqui um longa que imediatamente nos envolve.

A Lego verdadeiramente encontrou a linguagem ideal para realizar suas animações. São uma forma de entretenimento descompromissado, que pode ser aproveitado por pessoas de diferentes idades, que certamente irão soltar boas risadas com as sátiras aqui encontradas. Estamos falando de um filme de heróis que nos diverte do início ao fim e que não conta com qualquer mania de grandeza. Ainda que faça parte de uma série de animações, ele é autocontido, não necessitando de uma dedicação maior do espectador. Definitivamente a empresa de blocos coloridos sabe o que faz.

Lego: Liga da Justiça vs Liga Bizarro (Lego DC Comics Super Heroes: Justice League vs. Bizarro League) — EUA, 2015
Direção:
 Brandon Vietti
Roteiro: Michael Jelenic
Elenco: Diedrich Bader, Troy Baker, John DiMaggio, Tom Kenny, Phil Morris, Nolan North, Khary Payton
Duração: 49 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.