Crítica | Liga da Justiça – O Trono de Atlântida

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estrelas 2,5

A DC Comics nos presenteou com uma de suas mais sólidas animações no ano passado. Liga da Justiça – Guerra conseguiu colocar em prática, com uma maestria invejavel, a proposta de construir um renascimento da Liga da Justiça. O filme não só foi um sucesso de crítica, como também serviu como impulsão para o universo que a DC pretende desenvolver no cinema. O anúncio de uma continuação no ano seguinte foi uma óbvia consequência.

Dessa vez, a proposta é um tanto diferente. Os eventos que ganham espaço no novo longa animado da franquia são organizados de modo a construir a apresentação de um novo membro ao grupo recém formado. Somos introduzidos, dessa forma, ao universo de Arthur Curry, o Aquaman. Ainda marcado pela perda de seu pai, o rapaz leva uma vida solitária e tende a suprimir a tristeza com álcool. A vida de Arthur toma um novo rumo com a chegada de Mera, uma jovem que traria revelações sobre o seu passado e sua herança ao trono do reino de Atlântida.

 Paralelamente, acompanhamos os primeiros desafios de uma Liga da Justiça ainda em fase de experimentação e descobertas. O grupo deve somar à constante patrulha, os esforços do trabalho em equipe. Se cada membro costumava desempenhar suas funções sob um código de moral e conduta específico, saber lidar com os limites impostos entre a coletivo e a individualidade não é uma tarefa simples.

As histórias se cruzam no momento em que os dois mundos entram em conflito. Com a morte da rainha de Atlântida, o reino passa a atender os comandos de seu filho Orm, que convoca as forças do oceano contra a raça humana. Cabe à Liga da Justiça defender a humanidade e ao Aquaman mediar esse conflito de gigantes.

Apesar de ser construído com traços extremamente bem feitos e uma arte gráfica impecável, nota-se uma discrepância entre o roteiro a qualidade técnica. O filme foi construído com uma finalidade bastante específica, apresentar o Aquaman e justificar sua adesão ao grupo. No entanto, é indiscutível a sensação de que há algo faltando no enredo. A questão é que o roteiro é frágil e não consegue se sustentar sozinho e não apresenta grandes novidades em relação a histórias mais clássicas dos quadrinhos e a adaptações anteriores.

Liga da Justiça – Guerra carecia de uma continuação à altura, bem como Aquaman merecia uma apresentação mais digna e, por assim ser, mais inovadora. A premissa de uma recriação do seu grupo de heróis mais forte era mais do que suficiente para dar à DC autonomia de criação e utilização de novas perspectivas. Infelizmente, em Trono de Atlântida, observamos essa oportunidade cair literalmente por água abaixo.

Liga da Justiça – O Trono de Atlântida (Justice League – Throne of Atlantis, EUA, 2015)
Direção: Ethan Spaulding.
Roteiro: Heath Corson.
Elenco (vozes):
Matt Lanter, Christopher Gorham, Shumalee Montano, Shemar Moore, Jason O’mara, Jerry O’Connell, Sam Witwer, Nathan Fillion, Rosario Dawson, Sean Astin.
Duração: 72 min.

FILIPE MONTEIRO . . . O exército vermelho no War, os indianos em Age of Empires, Lannister de Rochedo Casterly. Entrou em órbita terrestre antes que a Estrela da Morte fosse destruída, passou pela Alameda dos Anjos, pernoitou em Azkaban, ajudou a combater o crime em Gotham e andam dizendo por aí que construiu Woodburry. Em uma realidade alternativa, é graduando em Jornalismo, estuda Narrativas e Cultura Popular, gosta de cerveja e tempera coentro com comida.