Crítica | Liga da Justiça Versus Predador (2001)

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Parte de uma série de histórias que a DC Comics fez em parceria com a Dark Horse, este crossover coloca a Liga da Justiça para enfrentar uma série de Predadores clonados sob medida para cada um dos heróis, mantendo o equilíbrio da batalha e dando bastante trabalho para os mocinhos, especialmente no início, quando ainda não sabiam exatamente o que estava acontecendo e o por quê desses caçadores resistirem a determinados ataques, na primeira investida realizada pela equipe. Com roteiro de John Ostrander e arte de Graham NolanRandy Elliott, a saga tem um rápido desenvolvimento e consegue expor ao menos uma parte do potencial que uma luta entre heróis e um time de Predadores poderia trazer.

A primeira grande consideração na apresentação do problema é que não estamos lidando apenas com Predadores. Há também alguns Dominadores em cena (os “dentinhos” que causaram todo o alvoroço na saga Invasão!) e o papel deles fica em suspenso até a reta final da história, quando explicam o que estavam fazendo na Torre de Vigilância e o que queriam que a Liga da Justiça levasse a cabo. De certa forma, o leitor considera a explicação pelo fato de os Dominadores serem grandes estrategistas e… bem… dominadores, o que explica o “Plano B” que colocaram em andamento para chegarem até os heróis. O que não dá muito para compreender é o modo como eles são tratados ao longo da aventura, sendo bastante descaracterizados em prol de uma abordagem mais cômica do roteiro.

E não digo isso porque penso que o lado humorado atrapalhe a história. Nesta formação da Liga, com Mulher-Maravilha, Batman, Superman, Caçador de MarteAquaman, Lanterna Verde (Kyle), Flash (Wally), Eléktron e Homem-Borracha, há estranheza e bom humor o bastante para serem exteriorizados e o enredo elenca muito bem este aspecto com as ações menos sisudas, mantendo o nível de camaradagem e espírito de equipe entre as mais diversas personalidades, mesmo no time mais sem graça em ação (Diana, Orin e O’Brian investigando os Predadores em Veneza). A questão é que para vilões tão marrentos quanto os Dominadores, ter um tratamento menos denso ao longo da história — mesmo que fique claro que isso era para tornar os Predadores mais ameaçadores — não combina muito. O leitor se diverte, mas clama por coerência e isso também pode ser visto no caso dos Predadores. Claro que eles permanecem ameaçadores e realmente são bons páreos para luta, mas o clima da edição não é exatamente o clima de horror que se esperava.

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Parte da Liga reunida. A cabeça de Ajax perfurada. E… um time de Predadores (?!).

Também é preciso deixar claro que o humor no trato com os Predadores não incomoda. É divertido vê-los repetindo algumas frases dos heróis e ao mesmo tempo agindo de forma violenta, embora não em um ambiente macabro. A questão é que isso esvazia um pouco o medo. Pode ser apenas uma observação de construção narrativa e não ter um real peso no desenvolvimento, mas certamente — assim como no caso dos Dominadores — atrapalha no final, principalmente porque há uma rapidez bem maior do que o necessário ao se livrar dos caçadores, fora a mensagem de esperança do Superman, que é colocada da maneira mais clichê possível, assim como a “redenção que não é redenção” por parte dos Dominadores.

A arte de Nolan e a finalização de Elliott vai ganhando cada vez mais espaço. A parte contida, no início, não é ruim, apenas parece desperdiçar oportunidades visuais demais. Primeiro, porque não adiantou nada esconder os Predadores, já que eles não são uma surpresa, visto que seu nome está no título da história. Depois, se a interação entre os heróis e o espaço fossem mais amplos no início, o leitor talvez se conectasse muito mais cedo à trama, especialmente porque o roteiro não ajuda muito na passagem do começo da investigação para a luta em campo contra o problema. É aí que se mostra completamente desnecessária a presença da Oráculo (Barbara Gordon), que acaba sendo mal utilizada e depois completamente esquecida.

Liga da Justiça Versus Predador nos traz uma mistura de terror (sugerido) com humor (explícito) e a já bem conhecida atuação em conjunto da Liga da Justiça. É possível perceber um roteiro cheio que resquícios da equipe formada lá em Um Novo Começo, mas já com a mudança para o ponto sério que o grupo ganhou no final dos anos 90, com a fase de Grant Morrison. É um crossover divertido de ler, apesar das inconstâncias na interação entre os personagens, especialmente quando nos referimos ao vilão principal.

Liga da Justiça Versus Predador (JLA Versus Predator) — EUA, 2001
DC Comics + Dark Horse
No Brasil:
 LJA – Liga da Justiça Versus Predador (Editora Mythos, 2002)
Roteiro: John Ostrander
Arte: Graham Nolan
Arte-final: Randy Elliott
Cores: James Sinclair, Heroic Age
Letras: Bill Oakley
Capa: Graham Nolan, Randy Ellio, ttJohn Kalisz, Heroic Age
Editoria: Philip Amara, Tony Bedard, Dan Raspler
52 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.