Crítica | Liga da Justiça: Guerra

Os longa-metragens animados da DC Comics podem ser divididos em antes e depois de Liga da Justiça: Guerra. Tal obra redefiniu o foco da editora quando se trata de suas animações lançadas direto para vídeo, funcionando como marco inicial de um novo universo compartilhado, com uma série de filmes baseados em histórias dos Novos 52. Esse primeiro adapta, portanto, o primeiro arco da Liga dessa fase dos quadrinhos, Origem, mantendo-se, em geral, bastante fiel, com algumas notáveis e pontuais alterações, que, de fato, não mudam o rumo da história em nada – como a troca do Aquaman por Shazam.

O problema de adaptar justamente essa história de surgimento da Liga é que ela não fora feita pensando especialmente em novos leitores, já mostrando os heróis mais ou menos estabelecidos, não oferecendo qualquer olhar sobre seu passado – ironicamente, o único que menciona sua motivação é Batman, cuja história todos que não vivam em uma caverna já conhecem. Para o leigo, portanto, iniciar a jornada pelo universo dos super-heróis através desse longa, será uma tarefa complicada, visto que se faz necessário conhecimento prévio sobre a origem de todos os super-heróis dali, além, é claro, dos poderes de cada um – no caso do Batman, Flash, Mulher-Maravilha e Superman, a maioria já saberá mais ou menos, mas quando se trata dos outros três integrantes mostrados nesse filme, o cenário pode ser diferente.

Outro aspecto que não faz essa história ser a ideal para um recomeço de universo, é que basicamente não há sequer um pingo de profundidade no enredo, que basicamente se resume a uma invasão alienígena genérica, com direito a vilão super-poderoso. A ameaça de Darkseid, ao menos, é bem estabelecida, já que, desde cedo, testemunhamos a extensão de suas habilidades. Por outro lado, ironicamente, enquanto peca pela exagerada simplicidade, o roteiro de Heath Corson insere as caixas maternas em sua trama, sem sequer explicar exatamente o que elas fazem, ou como funcionam, deixando qualquer um sem o conhecimento prévio sobre tais elementos completamente perdido.

Nenhuma surpresa, pois, constatar que Guerra pode ser resumido como uma sucessão de batalhas, muitas sem qualquer peso dramático, visto que as legiões de Darkseid continuam aparecendo, independente de quantos inimigos os membros da Liga derrubem. Felizmente, a animação funciona de maneira bastante fluida nas sequências de ação e Jay Oliva, na direção, em geral, permite que acompanhemos tais lutas sem nos perder, salvo em uma ocasião ou outra, que peca por enquadramentos muito fechados. Dito isso, se tudo o que você espera é uma boa dose de pancadaria por parte dos heróis, então esse será um prato cheio.

Mesmo assim, fica difícil, até para o espectador menos exigente, deixar de lado o traço assombroso desse desenho. Claramente digital tudo parece poligonal nesse desenho, como se as linhas efetivamente tivessem sido encaixadas umas nas outras, quebrando qualquer organicidade do traço. Chega ao ponto que, em determinados momentos, percebemos os personagens como um amontoado de camadas digitais, dando certo ar de ridículo para a animação. Não ajuda, também, o fato da movimentação desses indivíduos parecer extremamente travada nas sequências sem ação, evidenciando a animação parcial empregada, de maneira desconfortável ao olhar.

Dessa forma, Liga da Justiça: Guerra configura-se como entretenimento barato. Sem qualquer profundidade com traço genérico, pouco inspirado, esse desenho exige muito conhecimento prévio do espectador sem, de fato, acrescentar em nada. Trata-se da básica luta do bem contra o mal, representada através de uma invasão alienígena para lá de genérica, que proporciona algumas boas sequências de ação, mas, como um todo, acaba sendo completamente esquecível. Um primeiro passo na direção errada para esse novo universo das animações da DC Comics.

Liga da Justiça: Guerra (Justice League: War) — EUA, 2014
Direção:
 Jay Oliva
Roteiro: Heath Corson
Elenco (vozes originais): Sean Astin, Zach Callison, Christopher Gorham, Justin Kirk, Michelle Monaghan, Shemar Moore, Jason O’Mara, Alan Tudyk, Steve Blum, Dee Bradley Baker
Duração: 79 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.