Crítica | Liga da Justiça vs. Esquadrão Suicida (Renascimento)

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Em vias de criar uma outra Liga a DC Comics utilizou desse seu “primeiro grande evento da era Rebirth” para colocar frente a frente o Esquadrão Suicida e a Liga da Justiça, preparando o terreno para dois personagens que sairão daqui e integrarão uma nova equipe (a Liga da Justiça da América) formada por heróis — ou quase isso — que não sejam parte do panteão de deuses da editora. A proposta e os integrantes do grupo podem ser discutidos em outro momento, mas é importante deixar claro que esse evento serviu para abrir algumas portas a vilões futuros nos títulos de grandes equipes e também de uma interação da atual Liga com formas mais bem arquitetadas do que aquelas que enfrentaram até aqui, nos arcos Máquinas da Extinção e Estado de Terror e Invasão.

A minissérie Liga da Justiça vs. Esquadrão Suicida conta com seis edições e alguns tie-ins na revista dos dois times.Um ponto positivo aqui é que não há necessidade de o leitor avançar na leitura das revistas extras para entender o que se passa na minissérie. A não-dependência direta de outras histórias já é um bom alento para quem não necessariamente gosta dessa estratégia tosca de forçar o leitor a acompanhar os tie-ins, colocando neles partes essenciais da trama central. Claro que se o fizer, o leitor terá informações precisas sobre as motivações de alguns personagens (destaque para Maxwell Lord, que no passado já foi amiguinho e também deu bastante trabalho para a Liga), especialmente nas edições #12 e 13 da revista Justice League, que mesmo não sendo boas histórias, completam de maneira interessante as informações sobre o que aconteceu antes de Lord chegar aonde chegou e o que se passou durante a luta contra Eclipso, sob um outro ponto de vista.

A história começa bem, com ações bem medidas acontecendo para o Esquadrão e para a Liga. Entram os personagens comandados por Amanda Waller em uma missão na ilha de Badhnisia, onde pretendem recuperar algo roubado do STAR Labs. A ação começa mas não termina bem, havendo uma possibilidade de desabamento de um prédio cheio de pessoas dentro, algo que não foi causado pelo Esquadrão mas o roteiro trabalha diretamente com a ideia de culpa por estar no lugar errado, na hora errada. É aí que a Liga entra em cena e, como era de se esperar, Batman já tem alguns planos em mente para o que fazer com os soldados de Waller. E a coisa não fica nem um pouco amistosa entre eles.

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O fantástico grupo de Maxwell Lord fazendo a vez de “vilões fase dois”: Lobo, Johnny Pranto, Doutor Polaris, Imperatriz Esmeralda e Rustam.

Só depois que o encontro entre os grupos de Max Lord, Amanda Waller e a Liga da Justiça acontece é que o roteiro de Joshua Williamson começa a perder fôlego. Após o cristal que libera a força de Eclipso nos personagens entrar em cena a história ganha um ar diferente, pontualmente interessante — todo o discurso de ódio gratuito, o modus operandi de Eclipso ao destrancar a face ruim de todas as pessoas e a oposição entre a Liga-possuída e o Esquadrão-temporariamente-tornado-Liga são muito legais — mas no geral acenam para o mesmo tipo de disposição que Bryan Hitch colocou no início da LJ: Renascimento. Aos poucos o texto vai se tornando desnecessariamente verborrágico (e isso especificamente não é o problema, desde que faça sentido todos os discursos e narrações) e o que era uma boa história de times de lados opostos da moeda tentando juntar forças para um bem comum, acaba se tornando mais uma batalha maluca que flerta com Vícios e Virtudes.

O time de artistas para a minissérie muda ao longo de toda a sua extensão, tanto na arte quanto na finalização, e todos fazem um bom trabalho geral, focando nos grandes quadros e páginas duplas, terminando por não se importar tanto com os quadros menores. O trabalho de Tony S. DanielJesús Merino são os mais constantes, porém, nenhum artista desaponta no decorrer das edições. O clima se mantém opressivo pelo forte uso de cores frias e essa caraterística emocional se mantém até o final, mesmo com uma das cenas mais legais da saga, após acalmada a tempestade, com uma estranha “confraternização” — se é que podemos chamar assim — entre a Liga e o Esquadrão.

Williamson até poderia terminar a história de maneira mais harmônica, com um encerramento de verdade para a maioria dos problemas levantados. É compreensível a necessidade de deixar algo para ser utilizado, mas fora as cenas com Nevasca e principalmente com o Lobo, todo o último momento me pareceu encheção de linguiça, destacando-se aí a conversa entre Lord e Waller, que praticamente reafirma, só que de maneira mais cínica e raivosa, o que fora posto ou deixado nas entrelinhas de conversas e ações anteriores. O mesmo vale para o cristal que um garoto encontra, um clara piscadela para o retorno de Eclipso. Nesse caso, o futuro dos personagens parece bem mais interessante do que o presente, levando em conta toda a jornada e isso não é uma coisa boa. Claro que não chega a estragar mortalmente a minissérie, mas colabora um pouco para a sua diminuição.

Justice League vs. Suicide Squad #1 – 6 (DC Rebirth) — EUA, 2017
Roteiro: Joshua Williamson
Arte: Jason Fabok (#1) Tony S. Daniel (#2), Jesús Merino (#3), Fernando Pasarin (#4), Robson Rocha (#5), Howard Porter (#6)
Arte-final: Jason Fabok, Sandu Florea (#2), Andy Owens (#3), Matt Ryan (#4), Jay Leisten (#5) Daniel Henriques (#5), Sandu Florea (#5), Oclair Albert (#5), Howard Porter (#6)
Cores: Alex Sinclair (#1 a 5), Jeremiah Skipper (#3 a 5)
Letras: Rob Leigh
Capas: Jason Fabok, Alex Sinclair, Tony S. Daniel, Mark Morales, Jesús Merino, Andy Owens, Matt Ryan, Howard Porter
Editoria: Brian Cunningham, Amedeo Turturro, Jessica Chen, Harvey Richards, Andy Khouri
144 páginas

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Liga da Justiça: Renascimento #12 e 13 (Justice League: Max Lord: Rebirth / Welcome to Eclipso) — EUA, 2017
Roteiro: Tim Seeley
Arte: Christian Duce (#12), Scot Eaton (#13)
Arte-final: Christian Duce (#12), Wayne Faucher (#13)
Cores: Mat Lopes (#12), Gabe Eltaeb (#13)
Letras: Richard Starkings, Comicraft
48 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.