Crítica | Lilyhammer – 2ª Temporada

estrelas 3

Lilyhammer é uma dramédia norueguesa bancada em grande parte pelo Netflix, que tem exclusividade em seu lançamento mundial, com exceção em alguns poucos territórios. Foi, na verdade, a primeira vez que o serviço de streaming se aventurou na produção, conforme tive a oportunidade de explicar em detalhes na crítica da 1ª temporada, em 2012. Desde então, quase que como um furacão que surge do nada, o Netflix transformou como se vê televisão entregando séries laureadas como House of Cards e Orange is the New Black e ressuscitando outras amadas de seu público, como Arrested Development e The Killing.

E seus investimentos não pararam em séries, continuando com diversos documentários como The Square, que concorreu ao Oscar em sua categoria, e The Battered Bastards of Baseball, além de comédias stand-up como Uganda Be Kidding Me Doug Dynasty e até mesmo filmes de ficção. E olha que nem mesmo estou abordando novas e esperadas séries como a histórica Marco Polo e o acordo com a Marvel para produzir nada menos do que cinco séries com seus heróis, sendo a primeira Demolidor.

No meio de toda essa loucura criativa, suas séries foram ganhando novas temporadas e não foi diferente com Lilyhammer, talvez seu mais discreto e menos ambicioso projeto. Afinal, a premissa é simples: Steve Van Zandt vive Frank Tagliano, mafioso nova-iorquino que, depois de delatar um chefão, ganha serviço de proteção à testemunha, realocando-se, a seu pedido, para Lillehammer, na Noruega (o título em inglês contém erros propositais de grafia para demonstrar a ignorância de Tagliano sobre o local). Em uma virada de mesa no conceito batido de “estranho em uma terra estranha” o mafioso, agora batizado de Giovanni ‘Johnny’ Henriksen, na 1ª temporada, é extremamente eficiente em corromper toda a cidade, montar sua gangue e abrir uma boate/inferninho, além de ter gêmeos com uma norueguesa local, Sigrid Haugli (Marian Saastad Ottesen).

Quando a 2ª temporada começa, oito meses se passaram e Frank… digo, Johnny, continua colocando a cidade de pernas para o ar. O que catalisa a temporada é a chegada do ladrão britânico Duncan Hammer (Paul Kaye) para vender uma Ferrari por intermédio de Sebastian que, por sua vez, deve dinheiro para Johnny. A gangue de Johnny, claro, vai passear com o “carrinho” e, em uma sequência hilária, acerta um alce, destruindo o carro no processo. O primeiro episódio é dinâmico e divertido e estabelece, de início, o controle absoluto do mafiosos sobre tudo o que acontece na cidade.

No entanto, o que é um bom começo logo cai na mesmice e, por incrível que pareça, apesar de ser uma série só com oito episódios, ela ganha uma estrutura de “caso da semana” ou, melhor dizendo, “problema do dia”. Não é algo tão grave quanto em séries maiores e o tom cômico ajuda a aliviar a questão. Só que as desventuras de Johnny e sua gangue, que envolve um refugiado africano (Balotelli, vivido por Momodou Lamin Touray), negociatas com o milionário local Lars Olafsen (Henrik Mestad), o casamento da mãe de Roar com o gangster sueco Stanley Olsson (Johannes Brost) e outros. Há um clara tentativa de se estabelecer novas e diferentes (e inusitadas) situações, mas o fato é que a temporada é muito dependente de alguém que só estava presente na primeira temporada, por razões óbvias: a surpresa e as gargalhadas inerentes ao processo de corrupção iniciado por Johnny. Agora,  com tudo já estabelecido, as surpresas desaparecem e tudo se torna um pouco de “mais do mesmo”.

O que ajuda a temporada é a revelação da identidade “secreta” de Johnny ao mafioso que ele delatou em Nova Iorque. Isso força a mão de Johnny que, junto com sua gangue (Torgeir e Roar, que fingem ser guias de turismo), vai a Nova Iorque para resolver o problema. A mudança de cenário e os personagens que são introduzidos quase que reiniciam o processo de surpreender o espectador, mas a temporada faz uso tímido desse artifício, lidando com a questão em  apenas um episódio (o último). Não é nem de longe suficiente para suprir o problema da repetição dos episódios anteriores, mas com certeza diverte.

A grande questão é que Steven Van Zandt, com sua carranca característica e seu sotaque nova iorquino pesado, além das gírias ainda gera um contraste grande com todo o resto do elenco, em sua grande maioria formado de escandinavos, o que automaticamente já empresta ar cômico ao protagonista. Ele pode não estar fazendo nada, só olhando, mas isso já o torna engraçado o suficiente para tornar o passeio por Lilyhammer uma diversão para o espectador. É só não esperar, na segunda temporada, o frescor da primeira e tudo correrá bem.

Lilyhammer – 2ª Temporada (Noruega, Estados Unidos, 2013)
Direção: Geir Henning Hopland, Simen Alsvik, Ole Endresen
Roteiro: Eilif Skodvin, Steven Van Zandt, Helena Nielsen, Jadranko Mehic, Thomas H. Solli
Elenco: Steve Van Zandt, Marian Saastad Ottesen, Trond Fausa Aurvaag, Anne Kriqsvoll, Steinar Sagen, Mikael Aksnes-Pehrson, Sven Nordin, Fridtjov Saheim, Kyrre Hellum, Tommy, Karlsen, Tim Ahern, Finn Schau, Greg Canestrari, Eira Stuedahl, Nasrin Khusrawi, Hamid Karimi, Robert Skjaerstad, Petrus Andreas Christensen, Oystein Roger, Sigmund Saeverud, Kyrre Haugen Sydness, Erlend Klarholm Nilsen, Magnus Young Mortensen, Thomas Grube, Beate Eriksen, Parker Sawyers, Tony Sirico, Paul Kaye, Pål Espen Kilstad, Erik Madsen, Amy Beth Hayes, Jakob Oftebro, Amit Shah as Gareth, Alan Ford, Tony Pitts, Richard Skog, Silje Torp, Maureen van Zandt, Momodou Lamin Touray, Henrik Mestad, Johannes Brost
Duração: 45 minutos cada episódio

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.