Crítica | “Live at Wembley ’86”, “Queen Rock Montreal” e “A Night at the Odeon – Hammersmith 1975” – Queen

Live at Wembley ’86

estrelas 4

So forget those rumours, we’re gonna stay together until we fucking well die, I’m sure of it.

Freddie Mercury

Gravado no Wembley Stadium, em Londres, no dia 12 de julho de 1986, este disco tem algumas das performances ao vivo do Queen que mais foram reproduzidas e ouvidas pelo grande público no decorrer dos anos. O show é famoso pela enérgica presença da banda em um de seus últimos grandes shows e contém faixas de diferentes momentos da carreira do quarteto, de Queen até A Kind of Magic, o que acaba sendo uma bela passagem por uma das discografias mais sensacionais da história do rock.

Muita gente sabe da ira de boa parte dos fãs ao terem recebido a primeira cópia em vídeo do show contendo menos músicas do que o lançamento em LP/CD (o álbum foi lançado em 1992, portanto, após a morte de Freddie Mercury), o que era um pecado considerando a capacidade física do material visual e também o fato de o Queen ser uma banda de caráter teatral e que os shows ao vivo funcionam muitíssimo melhor quando você ouve e vê a apresentação.

Live at Wembley ’86 representa um registro bem mais fechado e interessante da Magic Tour do que o fraco Live Magic, abrindo com One Vision e tendo a matadora Tie Your Mother Down logo na sequência, os grandes destaques de todo o álbum. O ouvinte percebe que o primeiro bloco de canções, com 13 faixas, sofreu um maior número de cortes na edição e contém o maior número de canções que são apenas um ponto do show, não necessariamente o que ele teve de melhor. Mesmo assim, este primeiro disco nos traz belíssimas versões de Under Pressure e Who Wants to Live Forever, esta última, interpretada com um tom sentimental que realmente toca a quem ouve.

Eu confesso que não gosto muito da faixa Brighton Rock Solo porque, apesar de ser boa em sua performance, se torna enjoativa pela duração excessiva dentro de um padrão musical relativamente simples e sem muitas variações. Os primeiros 4 ou 5 minutos até que funcionam bem, mas as mesmas progressões e entradas para uma Now I’m Here que demora muito acontecer desagradam um pouco e diminuem o poder do solo.

O disco dois é o mais fechado em edição e agrupamento das faixas, abrindo com uma excelente Love of My Life e passando pelo dinâmico trio de canções + medley formado por Hello Mary Lou, Tutti Frutti e Gimme Some Lovin’, seguindo da sempre muito esperada e sempre muito aplaudida Bohemian Rhapsody, aqui, com um bloco final bastante pesado, uma das minhas execuções favoritas dessa faixa ao vivo.

Live at Wembley ’86 foi um show histórico e um álbum que serviu como memória de Freddie Mercury, por ter sido lançado pouco depois de sua morte. O disco teve um bom número de vendas nos Estados Unidos e continua sendo um dos mais adoráveis registros ao vivo do quarteto da rainha.

Aumenta!: One Vision
Diminui!:
Minhas canções favoritas do álbum: One Vision e Tie Your Mother Down

Live at Wembley ’86
Artista: Queen
País: Reino Unido
Lançamento: 26 de maio de 1992
Gravadora: Parlophone, Hollywood
Estilo: Rock, Hard Rock

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Queen Rock Montreal

estrelas 5,0

Gravado nas noites de 24 e 25 de novembro de 1981 em Montreal, Canadá, e lançado em várias mídias em outubro de 2007, este show foi um dos primeiros ao vivo do Queen em que eu realmente fiquei viciado. Eu comprei o DVD assim que saiu e o assistia frequentemente, sempre repetindo ad infinitum a sensacional Crazy Little Thing Called Love que ganha uma versão perfeita neste show.

É bom lembrar que em idos de 1981, o Queen atravessava um delicado momento de relacionamento interno, nada que os impedisse de continuar gravando e tocando mas com certeza algo que dificultava as turnês e o trabalho em estúdio. Saindo do estressante período de The Game e Flash Gordon, a banda levava ao mundo elementos dessa nova fase com sintetizadores e experimentos musicais um pouco mais pop, o que dá para ser sentido em todos os minutos do show, que é expansivo e dinâmico como todas as apresentações do Queen, mas mantém uma cara bem diferente dos concertos anteriores. E só para finalizar a questão do relacionamento e irritabilidade de Freddie no palco nesse período, vejam como ele fica meio passivo-agressivo quando a plateia está parada ou a cara de decepção dele quando o público não acompanha Love of my Life.

Diferente da maioria dos discos ao vivo do Queen, não existe em Rock Montreal uma divisão marcante de qualidade de execução entre os blocos. Todas as investidas do grupo em arranjos foram muitíssimo bem sucedidas nas 28 faixas e a edição não estragou o material final cortando ou deixando o que não deveria. Desse modo, o público encontra da Intro + a versão rapidinha de We Will Rock You até o duo final formado por We Are the Champions e God Save the Queen (reprodução em tape) uma unidade e qualidade inabaláveis, sendo um daqueles ao vivo para se ouvir no volume máximo, como os igualmente incríveis Hungarian Rhapsody At the Rainbow, acompanhados de perto pelo ótimo A Night at the Odeon, criticado logo a seguir.

Alguns destaques importantes dos dois discos precisam ser feitos antes de finalizarmos. No Disco 1, duas canções que me deixaram bastante surpreso pela forma como a banda conseguiu driblar os detalhes de estúdio para uma versão ao vivo também cheia de detalhes, mas em outra configuração: Let Me Entertain You e Play the Game. Velhas companheiras de turnês também ganharam simpáticas e criativas figurações aqui, Somebody to Love e Killer Queen, especialmente esta última. No Disco 2, minha surpresa veio com as excelentes execuções de Flash e The Hero, além de um rock para balançar a cabeça até doer o pescoço: Sheer Heart Attack, que parece ainda mais punk, mais sujo, mais… jovem nesta versão ao vivo.

Queen Rock Montreal é o terceiro disco ao vivo do Queen que eu considero uma obra-prima de shows da banda (juntamente com Hungarian Rhapsody At the Rainbow) e pelos quais eu tenho bastante carinho e que tenho ouvido repetidamente desde o seu lançamento.

Aumenta!: Crazy Little Thing Called Love
Diminui!:
Minhas canções favoritas do álbum: Crazy Little Thing Called Love, Flash e Another One Bites the Dust

Queen Rock Montreal
Artista: Queen
País: Reino Unido
Lançamento: 29 de outubro de 2007
Gravadora: Parlophone, Hollywood
Estilo: Rock, Hard Rock

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A Night at the Odeon – Hammersmith 1975

estrelas 4,5

Gravado na véspera de Natal de 1975, transmitido ao vivo pela BBC2 e pela BBC Radio 1 e trazendo a primeira performance ao vivo de Bohemian Rhapsody, este famoso show do Queen finalmente ganhou lançamento oficial e bem cuidado em novembro de 2015, com 16 faixas, a maioria delas parte do álbum A Night at the Opera, para o qual a banda estava fazendo turnê, a primeira em que eram inteiramente filmados e transmitidos ao vivo pela TV.

O lançamento em CD, LP, DVD e Blu-Ray deu oportunidade para o público ver de várias formas como o Queen e especialmente como Freddie Mercury tinha os ingredientes para se estabelecer como um marco na história do rock. A energia do grupo no palco, a interação máxima com o público, a organização do show como um verdadeiro espetáculo são ingredientes muito comuns das boas bandas e artistas de final dos anos 1970 para frente, mas não era comum naquele momento da História. O Queen foi uma das primeiras bandas a não tocar apenas para si, mas para o público, interagindo, conversando, fazendo um show mais… democrático, por assim dizer.

E que show! À exceção de algumas incômodas escolhas na organização das faixas (os cortes no final do disco são quase um pecado), o álbum é um dos melhores ao vivo do Queen com execuções brilhantes — Brian May arrebentando em Now I’m Here, por exemplo — excelentes escolhas de arranjos e medleys com animadíssima participação do público, que lotava o Hammersmith Odeon naquela véspera de Natal.

A notável inserção de solos para cada um dos músicos e a alternância entre vigorosos blocos com simples passagens em Brighton Rock e Keep Yourself Alive, por exemplo, duas das eternas favoritas da banda para tocar ao vivo, são provas de que eles sabiam dominar e manipular muito bem o próprio material, não deixando a desejar nas inovações e constantemente brincando com os fãs, como vemos na sequência formada por In the Lap of the Gods… Revisited, Big Spender e Jailhouse Rock. Percebam que as duas últimas não são canções do Queen, mas elas receberam excelente tratamento da banda e serviram de ponte para a reta final do espetáculo, que traria uma sensacional execução de See What a Fool I’ve Been, uma das faixas mais belas da banda lançada apenas como Lado B de Seven Seas of Rhye.

Vigoroso, dinâmico, extremamente divertido e dançante, A Night at the Odeon é daqueles discos ao vivo que já nascem como documento histórico por uma série de particularidades que só um lançamento 40 anos depois de ter sido gravo é capaz de mostrar.

Aumenta!: Liar
Diminui!:
Minhas canções favoritas do álbum: White Queen (As It Began), Killer Queen e Liar

A Night at the Odeon – Hammersmith 1975
Artista: Queen
País: Reino Unido
Lançamento: 20 de novembro de 2015
Gravadora: Virgin EMI, Hollywood
Estilo: Rock, Hard Rock

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.