Crítica | Liga da Justiça / WildC.A.T.s: Tempo Esgotado

PLANO CRITICO Liga da Justiça WildC.A.T.s (1997)

Crossover entre DC ComicsWildstorm Tempo Esgotado foi uma one-shot publicada em 1997, unindo duas grandes equipes dessas editoras, a Liga da Justiça e os WildC.A.T.s. A história se passa através do tempo, elencando um vilão antigo da Liga (Epoch, o Senhor do Tempo), que apareceu pela primeira vez em Os Dedos Fantásticos de Félix Fausto. Já em sua origem, o leitor percebe que é um poderoso do ano 3786 trazendo soldados do futuro para batalhar contra a Liga, fazendo-a atravessar o tempo em diversas direções para se livrar da ameaça. Em Tempo Esgotado, Epoch aparece reformulado e munido de instrumentos que o permite se transportar através de diferentes eras da História (dando até a oportunidade de um cameo da Sociedade da Justiça lutando na II Guerra Mundial da Terra-2), ação na qual é perseguido pela Liga, que tenta impedir os estragos do vilão através do Multiverso.

Considerando um dos principais elementos de ficção científica, a viagem no tempo, é inegável que o leitor se divirta muito na primeira parte desta trama. Ver os heróis perseguindo um vilão em diferentes anos, lugares e com intenções nada aplaudíveis de manipulação da História, causa aquela sensação de trama épica, mesmo que nada de muito grandioso tenha acontecido até o momento. Como pegamos a ação em andamento — um dos pontos favoritos do trabalho de Grant Morrison com grupos grandes –, passamos um tempo tentando nos adaptar ao que está acontecendo e qual é a intenção do vilão e dos heróis nessa jogada.

Um dos pontos mais interessantes no desenrolar da história é, obviamente, o encontro entre a Liga e os WildC.A.T.s, tendo uma paridade de personalidades curiosa ao longo da aventura. O Superman Azul (com aquele uniforme “elétrico” absurdo que usou por um tempo) enfrenta e depois se aproxima de Mister Majestic (Lorde Majestros); a Mulher-Maravilha faz o mesmo em relação a Devota (Lady Zannah); o Flash em relação a Lacuna (Adrianna Tereshkova); Batman em relação a Bandoleiro (Cole Cash) e por fim, Lanterna Verde em relação a Marreta (Jeremy Stone).

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Uma das coisas que a viagem pelo espaço-tempo pode fazer…

Mas enquanto a união dos grupos acende no leitor uma certa curiosidade e toda a ideia de alterações drásticas no tempo se torna o problema que precisam enfrentar, o roteiro começa a padecer de suas próprias armadilhas, não tendo um balanço de eventos grandiosos o bastante para justificar a forma como as coisas se prepararam para terminar. Em certa medida, nos lembra a história que formou justamente essa versão da Liga um ano antes, Pesadelos de Uma Noite de Verão, mas aqui o problema é ainda maior porque as peças em jogo, o nível de destruição e ameaça que os heróis precisam enfrentar são encontrados em dimensões diferentes, requerem mais poder de fogo e exigem uma luta dos grupos em diferentes territórios, seguindo o modelo de “troca de Terras” que a Liga e a Sociedade da Justiça começaram a fazer nos crossovers a partir de Crise na Terra-1.

A arte, por sua vez, cumpre muito bem o papel de relacionar destruição em mudanças de dimensões. Os cenários passam de convidativos, no cameo do Kid Flash e chegam a versões de mundos destruídos, cheios de criaturas mutantes ou robóticas, de escravos e de lugares destruídos, uma evolução que embora não alcance uma diferença na utilização de cores por Pat Garrahy, não parece ser incoerente em nenhum momento. De igual modo aproveitamos os grandes quadros onde temos os times em batalha e lamentamos o fato de uma melhor interação entre eles não aparecer no roteiro. Morrison até consegue fazer bem a introdução dos diálogos, das farpas e das parcerias, mas não mantém bem esses laços e isso fica ainda mais evidente quando olhamos para o retorno das amenidades entre os mocinhos no desfecho.

No todo, Liga da Justiça / WildC.A.T.s é uma aventura ágil que desaponta na maneira como desenvolve o vilão e como guia os encontros e desencontros entre as cavalarias de dois diferentes Universos. Para leitores curiosos, a aventura é bastante válida. Mas esta não é exatamente o tipo de trama que deve contar na lista de “obrigatoriedades” para DCnautas e Wildstormers.

Liga da Justiça/WildC.A.T.s (JLA/WildC.A.T.s) — EUA, 1997
DC Comics + Wildstorm
No Brasil:
Editora Mythos (agosto de 2002)
Roteiro: Grant Morrison
Arte: Val Semeiks
Arte-final: Kevin Conrad, Ray Kryssing
Cores: Pat Garrahy
Letras: Ken Lopez
Capa: Val Semeiks, Kevin Conrad
68 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.