Crítica | Lego Star Wars: As Crônicas de Yoda – 1ª e 2ª Temporadas

estrelas 4

Leia tudo do nosso Especial Star Wars, aqui.

Espaço (não-canônico): Mesmos locais da Trilogia Original e Trilogia Prelúdio
Tempo (não-canônico): Durante os eventos da Trilogia Original e Trilogia Prelúdio

Como é bom assistir a alguma coisa realmente surpreendente dentro do Universo Star Wars. E é mais interessante ainda quando essa surpresa vem de uma série feita para TV produzida pela clássica fabricante dos tijolos de encaixe Lego, como parte da licença que salvou a empresa da falência há duas décadas e cuja linha de brinquedos não para de crescer a cada ano.

As Crônicas de Yoda é uma pequena obra feita para a TV dividida em duas mínimas temporadas que são fáceis e gostosas de assistir e que conseguem divertir em dois níveis distintos, para dois públicos diferentes: aos bem pequenos, há a animação em si, que dá vida aos personagens das duas trilogias de Star Wars na forma consagrada pela Lego; ao maiores, há um inteligente roteiro que é impressionantemente auto-consciente dos problemas existentes tanto na Trilogia Prelúdio quanto na Trilogia Original e que usa esse trampolim narrativo construir uma história nova costurada dentro dos acontecimentos dos filmes originais e, especialmente, para fazer ferinas críticas que vão desde o óbvio alvo Jar Jar Binks até a relação complicada entre Darth Vader e o Imperador e, claro, a hilária incapacidade dos Jedi em descobrir que Palpatine é o grande vilão da história.

A primeira temporada tem três episódios cujos títulos embaralham os títulos dos Episódios I, II e III: The Phantom CloneMenace of the Sith e Attack of the Jedi. Neles, a premissa da história é a tentativa, pelo futuro Imperador (Trevor Devall), de criar um exército de clones Sith ultra-poderosos para liquidar com os Jedi e toda a República. Claro que o plano falha fragorosamente e o resultado dele é a geração de apenas um clone Sith mais poderoso do que todos os Sith e Jedi juntos que, porém, se recusa a aliar-se a um lado ou outro. Seu nome é JEK-14 (Brian Dobson) e é em volta dele que toda a trama gira.

Obviamente, tudo é uma desculpa para que o roteiro de Michael Price, produtor executivo e roteirista de Os Simpsons e de um longa e uma outra série Lego Star Wars, destile todo seu veneno – no bom sentido – em relação a toda a lógica tenebrosa de George Lucas em sua Trilogia Prelúdio. Não sobra tijolo sobre tijolo nessa desconstrução de Price que, em muitos momentos, usa o tipo de humor mais adulto da série estrelando Homer Simpson para crivar seus diálogos de momentos antológicos que provavelmente passarão despercebidos às crianças pequenas, já que é necessário um certo grau crítico da referida trilogia para perceber o que ele faz aqui de verdade.

Quando a primeira temporada se encerra, a seguinte começa, batizada originalmente de As Novas Crônicas de Yoda. São quatro episódios – cinco, se considerarmos que o último tem uma versão com final alternativo – que giram em torno da procura dos Holocrons do Templo Jedi por Luke Skywalker logo após o final de Uma Nova Esperança, a pedido do fantasma de Obi-Wan, de forma que ele possa iniciar seus estudos nessas artes místicas.

Aqui, a história é menos interessante e Price recorre a flashbacks para situações que nos fazem revisitar o período da Trilogia Prelúdio, além de trazer de volta JEK-14, agora bem mais velho e vivendo uma vida relaxada em Naboo. O humor ácido e constante da primeira temporada perde um pouco seu ritmo e sua vitalidade, com algumas repetições e piadas que divertem, mas não são tão engraçadas como quando o roteirista está destruindo a Trilogia Prelúdio. Mesmo assim, a história tem boa progressão, é coesa e faz constantes menções à mitologia construída por George Lucas, desde as mais óbvias até as mais obscuras, sem perder tempo em diálogos expositivos desnecessários. Em outras palavras, ou o espectador conhece o material fonte, ou deixará de capturar muito do que é trabalhado na série, especialmente nesta segunda temporada.

As Crônicas de Yoda é uma diversão descompromissada acima da média que traz à tona todas as incongruências e bobagens desta saga maravilhosa que é Star Wars. É torcer para que a série continue!

Lego Star Wars: As Crônicas de Yoda (Lego Star Wars: The Chronicles of Yoda, EUA – 2013/2014)
Direção: Michael Hegner
Roteiro: Michael Price
Elenco: 
Eric Bauza, Michael Daingerfield, Anthony Daniels, Trevor Devall, Brian Dobson, Paul Dobson, Heather Doerksen, Michael Donovan, Brian Drummond, Andrew Francis, Adrian Holmes, Tom Kane, Kelly Metzger, Kirby Morrow, Trish Pattendon, Matt Sloan, Tabitha St. Germain, Lee Tockar, Samuel Vincent, Billy Dee Williams
Duração: 23 min. por episódio (8 episódios no total)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.