Crítica | Liga da Justiça Trimestral: Manobras Corporativas… [Primeira Aparição: O Conglomerado, 1990]

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estrelas 3,5

A série Liga da Justiça Trimestral Vol.1 estreou em dezembro de 1990 como parte da então série da Liga da Justiça Internacional escrita pela dupla Keith Giffen e J.M. DeMatteis. Por ser uma série… bem… trimestral, as revistas deste título possuíam um número maior de páginas (cerca de 70) e, exceto esta primeira edição, oficialmente chamada de Manobras Corporativas (e Aumento de Aquisições), traziam mais de uma história, na maioria das vezes elencando a Liga Internacional.

Nesta primeira edição nós temos a origem de uma outra equipe para lutar contra o crime e as ameaças estranhas que assolam a Terra. Ou nem tanto. Criada por Claire Montgomery (ex-mulher de Maxwell Lord, o CEO da LJI neste momento) e claramente competindo com a Liga da Justiça Internacional, o Conglomerado nasceu dos esforços financeiros de uma série de empresas/laboratórios famosos da DC Comics com o objetivo de “lutar pelas causas comerciais corretas“, ou seja, eles salvariam o mundo e ao mesmo tempo colocariam a tag de alguma empresas nesse salvamento, fazendo com que os chefões das grandes Corporações não parecessem tão ruins aos olhos da mídia e da população. E, por um breve momento, a empreitada deu certo. Até que a nova equipe precisou lidar com uma nova interferência no ramo.

Para quem leu os arcos de estabelecimento da Liga pós-Crise, a saber, Um Novo Começo, Quem é Maxwell Lord? e Compre… ou Morra! certamente encontrará significado muito maior na construção narrativa desta história, pois ela apresenta um início cômico, com o sensacional robô L-Ron (uma homenagem dos autores a Star Wars, misturando em uma única criatura o temperamento de R2-D2 e C3PO) e investe bastante na briga entre o Gladiador Dourado, então chefe do recém-criado Conglomerado (aqui, formado por Praxis, Cigana, Eco — primeira aparição –, Vapor — primeira aparição –, Maxi-Man e Reverb ou Armando Ramone) e Besouro Azul.

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Imaginem o ciúme e o ego ferido da LJI (leia-se: do Besouro Azul) ao ver a nova equipe toda queridinha da mídia.

A dupla Gladiador & Besouro foi, sem sombra de dúvidas, uma das coisas mais legais, em termos de relacionamento, de toda a nova Liga. Os dois são personagens engraçados, têm um ego que precisa ser alimentado — o que dá um significado um tanto diferente ao fato de encararem o super-heroísmo — e serviam muito mais do que alívio cômico para a equipe. Eles seguravam as pontas de situações difíceis e mantinham alguns roteiros funcionando só pelo fato de serem o centro das atenções (o arco Há Algo Muito Errado com o Besouro Azul! que o diga). Mas por motivos que escapam à lógica, os roteiristas decidiram colocar o impasse de que o Gladiador Dourado se sentiu escanteado, diminuído, tratado como piada só porque… é um cara bem humorado. E então ele se demitiu da Liga Internacional e, em pouco tempo, passou a trabalhar com Claire Montgomery, recrutando heróis para um novo projeto.

Não é de se espantar, portanto, que uma boa parte deste Manobras Corporativas… seja um (ótimo) acerto de contas entre os dois (ex?) grandes amigos. E o mais interessante de tudo é que a coisa não começa nada bem; nada indicava uma reconciliação, especialmente após a intervenção do Conglomerado em San Sebor, na deposição (completamente financiada e solicitada pelo grupo de empresas que pagavam o grupo) do ditador El Fajita. A Liga Internacional é acionada pela ONU para deter (prender, em certo sentido) o Conglomerado, o que certamente coloca os dois grupos em um cenário perigoso, que, ainda bem, não chega “aos finalmentes”.

A melhor ideia de todo o roteiro é o desenvolvimento ético e moral do Conglomerado. Eles sabem perfeitamente que são empregados de um grupo de grandes corporações (a maioria, com negócios anti-éticos) e que precisam defender os direitos desses empresários, além de servirem de fantoches midiáticos, aparecendo em coquetéis, festas de apresentação a acionistas e familiares, revistas, programas de TV, jornais, rádio… Engolfados pelo sistema, os heróis caem em um dilema que não enfrentaram antes: continuar recebendo um bom salário e fazer o que seus empregadores mandam (como, por exemplo, tentar conter o derramamento de petróleo de uma das empresas que os financiam; como se aquilo fosse um “acidente inocente” e não um crime ambiental) ou fazer o que os heróis realmente fazem, que é deter e prender os bandidos?

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Depois da tempestade… louros compartilhados. E um novo momento para o Conglomerado.

O roteiro não poupa críticas ao aproveitamento dos heróis pelo dinheiro, nos fazendo ter um misto de rejeição e dó do Conglomerado (eles foram ingênuos e parcialmente enganados, o que conta como isenção), mas tem a delicadeza de colocar a ala das grandes empresas como detentoras de algo que não querem perder, o que é natural de se pensar. E no final, nós vemos uma tentativa de equilíbrio entre os interesses às vezes nada humanos dessas grandes empresas com um grupo de heróis para lhes dar apoio e credibilidade. A posição de Claire e do grupo muda radicalmente em relação ao que fora no início da aventura, mas a parceria segue, afinal, bons empresários não são idiotas. Se não tem escapatória, eles preferem fazer certo do que perder a oportunidade única como possuir uma equipe super-heróis ao seu lado. Eu fico só imaginando como a LexCorp encarou essa nova jornada.

A parte ruim da trama são os vilões, principalmente na batalha final. O evento é bom porque reúne a Liga Internacional e o Conglomerando para lutar lado a lado (com um certo desequilíbrio de tratamento, mas tudo bem) e deterem uma grande ameaça química, mas não é exatamente um bom término vilanesco. O bom de tudo é que o embate não atrapalha a nossa percepção total da obra, que é bem acima da média. A história é cômica nos momentos certos e diligente ao trabalhar um conceito tão pouco explorado que é esse “outro lado” dos super-heróis, o lado em que eles precisam ganhar dinheiro para sobreviver, afinal, nem só de salvar o mundo vivem (todos) os uniformizados dos quadrinhos.

Justice League Quarterly Vol.1 #1: Corporate Manuevers (and Leveraged Buyouts) — EUA, dezembro de 1990
DC Comics

No Brasil: Liga da Justiça #44 (Editora Abril, 1992)
Roteiro: Keith Giffen, J.M. DeMatteis
Arte: Keith Giffen, Chris Sprouse
Arte-final: Bruce D. Patterson
Cores: Gene D’Angelo
Letras: Bob Pinaha
Capa: Adam Hughes, Chris Sprouse
Editoria: Kevin Dooley, Andrew Helfer
71 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.