Crítica | Liga da Justiça (Trilha Sonora Original)

A substancial mudança de tom nos recentes filmes da DC Comics afetou não somente sua composição visual e roteiro, como a trilha sonora, algo que pode ser enxergado claramente pela escolha de compositor para realizar a trilha de Liga da Justiça. Hans Zimmer e seu pupilo, Junkie XL, respectivamente, cuidaram da música em O Homem de AçoBatman vs. Superman – com estilos muito similares, ambos criaram a identidade sonora do Universo Estendido DC (nome não-oficial, segundo recentes e surpreendentes declarações), portanto, contemplar ninguém menos que Danny Elfman como responsável pelas melodias do longa sobre o super-grupo soa um tanto quanto estranho, considerando que seu estilo é completamente diferente daqueles que o precederam.

Por mais que Elfman conte com algumas composições de destaque, como O Estranho Mundo de JackBatman (de Tim Burton), dificilmente seu trabalho me chama a atenção – considero-o um compositor de uma nota só, com poucas músicas verdadeiramente expressivas podendo ser resgatadas de algumas pontuais trilhas. É preciso notar, claro, como Elfman apresenta um trabalho mais “animado”, condizente com o gênero super-heroístico menos sombrio, o que, de fato, se encaixa com as pretensões da Warner em aliviar a atmosfera desse universo cinematográfico.

Dito isso, vem como grande surpresa que a primeira faixa do álbum da trilha sonora original de Liga da Justiça seja Everybody Knows, da cantora Sigrid. Já próximo ao fim do álbum, podemos escutar a versão de Gary Clark Jr. de Come Together, mostrando o quão diferente é o resultado final do filme, se utilizarmos a faixa introdutória de Sigrid como comparação. É criada a impressão de que tal introdução é mero resquício da visão de Zack Snyder para o filme, já que o restante das músicas (e do filme em si) não assume um tom tão melancólico, algo que pode ser observado com clareza em Hero’s Theme, que chega a fazer uso do coro de vozes, acompanhado das cordas, para a transmitir um ar de grandiosidade, condizente com o que é mostrado no filme. Curioso, porém, como o álbum não dedica espaço algum para melodias menos animadas, que retratariam a falta do Superman nesse universo – aspecto que definitivamente prejudica a atmosfera do longa.

Essa tentativa de criar composições de tom épico, grandioso, porém, acabou criando uma série de músicas meramente esquecíveis, nenhuma sendo capaz, de fato, de permanecer conosco após o término da projeção, Chega a ser irônico como as únicas faixas realmente reconhecíveis são aquelas que contam com trechos de músicas de outros filmes. Refiro-me, evidentemente, a Friends and FoesThe Final Battle – a primeira faz uso de certos trechos, imediatamente reconhecíveis, do inesquecível tema de Superman – O Filme, de John Williams, porém com tons mais dramáticas e sombrios, que retratam bem o momento específico do filme (que não irei entregar, para evitar spoilers). Já a segunda faz uso do tema de Batman, composto pelo próprio Elfman para o filme de Burton – essa permaneceu mais fiel à música original, o que não chega a ser surpreendente, considerando que o maestro fora responsável por ambas as trilhas.

A trilha sonora original de Liga da Justiça, portanto, pode ser resumido a uma coletânea de músicas esquecíveis, pontuada por raras composições que efetivamente chamam a nossa atenção. Embora Danny Elfman represente a mudança no tom do Universo Estendido DC, claramente ele não foi a melhor escolha para a obra, trazendo melodias que meramente cumprem suas funções dramáticas, mas que fogem à memória segundos após sairmos da sala do cinema. Junkie XL e Hans Zimmer certamente teriam sido escolhas melhores.

Liga da Justiça (Trilha Sonora Original)
Compositor:
 Danny Elfman
País: Estados Unidos
Lançamento: 10 de novembro de 2017
Gravadora: WaterTower Music
Estilo: Trilha sonora

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.