Crítica | Liga da Justiça: Origem (Novos 52)

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Publicadas entre 2011 e 2012, a seis primeiras edições da Liga da Justiça nos Novos 52 formaram o arco Origem, que como o nome diz, reúne pela primeira vez os “Super Sete” que iriam compor, ao menos no início, a famosa equipe nessa Era de falsa realidade. Com roteiro de Geoff Johns, a história tem o típico sabor de início de retcon e não há exatamente grandes coisas a se destacar em relação à trama, pois tudo o que vemos já é parte parte do conhecimento geral de qualquer leitor da Liga da Justiça. Além disso a própria estrutura do roteiro, os diálogos entre personagens e a colocação de Darkseid logo para primeiro vilão são coisas que nos fazem questionar as decisões do então diretor executivo da casa (Eddie Berganza) e o que estavam pensando para a Liga neste novo mundo.

Notem que eu não estou classificando a história como ruim. Mas não há nela nenhum elemento impressionanate de roteiro. A trama se estabiliza no “ok” e é demasiadamente fincada em grandiosidades textuais. Se inicialmente ela até consegue nos arrancar um sorriso por uma piadinha ou outra, aos poucos, muita coisa se perde nas tiradas sem graça, na personalidade insuportável do Lanterna Verde (Hal Jordan, o personagem mais descaraterizado da saga — e antes que digam que “o Hal é assiim mesmo, ele se acha“, é óbvio que o ego do Sr. Jordan na Liga não me escapa, isso é perceptível desde Starro, o Conquistador, mas há formas e formas de representar um personagem narcísico e a que está neste arco não é uma delas) e na reafirmação desnecessária da bravura da Mulher-Maravilha.

Como se sabe, essas histórias iniciais acontecem 5 anos “no passado”, ainda na primeira fase de heroísmo de todos os envolvidos na farra dos Novos 52. Nos primeiros três números vemos apresentações progressivas dos membros que formariam a Liga e principalmente de Victor Stone, um atleta do Ensino Médio que é pego em uma explosão no S.T.A.R. Labs, em pleno ataque de Parademônios, e acaba sendo tratado pelo pai, que substitui partes do corpo do garoto por componentes cibernéticos, itens de uma pesquisa para soldados que voltam do campo de batalha com algum tipo de deficiência. Este é o único momento onde há desenvolvimento real de personagem na história, ao menos no quesito de “justificativa de interação” ou luta, que é apenas o que a gente precisa aqui.

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Birras e desorganização demais para ser uma história de verdade da Liga.

A arte de Jim Lee, finalização de Scott Williams e cores de Alex Sinclair são os únicos atrativos que permanecem em qualidade por toda a obra. Infelizmente o roteiro colocou diversas cenas de explosão, o que pode dar à arte uma aparência viciada, especialmente pelo caráter da explosão, advinda da chegada de Darkseid para procurar sua filhinha e da breve ida do Batman para Apokolips, via tubo de explosão. Mas apesar dos exageros no encadeamento, temos um ótimo projeto artístico, com uso frequente de grandes quadros e soberbas páginas duplas. Ao menos aqui nos deparamos com a oportunidade de acompanhar partes do relacionamento entre os personagens, coisa que o roteiro não entrega por completo. Os primeiros-planos, especialmente no rosto Lanterna Verde e do Flash (o mais simpático e bem escrito personagem de todos aqui) nos dão uma visão emocional a mais e necessárias desses heróis.

Enquanto apresentação e primeiro encontro entre super-poderosos Origem serve ao seu propósito. Não há glórias e aleluias para o roteiro de Geoff Johns, mas ele faz a introdução necessária, pelo menos. O problema é que a mania de grandeza, a introdução de Darkseid em uma trama em continuidade e o tratamento que o autor dá aos personagens (Laterna cheio de gracinhas que já na página cinco são insuportáveis) mais uma birra sem nenhum sentido entre eles, no final, acabam diminuindo consideravelmente a diversão durante a leitura. Não é necessariamente algo desprezível, mas tampouco inesquecível. Na dúvida, fique com a Liga cômica.

Liga da Justiça: Origem e A Jornada do Vilão (Justice League Vol.2 #1 – 6: Origin) — EUA, 2011 – 2012
No Brasil:
Liga da Justiça – Origem (Encadernado da Panini contendo as 12 edições).
Roteiro: Geoff Johns
Arte: Jim Lee
Arte-final: Scott Williams
Cores: Alex Sinclair
Letras: Pat Brosseau
Capas: Jim Lee, Scott Williams, Alex Sinclair
Editoria: Eddie Berganza, Rex Ogle, Brian Cunningham
144 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.