Crítica | Liga da Justiça da América #33 a 41 (1965)

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Este compilado de críticas aborda as edições #33 a 41 da revista Justice League of America Vol.1, publicadas entre fevereiro e dezembro de 1965. Você também pode conferir as críticas para as edições dos anos anteriores da equipe, como apontadas abaixo:

As traduções dos títulos utilizadas abaixo são as mesmas encontradas nas publicações brasileiras, podendo ser encontradas nas seguintes revistas: Os Justiceiros (Ebal, 1968); Batman Bi (Ebal, 1975); Almanaque dos Superamigos 1977 (Ebal); Crise Nas Múltiplas Terras n°1 (Panini, 2008).

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LJA #33: O Inimigo do Mundo Sem Tempo

Enemy From the Timeless World! — (Fevereiro de 1965)

O ano de 1965 começou bem para a Liga, com uma intrigante história envolvendo um novo vilão (Alien-Ator) e o seu contato com os humanos da Terra, diretamente do ano de 25.673. Neste tempo, a nossa espécie atingiu um nível de conquistas tecnológicas altíssimas (e aparentemente estão sem a Liga da Justiça para ajudar em questões importantes, como as que se apresentam nesta ocasião), e depara-se com um contato indesejado em meio aos esforços para encontrar e criar laços com espécies fora do Planeta Azul. Essa espécie começou, através de um tipo de “contaminação energética”, a transformar os humanos, tornando-os corpos da espécie invasora… uma ótima e quase inocente mistura de Vampiros de Almas com Eles Vivem.

O começo da narrativa é bastante intrigante. Já estão na sala de reuniões do Santuário Secreto os pontuais Superman, Batman, Gavião Negro, Lanterna Verde e Flash, apenas esperando os outros colegas para iniciarem os trabalhos do dia. Eis que surge uma parede temporal na entrada da caverna onde está o Santuário, impedindo que os outros heróis (e Snapper) entrassem. Com um bom corte temporal para minutos antes, vemos o que estava acontecendo lá dentro da sala, com a apresentação do vilão (que não é um vilão), e a explicação não tão boa — mas não exatamente risível — do por quê os humanos do futuro precisam da energia dos heróis da Liga para carregar um equipamento de cura. Digamos que esta é a versão boa de O Caso dos Super-Poderes Proibidos, trazendo as necessárias mudanças para tornar a batalha entre vilão e heróis um ponto aceitável na história, assim como a motivação para o ataque.

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O interessante é que não temos apenas o caso dos humanos modificados ou do restante da Liga, transformada em criaturas verdes, dominada mental e fisicamente pela mesma energia que atacou os nossos descendentes de um futuro distante. No caminho estelar de volta à Terra — caminho no Sistema Solar aberto em A Hora Final, na luta contra o Lord of Time — os heróis encontram uma das manifestações do mesmo invasor que esperavam em 1965, mas neste tempo e espaço, em forma de uma gosma rosa, cuja coloração interage perfeitamente com a variação dos uniformes e o ambiente retratado. Chamado de “Endless One”, essa manifestação dá um enorme trabalho para a Liga, já que seu tamanho sem fim e resistência são fortalecidos pelo fato de operar além do tempo.

É preciso um truque engenhoso, levado a cabo pelo Batman e pelo Lanterna Verde, para que o tempo entre em paradoxo no lugar e eles acabem se libertando e terminem a aventura com um fechamento de ciclo. Salvo as bobagens nas explicações (sempre elas!), esta aventura garante uma leitura divertida e mais uma reflexão sobre o tipo de vilão supera expectativas, não sendo o que parece à primeira vista.

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LJA #34: Os Sonhos Mortais do Doutor Destino

The Deadly Dreams of Doctor Destiny! — (Março de 1965)

Já fazia algum tempo que Snapper Carr não se metia a “importantão” e se colocava em um pedestal, exigindo alguma coisa da Liga da Justiça (quem é ele na fila do pão, não é mesmo?). Mas como boa parte das coisas desagradáveis da vida, essa postura do rapaz voltou, e ele é novamente destacado no meio e final da história, com os heróis dando satisfação do que fizeram ou não fizeram e com o próprio Snapper, eu seu dialeto ainda mais rançoso que ele próprio, pedindo para que o quinteto ativo nesta aventura narre o que acabaram de viver ao lado do Doutor Destino (John Dee), que volta a atormentar a Liga depois dos encontros em A Gravidade DescontroladaSuperexilados da Terra!.

Desta vez, porém, o vilão realmente demonstra o alcance de seu fantástico poder, que é criar coisas atrás dos sonhos. Mesmo na prisão, sem nenhum artefato ou acesso a alguma máquina, ele consegue sugerir pesadelos para os heróis (Batman e Gavião Negro lutam contra Chac e o Coringa; Mulher-Maravilha e Eléktron luta contra conchas do mar gigantescas e Superman luta contra uma estátua enorme, na Itália), consegue materializar coisas no Santuário Secreto e ainda atrair o quinteto para o campo de batalha, inicialmente repetindo, mas depois, usando alguns truques sujos para fazer com que as coisas estivesse a seu favor.

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O trabalho de cores, especialmente no final da revista, merece destaque, e também o fato de que a presença do Gavião Negro nas edições dá uma sensação grandiosa para as histórias. As asas, a máscara, a postura e as armas, que tornam o personagem imponente têm seu papel também no embelezamento dos quadros, exigindo bastante dos artistas na representação dos movimentos, forçando a diagramação das edições ser mais dinâmica.

A última sequência de lutas funciona mais organicamente, quase como uma revanche por parte da Liga, que fica intrigada com o fato de Dee estar na prisão e ter a palavra dos policiais de que não saiu da cela. A atitude dos heróis nesse momento pode ser contestável, mas pelo menos a verdade foi descoberta e os artefatos oníricos criados pelo Doutor Destino (nenhum deles é realmente interessante, como também não chama muito a atenção a mistura de poderes e fraquezas entre os heróis presentes ou o restante ausente da Liga) somem de cena. Pena que temos que voltar para Snapper, no Santuário Secreto, em dúvida sobre como anotar a trama toda. Nossa vontade a este ponto da história é que ele escreva algo como “adeus, mundo cruel” e então pule em um poço de esquecimento. Infelizmente, isso não acontece.

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LJA #35: Batalha Contra os Uniformes Vazios

Battle Against the Mindless Uniforms — (Maio de 1965)

O retorno de antigos vilões é, ao mesmo, tempo uma bênção e uma maldição para os quadrinhos. Bênção, porque em alguns casos o vilão é um excelente personagem e é sempre bom imaginar como eles se safariam em novas batalhas contra os heróis. Sem contar que o retorno bem estruturado desses antagonistas pode dar detalhes sobre o passado deles (não importando se é mentira ou verdade, como no caso do Coringa) e criar um grande inimigo para os heróis, possibilitando diversos tipos de exploração narrativa com o passar do tempo. Já a maldição entra na descrença que temos das escapadas e planos malucos desses mesmos vilões em sair de suas super-prisões. E é justamente este ponto que faz com que o Trio Demoníaco (Abnegazar, Rath e Gast), lá de Os Dedos Fantásticos de Félix Fausto, não tenham a melhor “segunda chance de vencer a Liga” nesta história.

Como o título aponta, os heróis precisam lutar contra os seus uniformes vazios, algo difícil e que deixa o leitor pensando como é que conseguirão resolver este problema. Em pouco tempo, entendemos que os demônios é quem davam vida aos uniformes, e que eles têm um plano intricado para que os heróis os libertem. Até este ponto, o roteiro não apresenta grandes obstáculos de compreensão e aceitação do que acontece. O problema vem quando o Trio Demoníaco não consegue o que queria e põe em prática um bizarro “Plano B”, envolvendo Flautista, Máscara (Nina Close, em sua primeira aparição nos quadrinhos), Mariposa Assassina, Dagon e Doutor Polaris (Neal Emerson). E então, o que poderia ser uma aventura interessante e com duas vertentes vilanescas em cena, se torna uma sequência de ações um tanto sem sentido. Sem contar que a impressão que o leitor tem é que no início do Capítulo 2, Barry e Hal estão sem a máscara — ressaltando que nesta cena estão todos com os uniformes esfarrapados, parcialmente destruídos.

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Novamente, a trama é salva, em maior parte, pelos desenhos. Os quadros de luta chamam a atenção e a diagramação, como temos observado desde o ano anterior da histórias da Liga, tem se tornado cada vez mais ousada, valorizando muito mais a movimentação dos heróis e colocando os textos para as bordas dos quadros, dando espaço necessário para as ações. É certo que existem alguns bons momentos textuais nesta revista, mas eles são estragados por explicações despropositadas, por um “plano B” ruim e um encerramento que só seria realmente bom se o desenvolvimento tivesse tomado o caminho da objetividade na criação da ameaça e na batalha contra ela. E como o que não está bom ainda pode piorar, o encerramento dá atenção a Snapper Carr (salve-nos, ó, Senhor!), que faz mais uma de suas observações desnecessárias (ele parece aquelas pessoas que mostram fotos para os outros e vai falando coisas que qualquer um pode ver: “este aqui sou eu cortando os dedos do Snapper / este aqui sou eu queimando os dedos de Snapper na fogueira / este aqui sou eu transformando Snapper em pó…”). Algo desse nível.

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LJA #36: O Caso da Incapacitada Liga da Justiça

The Case of the Disabled Justice League! — (Junho de 1965)

Baseado em Um Lugar no Mundo, uma história da Sociedade da Justiça publicada na All Star Comics #27 (dezembro de 1946) — inclusive referenciada pelo Flash em algum momento –, esta aventura da Liga só é realmente boa em um aspecto: a intenção. Com a intenção de animar as crianças com algum tipo de debilidade física e visitadas por eles em um hospital, Superman, Gavião Negro, Arqueiro Verde, Flash e Lanterna Verde têm a “genial” ideia de criar uma “batalha de mentirinha“, usando os poderes do anel de Oa para transformar o Batman em um monstro a ser combatido (sim o mesmo bicho horrível que ilustra a capa da revista).

Ocorre que quando começam a lutar, os heróis percebem que desenvolveram uma série de inabilidades, montando então uma força-tarefa com o Superman cego, Flash com as pernas grudadas, Arqueiro  Verde sem os braços, Lanterna Verde gago (mental e fisicamente, o que o impede de usar sua força de vontade para gerar cosias com o anel — sim, é isso mesmo que você leu) e Gavião Negro com problemas de respiração. Mais uma vez, notem a boa intenção. A mensagem e as inabilidades físicas de muitas pessoas aqui representadas tem sim um grande impacto… sentimental. Mas isso não adianta muito se a história não é bem construída. E só para falar que não há nada imediatamente interessante nessa saga, é bom ver o Brain Storm de volta, agora com o irmão criminoso que ele tira da cadeia. Pelo menos fecha bem o primeiro ciclo do vilão.

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Mas mesmo sendo bom ver o “Tempestade Cerebral” de novo em cena, as coisas que ele utiliza para dominar a Liga, a relação com o irmão que não tem real espaço no enredo mas, de repente, é tratado como foco central; a inserção do segundo time de heróis (Aquaman, Caçador de Marte, Eléktron, Mulher-Maravilha) para ajudar o primeiro, em um embate estúpido contra Axel Storm… cada uma dessas novas etapas do roteiro encontra um empecilho de desenvolvimento, tirando o nosso ânimo em relação à trama.

O final da história é um ponto à parte, com a exposição em pompa e circunstância de um documento da Liga, dando conta de quando o time precisou agir com dificuldades físicas e cada um rompeu seus obstáculos sem precisar da ajuda do outro (é meio estranho isso, porque eles eram um time… e mesmo que a lição seja a de “você pode, se tentar!“, a insistência no isolamento não foi legal, a meu ver, pois descaraterizou a equipe). Além da descrição e da mensagem de ânimo para as crianças com dificuldade de lidar com suas limitações, temos o apontamento um tanto forçado — ou melhor, sem o contexto necessário — de grandes personalidades da História da humanidade que tinham algum tipo de debilitação e ainda assim conseguiram se destacar. Nada disso, porém, salva a revista, embora a mensagem seja realmente muito boa.

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LJA #37 e 38: Uma Terra Sem Liga da Justiça / Crise na Terra-A

Earth — Without a Justice League! / Crisis on Earth-A! — (Ago – Set de 1965)

Uma das coisas mais estranhas, quando a gente está lendo uma história em quadrinhos cheia de pontos ruins, é que tem momentos que o roteiro parece dar uma acordada para a realidade e mostrar diálogos e bons caminhos para os personagens ou mesmo para os vilões. Nas histórias da Liga da Justiça, isso é bastante comum. Neste pequeno arco envolvendo o grupo na Terra-1 com a equipe da Terra-2 (a Sociedade da Justiça), essa situação narrativa fica ainda mais evidente. A trama chega a um ponto de ser imensamente confusa, mas dentro da lógica bizarra do enredo, as coisas se ajustam com a ordem final do Johnny Thunder da Terra-1 (ou, aqui, por um período de tempo, Terra-A) e não tem como não olhar a história com bons olhos, quando ela termina.

A saga começa com o Joãozinho Trovoada da Terra-2 choramingando porque “demorou muito tempo para a SJA chamá-lo para outra missão“. A relação desse Joãozinho com o Relâmpago não tem sido boa nos últimos tempos e fica claro que o coitado do Raio Rosa está parado, enferrujado, entediado. A conversa entre os dois personagens acaba levando o ingênuo Trovoada a matar a curiosidade sobre como seria a sua versão da Terra-1. E aí é que a trama realmente começa, porque a “nossa” versão do personagem é um bandido covarde e disposto a fazer de tudo para livrar a própria pele.

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A primeira parte da aventura se dá de uma maneira bastante estranha, mas bem humorada. É interessante ver Relâmpago tirando sarro da versão pouco inteligente de seu Mestre da Terra-1, ao mesmo tempo que é interessante ver como esse bandido se dá conta do que o Raio Mágico pode fazer. Em poucas páginas ele já está utilizando a manifestação para roubar bancos, um cenário que encontra o seu primeiro empecilho quando o Flash entra em cena e o bandido entende que a Liga estará em seu encalço. Esta é a parte que eu disse que coisas ruins se misturam a cosias boas. Neste ponto do roteiro, existem diálogos imensamente estúpidos e justificativas mais estúpidas ainda para que os crimes sejam cometidos. Chega a ser irritante a forma como a Liga é “apagada da História” e como a tal Terra-A, de repente, surge no Multiverso da DC. O curioso é que não estamos falando de “outra Terra”, é só uma nomenclatura temporária para confundir os leitores mesmo. Não dá para defender esse tipo de escolha a longo prazo.

O problema é que a história vai engajando o leitor à medida que a Sociedade da Justiça encara diversas frentes de batalha e o Trovoada da Terra-A vai dando uma ordem estranha atrás da outra, criado as suas próprias equipes de super-vilões. Vemos surgir a Lawless League e os seres bizarros criados na Lua (sim, na Lua!) pelo bandido, como Medusa Man, o Absorbo Man e o Repello Man. Notem que o roteiro nem se preocupa muito em dar algum senso de realidade para a coisa toda — o pior momento é quando o bandido resolve criar sua própria Liga… a questão é: como ele conseguiu, só mandando Relâmpago viajar no tempo, criar um Superman? Um Caçador de Marte? –, mas as batalhas são tão interessantes que nos vemos aceitando e até gostando da maioria das coisas a médio e longo prazo.

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É evidente que a arte e as explicações a posteriori dadas pelo roteiro mudam a nossa opinião a respeito dessa dupla de histórias. Eu realmente não esperava que os eventos finais na Lua fossem ter algum tipo de fim interessante, mas o espetáculo todo fez sentido, de uma maneira clichê, claro, mas ainda assim, um bom sentido. Vale dar o destaque total para os desenhos das batalhas, com separação de cada herói em um conjunto de movimentos e técnicas, diante dos vilões, padrão individual que em cada enfrentamento se une ao esperado “trabalho de equipe”. De tanta loucura, a história acabou dando mais certo do que o esperado.
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Sobre a Edição #39

A edição #39 deste título, com data de capa de novembro de 1965, não foi uma história inédita e sim um compilado de três aventuras anteriores da Liga, a saber, Brave and the Bold #28Brave and the Bold #30 e Justice League of America #5. A próxima história inédita da equipe viria na edição #40, intitulada Criaturas Indestrutíveis da Ilha dos Pesadelos.

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LJA #40: Criaturas Indestrutíveis da Ilha dos Pesadelos

Indestructible Creatures of Nightmare Island! — (Novembro de 1965)

Existe um tipo de mistério, tentativa de mudar o mundo e redenção nessa história que, mesmo diante de todos os problemas no roteiro de Gardner Fox — quando justifica o uso de alguns “poderes” e do “lado científico” da máquina criada por Andrew Helm –, mantém o leitor interessado no que está acontecendo, especialmente porque o grande problema que o texto nos traz não é um daqueles planos malignos, feitos por um cientista louco. Longe disso. A ideia da Corti-Concious Machine era, antes de tudo, benéfica, a fim de trazer algo bom para o planeta, acabando com a criminalidade, a segregação e toda forma de violência. A questão — e é isso que torna este Criaturas Indestrutíveis da Ilha dos Pesadelos interessante — é o dilema moral que a tal máquina gera.

Começamos na porção tibetana do Himalaia, onde o pequeno Andrew Helm, em expedição com os pais e um grupo de guias, é atacado por bandidos chefiados por Chung Ka, que mata os pais do garoto. Helm é resgatado pelos monges da mística cidade dourada de Ta Ming, que de relance, chama a atenção de Chung Ka, prometendo, aos berros, voltar para atacar o lugar. Anos se passam e Helm se torna um homem, aprendendo com os monges diversos conhecimentos esotéricos. Até este ponto, há pouca coisa incômoda no texto. O real problema vem quando Chung Ka, depois de tantos anos, volta para a cidade mística e… bem… consegue o que queria da maneira mais absurda possível. Nem por um segundo dá para engolir (mais) esta loucura narrativa de Fox.

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A sequência da trama, no entanto, se estrutura sem grande arroubos nonsenses. Helm escapa do ataque, passa os anos pesquisando uma máquina capaz de mudar as ondas cerebrais dos indivíduos, fazendo com que eles deixem todo pensamento ruim de lado. Notem que não há, em essência, um plano maligno em jogo. Mas a moralidade de alterar a mentalidade das pessoas é sim um problema, mesmo que isto, se desse certo, fosse tornar o mundo um lugar melhor. O que eu acho interessante aqui é a forma como Fox coloca em discussão os problemas raciais, de fome e miséria, de violência urbana e as lutas de grandes proporções. Quando a Liga da Justiça entra em jogo, essa discussão alcança um bom patamar, embora a gente fique querendo uma posição mais firme do grupo em relação aos mesmos problemas… Volta em cena e fica sem resposta aquela crítica sobre eficiência que sempre se faz quando olhamos a fundo a ação dos super-heróis através da História e cobramos deles a resolução de grandes problemas de nosso mundo.

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LJA #41: Chave – O Mestre do Mundo

The Key-Master of the World! — (Dezembro de 1965)

A primeira coisa que o leitor deve ter aqui é a boa vontade para aceitar a impossível explicação de COMO O Chave, vilão da trama, faz para manipular as ações ou a mentalidade de outras pessoas apenas girando… bem… “chaves especiais”. Não faz sentido. Ele coloca algo na água ou no leite das pessoas que quer “intoxicar”. A partir do momento que ingere o líquido, a pessoa está sujeita às influências mentais causadas pelo giro de uma chave em uma máquina cheia de fechaduras? Não, não, não. Não faz sentido e é muito ruim ver essa “explicação” estúpida em uma história que, tirando o funcionamento do objeto principal do vilão, é bastante divertida.

Apesar de termos aqui a primeira aparição d’O Chave nos quadrinhos, não temos detalhes sobre a sua origem e nem o trajeto ou motivações que o levaram para esse estágio. Acontece que ele já está no mundo do crime e o momento mais antigo que temos dele é quando começa a neutralizar a Liga da Justiça pelo elo mais fraco, ou seja, Snapper Carr (tinha que ser!), que O Chave usa para contaminar os membros da Liga e encerrar as suas atividades, assim como dar fim ao Santuário Secreto. Por trazer informações com esse peso e sem didatismo, o roteiro consegue nos manter interessados em tudo, e mesmo quando aparece a maneira como o vilão usa seus poderes, a gente consegue ignorar todo o absurdo porque o enredo no qual essa estupidez está inserida é interessante, assim como as lutas contra diversos criminosos e os roubos feitos pela gangue do vilão.

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A manufatura de “chaves vivas” para avançar contra todas as fraquezas dos membros da Liga, na reta final, também é algo questionável, porque não se explica COMO O Chave conseguiu essas informações, mas, mesmo assim, temos uma batalha muito bem desenhada e com diálogos estruturados na medida certa para a ocasião, o que não torna a narrativa cansativa e nem faz com que os heróis precisem assumir planos mais malucos ainda para terminarem a ameaça. Na verdade, o encerramento aqui é muito inteligente, com um cliffhanger que sugere a volta do Chave em breve, pois embora sua memória tenha sido apagada (será que foi mesmo?), ele afirma, apenas para nós, que fez o seu “truque mais ousado”, seja lá o que isso quer dizer. Mais um “vilão de retorno” para a Liga aparece nas HQs.

Justice League of America Vol.1 #33 – 41 (EUA, 1965)
Editora: DC Comics
Roteiro: Gardner Fox
Arte: Mike Sekowsky
Arte-final: Bernard Sachs, Murphy Anderson
Letras: Joe Letterese, Gaspar Saladino
Capas: Mike Sekowsky, Murphy Anderson
Editoria: Julius Schwartz
24 a 26 páginas (cada edição)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.