Crítica | LEGO Ninjago: O Filme

Por ser o primeiro filme da LEGO, lançado nos cinemas, sem a utilização de material licenciado, LEGO Ninjago: O Filme já sai em desvantagem em relação a Uma Aventura LEGO LEGO Batman: O Filme, tendo de contar, portanto, com mais limitações tanto no enredo quanto em relação aos personagens, que, por sua vez, não são conhecidos pelo público geral. Evidente que, caso o espectador já tenha assistido a série Ninjago: Masters of Spinjitzu será familiar com todos eles, mas não é o caso da maioria, que me inclui. Sabiamente, o estúdio chegou a nos preparar para esse longa através do curta-metragem exibido antes do filme do Morcego de Gotham, já tornando, ao menos, o mestre Wu (Jackie Chan) familiar à audiência.

Essa estratégia é dada continuidade através do prólogo em live-action da obra em questão, que nos mostra um menino, com seu boneco de LEGO, em uma loja de antiguidades oriental, onde o senhor Liu (Jackie Chan, dessa vez em carne e osso) decide contar a história de Ninjago. Partimos, então, para o universo dos blocos coloridos, onde encontramos uma cidade, que dá título à obra, sendo constantemente atacada pelo terrível vilão Garmadon (Justin Theroux), que, por sua vez, tem seus planos sempre frustrados pelos cinco ninjas liderados pelo ninja verde. O que ninguém, exceto o próprio grupo, sabe é que o ninja verde é, na realidade, Lloyd (Dave Franco), filho de Garmadon. Dito isso, o jovem deve encontrar uma forma de impedir de vez os ataques do pai, enquanto, tenta se reconciliar com ele.

As limitações de LEGO Ninjago: O Filme são apresentadas pela sua própria trama principal. O roteiro de Bob Logan, Paul Fisher, William Wheeler, Tom Wheeler, Jared Stern e John Whittington evidentemente mantém-se na simplicidade, seguindo por uma linha bastante linear, que não foge muito da previsibilidade, não mostrando grande preocupação em aprofundar os conceitos desse universo ninja tecnológico, que traz grandes similaridades com Power Rangers (e tokusatsus em geral), vide os robôs gigantes pilotados por cada um dos ninjas, que, na realidade, somente vão se tornando ninjas de verdade no decorrer do longa-metragem.

Essa história menos ousada, claro, reflete o receio da obra não emplacar, por não trazer material licenciado, e, de fato, isso não seria um grande problema não fosse a fragmentação narrativa gerada pelo roteiro, que mostra ser um tanto quanto hesitante. Com estrutura episódica, ainda herdando traços narrativos de videogames, com “fases” bem definidas, nossa percepção da duração do filme é dilatada, fazendo ele soar muito mais longo do que verdadeiramente é. Para piorar, em certos momentos sentimos um nítido cansaço durante a projeção, por ter completa consciência do quanto ainda há pela frente, já que o caminho a ser percorrido pelos personagens é mais do que anunciado em determinado momento da trama.

Isso, no entanto, não quer dizer que não possamos nos divertir ao longo dessa história. O humor, como sempre, está na dose certa, funcionando, principalmente, através de quebras de expectativa, vide o monstro convocado por uma certa arma, os próprios ensinamentos de mestre Wu ou até mesmo as interações de Garmadon com a equipe principal, que felizmente, não se resume a “eu sou o vilão e preciso lutar com vocês”. Além disso, o excelente trabalho de animação mais do que dá conta de nosso entretenimento, já que realmente sentimos como se estivéssemos diante de peças de LEGO. A direção de Charlie Bean, Paul Fisher e Bob Logan, aliás, não peca por trazer movimentos de câmera velozes demais, como nos outros filmes dos blocos coloridos, permitindo que enxerguemos tudo com bastante clareza.

LEGO Ninjago: O Filme, portanto, pode estar aquém dos dois filmes anteriores da LEGO, mas ainda prova ser uma bela fonte de entretenimento, que deve ser enxergada de maneira mais descompromissada. Embora a não utilização de material licenciado tenha impacto notável na narrativa, aspecto aprofundado pela fragmentação gerada pelo roteiro, conseguimos nos importar com o protagonista e a relação com seu pai, capaz de nos entregar algumas boas risadas, que já fazem o filme valer.

LEGO Ninjago: O Filme (The LEGO Ninjago Movie) — EUA/ Dinamarca, 2017
Direção:
 Charlie Bean, Paul Fisher, Bob Logan
Roteiro: Bob Logan, Paul Fisher, William Wheeler, Tom Wheeler, Jared Stern, John Whittington
Elenco (vozes originais): Jackie Chan, Dave Franco, Fred Armisen, Kumail Nanjiani, Michael Peña,  Abbi Jacobson, Zach Woods,  Justin Theroux,  Ali Wong
Duração: 101 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.