Crítica | Looking – 1X03: Looking at Your Browser History

estrelas 4

É raro ver uma série tão sóbria quanto Looking. Com apenas três episódios até o momento, o seriado mostrou que sabe como abordar seu universo de forma crível, realista, humanizando seus personagens de maneira apropriada (impossível não se identificar com algum deles) e trazendo abordagens relevantes (e modernas) para o cotidiano dos homossexuais. Assim sendo, apesar das semelhanças, comparações com Queer as Folk ou Girls torna-se descabidas, uma vez que Looking já consegue andar com as próprias pernas.

No episódio em questão, temos uma abordagem bastante dinâmica sobre a linha tênue que separa as relações profissionais com as relações pessoais. Todo profissional sabe que estas duas linhas jamais devem se cruzar, mas para nós, seres muitas vezes movidos por impulsos, tal mistura acaba sendo inevitável.

Isto pode ser visto, de forma bastante peculiar, na figura de Patrick. Irresponsável e equivocado, Patrick dá em cima de Kevin (o maravilhoso ator britânico Russell Tovey) durante uma festa de trabalho, sem imaginar que aquele será o seu futuro chefe. O mais curioso é a forma com que Patrick é levado a descobrir que Kevin é gay: tudo devido a uma aposta onde Patrick deveria descobrir se Kevin “jogava naquele time” ou não. A situação é tão cômica quanto trágica, e ao mesmo tempo em que Patrick é levado a amadurecer em seu ambiente de trabalho, simultaneamente nos compadecemos do personagem, afinal, quem nunca se fez a pergunta do “será que ele é?” ao achar que aquele suposto hetero é gay ou vice-versa? O assunto é muito bem abordado no episódio, deixando promessas de que a relação entre Patrick e Kevin pode render lá na frente.

Augustín, que até o momento não parecia despertar tanto o interesse do público, aqui ganha novos contornos ao ganhar uma abordagem mais isolada, onde o próprio personagem se indaga sobre o seu suposto talento naquilo com o qual trabalha. Afinal, quem nunca se questionou sobre seu verdadeiro talento? Somos realmente bons naquilo que fazemos? Ou devemos buscar melhorias? E sobre a rápida aparição de CJ, o garoto de programa? Dispensa comentários: este plot promete.

Dom é quem tem agradado aos olhos (em todos os sentidos) desde seu primeiro momento na série. Maduro e decidido, começamos a ver o lado mais sensível do personagem, que entre umas e outras, conhece novos rostos nas saunas da vida.

Deixando a conclusão destes plots para os capítulos seguintes, Looking tem demonstrado possuir um conhecimento digno e respeitável sobre o universo que aborda, oscilando muito bem entre sua veia dramática e o lado mais cômico.

E que venha Looking for $220!

Looking – 1X02: Looking at Your Browser History
Showrunner: Michael Lannan
Roteiro: Andrew Raigh
Direção: Andrew Raigh
Elenco: Jonathah Groff, Frankie J. Alvarez, Murray Bartlett, Scott Bakula, Russell Tovey, OT Fagbenle, Lei Andrew, Raúl Castillo, Lauren Weedman
Duração: 28 min

RAFAEL OLIVEIRA. . . .Cinéfilo ainda em construção, mas que já enxerga na Sétima Arte algo além de apenas imagens e som. Amante de Kubrick e Hitchcock e viciado em música indie, cético e teimoso, mas sempre aberto para novas experiências e estranhas amizades.