Crítica | “Live Killers” e “Live Magic” – Queen

Queen: Live Killers

estrelas 4

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Live Killers, o primeiro álbum ao vivo do Queen, foi lançado em 26 de junho de 1979, resultado da longa turnê de Jazz. O disco é uma espécie de memória viva da década de 1970 para a banda, contendo canções icônicas dos álbuns lançados até aquele momento. Gravado entre janeiro e março de 1979, Live Killers foi mixado na Suíça, com produção do próprio quarteto, que no final de tudo, não ficou contente com o resultado. Apesar disso, o disco foi o maior sucesso ao vivo já lançado pelo Queen, e tem a icônica e sempre reprisada versão de Love of My Life, gravada em 2 de fevereiro de 1979 em um show em Frankfurt, com uma multidão regida por Mercury, cantando a plenos pulmões.

Existem muitas críticas em relação a Live Killers, especialmente vindas do próprio Queen, como já dissemos anteriormente. A maior parte desse descontentamento está nas interferências de estúdio feitas na mixagem, o que levou Brian May a fazer piada com o fato, anos depois: “a única coisa ao vivo em Live Killers é o tambor baixo”. Mas a despeito disso, as 21 faixas do álbum não podem jamais ser deixadas de lado. Não é preciso dizer que a produção acaba perdendo pontos pelas intromissões de uma edição exagerada (os músicos parecem ter agido como crianças com um brinquedo novo quando escolheram o material e resolveram editá-lo), mas mesmo assim, ouvi-lo é um verdadeiro prazer.

Abrindo com uma versão rápida de We Will Rock You, passamos para uma tríade de “canções matadoras” da banda, todas com arranjos vocais e instrumentais marcantes para o palco (destaque absoluto para as execuções de Brian May): Let Me Entertain You, Death on Two Legs (Dedicated To…) e Killer Queen. É curioso que para as faixas que, em sua versão de estúdio, havia camadas e camadas de vocais ou complexas sobreposições instrumentais, a banda resolveu o problema com incursão de solos com os instrumentos em força maior ou arranjos para vocais de apoio que dão um tom interessante às canções, como é o caso de Bicycle Race, Keep Yourself Alive e Tie Your Mother Down.

Os maiores destaques dentre as músicas desse álbum vão para Love of My Life e Brighton Rock, a primeira por sua execução lírica e absolutamente contagiante e a segunda pela explosão vocal e instrumental do grupo, além de um epílogo (servindo de ponte para Bohemian Rhapsody — já com uso de tape para a parte operística, mas com execução questionável — que tem a ótima Mustapha como introdução e seguida de uma excelente versão de Tie Your Mother Down e uma engraçada performance de Sheer Heart Attack) de fazer cair o queixo, os olhos, os ouvidos. É aquele momento de virtuosismo e brincadeiras de cada um dos músicos, em que os ouvimos executar solos, dar gritinhos e cantarolar alguns trechos de canções. Não tem como ouvir uma vez só. Sem sombra de dúvidas é a melhor faixa do disco.

Aumenta!: Love of My Life
Diminui!: Bicycle Race
Minha canção favorita do álbum: Brighton Rock + ponte

Live Killers
Artista: Queen
País: Reino Unido
Lançamento: 26 de junho de 1979
Gravadora: EMI, Parlophone
Estilo: Rock, Hard Rock

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Queen: Live Magic

estrelas 2,5

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Gravado entre julho e agosto de 1986, durante a turnê The Magic Tour, Live Magic foi o segundo álbum ao vivo do Queen, lançado em dezembro de 1986. O disco teve uma novidade interessante na formação de pessoal, com o acréscimo do músico Spike Edney nos vocais de apoio e complementos de teclado, piano e guitarra durante os shows. Mas “grande” novidade aqui não é a positiva adição de um músico fora da banda. A “grande” novidade é [mais um] erro de edição do Queen e do produtor Trip Khalaf ao lançarem um produto final picotado e, na melhor das hipóteses, incompleto.

Enquanto ouvia Live Magic (a segunda versão, com inacreditáveis 2 minutos a mais que a versão em LP – hehehe) eu não pude deixar de pensar no quanto o disco seria maravilhoso se as canções fossem deixadas até o final. Nem que tivéssemos aqui um álbum de uma hora ou até mais de duração. No entanto, canções que definitivamente mereciam ter o seu complemento como Bohemian Rhapsody, A Kind of Magic e Another One Bites the Dust (percebam que não são canções qualquer!) foram impiedosamente cortadas. E de uma forma que não faz sentido algum dentro da progressão das faixas, um erro inadmissível para um álbum do Queen. É quase inacreditável.

De alguma forma, esse disco se parece com Live Killers, não só por ter sido estragado no estúdio mas por manter uma ideia interessante de organização das canções. Essa afirmação, no entanto, se torna um problema quando consideramos a continuidade dessas músicas no show, algo que até poderia ser consertado na edição, mas não foi. De todo modo, à parte o péssimo trabalho de mixagem, a organização é boa. E só para complementar a ideia de semelhanças com ao vivo anterior, vale dizer que Live Killers, mesmo com as interferências, resultou em um bom álbum, o que não é o caso aqui. E é sempre bom dizer que o problema de fato não é a performance do Queen – há algumas falhas no vocal de Mercury, mas não é nada grave – e sim o que eles fizeram com o material gravado na mesa de edição, o bastante para roubar metade da nota do produto final.

E só para não dizer que não existe nada de realmente bom, One Vision, Hammer to Fall e Radio Ga Ga (a minha favorita do disco, mesmo tendo passado por um corte grosseiro) são realmente muito boas ao vivo e receberam atenção o bastante no resultado final de Live Magic para valerem a pena. Alguns amigos já me perguntaram: “você não gosta muito desse álbum por causa da edição?” e a minha resposta é sempre “sim.”. O grande problema é você está curtindo um disco ao vivo e, de repente, a canção ser subitamente cortada e porcamente emendada em uma outra. Como gostar muito e completamente de um disco desses? Afinal de contas, o pacote inteiro é válido, não apenas uma parte dele…

Aumenta!: Hammer to Fall
Diminui!: Friends Will Be Friends
Minha canção favorita do álbum: Radio Ga Ga

Live Magic
Artista: Queen
País: Reino Unido
Lançamento: 1º de dezembro de 1986
Gravadora: EMI, Hollywood
Estilo: Rock, Hard Rock

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.