Crítica | Liga da Justiça: Estado de Terror e Invasão (Renascimento)

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Tendo a mesma qualidade geral que o arco de estreia da equipe no Universo DC: Renascimento, a dupla de histórias Estado de Terror e Invasão segue os passos lógicos de consequências da última luta, conta a Estirpe. O roteiro de Bryan Hitch estabelece o necessário para a continuação dos embates da Liga da Justiça nesse mundo cada vez mais megalomaníaco, fazendo com que primeiro enfrentem uma entidade que os mergulha em desespero e depois, um programa de computador utilizado de forma errada, afetando primeiro Cyborg e Lanterna Verde (Simon) e causando estragos maiores à medida que o tempo passa.

Nessas duas experiências distintas de hackear pessoas e máquinas (já podemos mudar o nome da revista para Mr. Robot da DC?) permanece o problema de falta de integração da equipe, embora já se veja uma leve melhora em relação a Máquinas da Extinção no que se refere a coerência narrativa para o mundo externo, o cenário, o espaço geográfico (esta Terra do DC Rebirth) onde as coisas acontecem. Como apontei antes, existem consequências imediatadas da luta contra The Kindred e isso é bom, porque deve aproximar o leitor desse Universo e de alguma forma ajudar a intensificar os laços entre os personagens, algo que essa revista precisa desesperadamente.

Quando falamos de uma aventura da Liga da Justiça (ou de qualquer grupo de heróis nos quadrinhos, mesmo os grupos que não são grupos, como Os Defensores), uma das primeiras coisas que vêm à cabeça é a “união para fazer a força”. Mas mais do que isso. Desde o primeiríssimo grupo de heróis da História da Nona Arte, a Sociedade da Justiça da América, a relação familiar entre os personagens e até a dualidade de “morde e assopra” no tratamento de uns para com os outros se destacam em meio às batalhas, quaisquer que sejam. Notem que ao longo de toda a trajetória das séries principais da Liga, mesmo no início, um tom de comunidade heroica podia ser visto entre eles. De Starro, o Conquistador à meio chocha Origem (Novos 52) tivemos essa colocação no roteiro. Na Liga Renascimento, porém, a sensação é que os heróis são apenas colegas de trabalho que não vêm a hora de o expediente acabar para irem embora para casa. São só negócios.

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Você já rodou o seu antivírus hoje?

Evidente que há quem goste deste distanciamento, mas mesmo esses leitores, se não estiverem sob qualquer tipo de dominação maligna, concordarão que é apenas um motor narrativo e não a essência desses grupos de supers. E é justamente o que incomoda aqui, o fato de o autor tornar a Liga um grupo de workaholics sem química entre eles. Mesmo quando o roteiro parece que vai ceder e caminhar para uma aproximação muito boa de romance (toda indicação de romance em quadrinhos que não seja absurdamente trágica, à la novela mexicana, ou que não seja melosa demais, já é muito boa) entre Barry e Jessica, a entidade do medo domina a garota e o jantar desajeitado e narrativamente muito bom é interrompido, dando lugar a mais uma batalha. Como se não tivesse havido batalhas demais em apenas 11 edições do título.

No segundo arco, Invasão, o enredo apresenta uma série de pequenas melhoras. Não a ponto de elevar a qualidade da trama, que ainda é comprometida pelo foco central em batalha-batalha-batalha, mas é boa a inserção de um fator humano e a relação familiar que se envolve no mal uso da tecnologia Genie (a família Palmer promete…) dando maior profundidade à história. O problema do vírus, na verdade, começa de maneira interessante, mas Hitch parece dominado por um espírito de grandeza onde nada pode ser satisfatoriamente desenvolvido sem uma explosão, sem grandes arroubos de luz, chamas e destroços através da arte (que aliás é excelente, especialmente nas edições #10 e 11, com destaque para os quadros de conjunto), muitas vezes até diminuindo o impacto que ação do vilão teria se a narrativa seguisse por outro caminho.

Entre um ponto “épico” e outro é que estão as coisas realmente boas dessa versão da Liga. Na normalidade, na convivência. Mas já começa a ficar difícil engolir clímax atrás de clímax. Alguém precisa apresentar a Bryan Hitch o sábio ditado popular de que às vezes menos é mais. Esse tsunami de brigas que ele força em seus roteiros só serve mesmo para nos fazer rolar os olhos.

Liga da Justiça: Estado de Terror e Invasão (Justice League #6 – 7: State of Fear / #8 – 11: Outbreak) — EUA, 2016 – 2017
No Brasil: Liga da Justiça: Renascimento (Encadernados #4 a 6, Panini, 2017)
Roteiro: Bryan Hitch
Arte: Matthew Clark (#6), Tom Derenick (#6), Jesús Merino (#7), Neil Edwards (#8 a 11)
Arte-final: Sean Parsons (#6), Trevor Scott (#6), Andy Owens (#7), Daniel Henriques (#8 a 11)
Cores: Adriano Lucas (#6, 7, 11), Tony Aviña (#8 a 10)
Letras: Richard Starkings, Comicraft
Capas: Tony S. Daniel, Tomeu Morey, Sandu Florea, Fernando Pasarin, Matt Ryan, Brad Anderson, Scot Eaton, Wayne Faucher
Editoria: Brian Cunningham, Amedeo Turturro, Diego Lopez
144 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.