Crítica | Lobo Versus Papai Noel

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estrelas 4,5

Criado em 1983 por Keith Giffen e Roger Slifer, Lobo é um personagem quase surreal dentro do universo em quadrinhos da DC Comics. Ele começou como vilão, mas caiu no gosto popular, sendo transformado em um anti-herói (aqui, o uso da expressão chega a ser ridículo, mas paciência…). Lobo é, talvez, o ponto alto da sátira e da paródia a quadrinhos violentos e exagerados que, depois – e talvez por causa – de O Cavaleiro das Trevas, tornou-se a norma e não mais a exceção. Ainda que ele seja uma espécie de encarnação de todo o tipo de estereótipo de heróis hiper-violentos como Batman, Justiceiro, Wolverine, Cable, Juiz Dredd e outros, ele conseguiu garantir seu cantinho de sucesso que acabou valendo divertidíssimas histórias solo, que é quando o personagem realmente fica sem as rédeas da linha editorial normal da DC Comics.

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A versão definitiva de Lobo!

Lobo Versus Papai Noel é uma dessas edições solo clássicas que explora a completa bobagem insana e ultra-violenta que é o personagem, com uma premissa que, por si só, já demonstra o deboche de Keith Giffen com sua criação, algo que muita gente deixa escapar, levando Lobo a sério. Neste one-shot, Lobo é contratado por um Coelhinho da Páscoa bêbado, invejoso e rancoroso para matar o Papai Noel, que ganha todos os holofotes com seu feriado mais “famoso”. Mas o Papai Noel de Giffen não é o velhinho bondoso que costumamos ver nos anúncios da Coca-Cola. Muito ao contrário, ele é um explorador de duendes e ditador brutal que é conhecido como Kris “Esmagador” Kringle e que vive em uma fortaleza inexpugnável no Pólo Norte. E não poderia ser diferente, não é mesmo? Afinal, se o Papai Noel não fosse um putardo, o Maioral acabaria com ele em meio quadrinho, ainda que o maior defeito dessa edição seja justamente o curtíssimo espaço que a grande luta efetivamente ocupa…

Acrescentando uma camada à narrativa, Giffen, que co-escreveu a história com Alan Grant, transforma a história de Lobo em um conto lido por pais temerosos por sua vida por terem que contar aos 10 filhos que não terão dinheiro para dar presentes a eles. Nesse universo, as crianças, revoltadas, costumam matar seus progenitores, algo bastante razoável na falta de presentes para serem desembrulhados em 10 segundos e esquecidos em 10 dias. Obviamente, sem escolha, os pais estão prestes a matar seus próprios filhos em legítima defesa prévia, algo que “a história de Lobo”, emoldurada nessa narrativa em tese principal, poderia evitar, já que ela serviria para amedrontar as crianças. Diversão garantida em dois níveis!

Os rascunhos da arte ficaram também com Giffen, mas sua transformação em algo que poderia ser efetivamente usada na edição ficou ao encargo de Simon Bisley, que começou na 2000 AD desenhando ABC Warriors e, mais tarde, Sláine e Juiz Dredd. Esse foi seu primeiro trabalho com Lobo e geraria diversas outras colaborações com Giffen e o personagem. E não sem razão. Afinal, seu traços caem como uma luva para Lobo. Não só sua versão do personagem é a que pessoalmente mais gosto, como ele se diverte com o grotesco. Ninguém se safa de seus lápis destruidores que transformam duendes em verdadeiros monstrinhos, Papai Noel em um gordo furioso homicida e o casal com o dilema com os filhos em personagens saídos de filmes de David Cronenberg. E isso sem contar com o “simpático” buldogue de Lobo e páginas e mais páginas de destruição total, com muito gore, mortes, explosões e tudo mais para a apreciação completa da profundidade artística do trabalho de Giffen.

Lobo Versus Papai Noel é um completo escracho. Mas um escracho muito bom – se o leitor não se sentir ofendido por qualquer sanguinho ou palavrões, claro – que diverte descompromissadamente e que nos faz ter saudades dos tempos áureos do Maioral!

lobo_versus_papai_noel_capa_plano_criticoLobo Versus Papai Noel (Lobo Paramilitary Christmas Special, EUA – 1991)
Roteiro: Keith Giffen, Alan Grant
Arte: Simon Bisley
Arte-final: Keith Giffen
Cores: Lovern Kindzierski
Letras: Gaspar Saladino
Editora original: DC Comics
Data original de publicação: janeiro de 1991
Editora no Brasil: Metal Pesado
Data de publicação no Brasil: dezembro de 1998
Páginas: 52

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.