Crítica | “Light Upon The Lake” – Whitney

estrelas 4

A capa de Light Upon The Lake parece representar bem o som proveniente da estreia do grupo indie Whitney: um desenho de galho de flores em um fundo branco. Aquela figura parece ser o suficiente para demonstrar a simples, delicada, inteligente e emotiva sonoridade do álbum. A banda oriunda de Chicago surgiu do término do Smith Westerns, quando o guitarrista Max Kakacek resolveu se reunir com o baterista do Unknown Mortal Orchesta, Julien Ehrlich, além de outros instrumentistas, para formar o grupo depois chamado Whitney. Não foi preciso muito tempo para chamar atenção, logo nos primeiros singles disponibilizados os rapazes já passavam a atrair atenção de amantes da música.

A abertura com o ótimo single No Woman dita muito bem o tom do disco. Forte influência das décadas de 70/80, uma carga excelente de country, rock, folk e, principalmente, pop. Recupera o que havia de melhor nos arranjos de artistas como George Harrison, Neil Young e Fleetwood Mac (no caso deste, perceba como o falsete de Ehrlich lembra Lindsey Buckingham). Do clima hawaiano de On My Own, passando pela instrumental Red Moon (faixa mais desconectada do resto do disco), pelo indie rock de No Matter Where We Go, pelo AOR melancólico de The Falls e o delicioso refrão de Follow calcado no máximo de melodia que pode ser tirado das cordas, Whitney recupera o que há de mais doce, técnico e simples no pop de 70, sabendo misturar ao cenário indie moderno.

O disco conversa sobre crises pessoais que todos acabam passando em certos momentos da vida. A faixa homônima, por exemplo, com sua atmosfera introspectiva – um folk quase sussurado – discute o típico cenário de alguém tentando se encontrar em meio a mudanças da vida. Na fantástica Golden Days, Ehrlich clama para que voltem os “dias de ouro”, lamentando as direções que um relacionamento amoroso tomou. “E depois de tudo que fiz você passar/ Sou nocauteado como nunca antes”: é muito nítida a honestidade dolorosa na interpretação do vocalista que insiste em olhar para o passado. E é assim que a faixa acerta brilhantemente: envolve essa temática nostálgica com um arranjo tipicamente retrô, muito bem harmonizado e essencialmente pop, feito para ser cantarolado até cansar.

Se Light Upon The Lake falha em algo, provavelmente é apenas na falta de pretensão. Whitney é direto no objetivo, não peca em excessos ou exageros, fazendo belas canções românticas de curta duração (média de 2 ou 3 minutos). É quase o significado literal de uma obra sincera feita com esmero. Bem, baseado na simplicidade melancólica dos ótimos arranjos capazes de conquistar facilmente os ouvintes, tudo indica que a banda pode desenvolver um futuro de sucesso. E que assim seja.

Aumenta!: Golden Days
Diminui!: Red Moon

Light Upon The Lake
Artista: Whitney
País: Estados Unidos
Gravadora: Secretly Canadian
Lançamento: 3 de junho de 2016
Estilo: Indie pop/rock, Rock Clássico

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, fascinado por música, cinema e quadrinhos. Um fã de ficção científica e aventura que carrega seu fone de ouvido por todo lado e se emociona facilmente com música, principalmente com "The Dark Side Of The Moon". Enquanto não viaja pelo tempo e espaço em uma TARDIS, viaja pelo mundo dos livros e da música.