Crítica | Liga da Justiça #43 a 46: Torre de Babel

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estrelas 4

Poucos são os heróis que se baseiam tanto na inteligência quanto Batman. Sua ausência de super-poderes, praticamente obrigado o Homem-morcego a criar diferentes estratégias e táticas para cada inimigo enfrentado. Se podemos dizer algo sobre Wayne é que ele é um homem prevenido. Não é de se espantar, então, que o maior detetive do mundo dos quadrinhos tenha suas artimanhas anti Liga da Justiça, caso eles passem a ser manipulados, como de fato já ocorrera.

Torre de Babel se baseia neste princípio, colocando as armas projetadas pelo Morcego nas mãos dos vilões. Na história, Ra’s Al Ghul, cansado do descuido da humanidade em relação ao mundo natural, deseja instaurar o caos através de um aparelho que impossibilita a decodificação de sinais e sons pelo cérebro (uma dislexia generalizada), que levaria a uma guerra generalizada. Para isso, contudo, ele precisaria desarmar os defensores da Terra. Tendo em mãos as contramedidas de Batman, o antagonista tira de jogada, um por um, cada um dos membros da Liga

A revelação de que os planos utilizados por Ra’s vieram dos computadores do vigilante de Gotham somente é revelada no meio da história, ainda assim não é este elemento surpresa que consegue prender os leitores na história. Vale lembrar que estamos falando de um dos arcos mais famosos da JLA, o que já tira grande parte das surpresas da trama. Plot-twists à parte, porém, a narrativa em questão é galgada na reação dos heróis ao descobrirem tais planos por parte de Batman, especialmente Clark que o considera um amigo próximo. Com isso em mente, a história ganha um ar mais intrigante a partir da terceira edição, quando passa a retratar a disposição de cada um em relação ao Homem-morcego.

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Sabiamente, Mark Waid mantém Wayne fora de cena na maior parte dos quadrinhos, aumentando o suspense da narrativa e gerando a dúvida no leitor: qual será a explicação, de fato, para aquelas contramedidas? Dito isso, a metáfora proposta pelo título da obra, primeiramente referente aos planos de Ra’s se estendem para essa falta de comunicação entre Bruce e seus aliados, nos levando para um último quadro que é, ao mesmo tempo, imprevisível e dramático, explorando as diferentes perspectivas do pensamento paranoico do Morcego e já prendendo o leitor nas histórias subsequentes.

O roteiro somente apresenta uma falha na resolução da problemática gerada pela Liga das Sombras. Além de ter sido fácil demais, ela se desenrola muito rapidamente, não dando espaço para uma maior tensão. Graças a isso, mais uma vez, o foco permanece nas relações interpessoais ao invés do típico “salvar o dia”.

O traçado de Howard Porter e Steve Scott consegue transmitir todo o desconforto gerado no meio da Liga, explicitando as dúvidas de cada um em relação a Batman. Em um ou outro quadro acaba pecando pelo exagero nas expressões faciais, mas, em geral, cumpre sua função, agradando sem inovar, se mantendo dentro da estética moderna dos quadrinhos.

Torre de Babel é um arco curto e muito bem amarrado da Liga da Justiça. Apresenta uma interessante problemática que ganha ainda mais vida pelas repercussões bem retratadas por Mark Waid. Embora conte com seus deslizes no roteiro, estes não são o suficiente para estragar o bom andamento da trama, que certamente nos leva a ler de uma vez só, sem interrupções. É uma ótima prova de toda a paranoia de Batman, que não deixa de lado sequer seus amigos.

Liga da Justiça #43 a 46: Torre de Babel (Tower of Babel)
Publicação original: EUA, julho a outubro de 2000
Roteiro: Mark Waid
Arte: Howard Porter, Steve Scott
Arte-final: Drew Geraci, Mark Propst
Cores: John Kalisz

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.