Crítica | Looking – 1X06: Looking in the Mirror

estrelas 4

Depois do polêmico e provocante episódio anterior, Looking retorna ao seu estilo tradicional, trazendo novamente todos os personagens para a tela, e desta vez, com todos num mesmo ambiente. Obviamente, seria difícil superar a completude daquele episódio onde Patrick e Richie se tornavam o centro do roteiro e conheciam um ao outro um pouco mais, mas Looking é Looking, e a série já provou que sabe, como poucas, delinear seus personagens de maneira apropriada em menos de 30 minutos de exibição.

Looking in the Mirror é sobre os personagens tentando encontrar sua estabilidade definitiva. Patrick chama Richie acidentalmente de “namorado” durante o café da manhã, e acaba que seu desejo torna-se realidade, com o firmamento de um relacionamento sério entre os dois. Dom segue correndo atrás do sonho de abrir seu próprio restaurante, tendo a ajuda Lynn para realizar esse desejo, e não apenas isso, o bigodudo começa a enfrentar a crise dos 40 anos (sendo que o moço chegou nessa idade com corpinho de 25 e um apetite sexual de 18). Obviamente, Augustín, o eterno irresponsável, surge como o elo mal balanceado dentre esses personagens, acima de tudo, buscam alcançar objetivos que tornem suas vidas mais objetivas.

Muitos reclamam de Augustín, o que não é pra menos, pois seu falso moralismo e julgamentos errôneos são o suficiente para torná-lo um personagem odiável. O fato é que o personagem foi criado exatamente para isto, uma vez que Looking sempre procurou explorar os diversos lados do cotidiano gay, e Augustín surge como um perfeito contraponto às diversas outras personalidades que o cercam.

Desta forma, suas ideias extremamente peculiares de explorar seus limites sexuais (quantos casais já não imaginaram experimentar um ménage à trois a fim de apimentar a relação? e com direito a filmagem e tudo?) entram em conflito com os novos rumos da vida de seus amigos, especialmente no que concerne a Patrick e Richie. Augustín não se conforma com um relacionamento convencional e rotineiro, e tenta impor isso aos seus amigos através de tentativas em invalidar seus relacionamentos. Richie é quem mais sofre com estas investidas de Augustín, uma vez que ele foge completamente do típico estereótipo do gay que busca um príncipe encantado e insiste em gritar para o mundo sua sexualidade. Richie é extremamente sincero e honesto naquilo que deseja, o que até chega a desconcertar Patrick quando seu chefe, Kevin, surge com o namorado Jon, uma vez que Richie, apesar de bem centrado, não possui grandes objetivos profissionais para sua vida, o que leva Patrick a inventar uma pequena mentira sobre o namorado. Afinal, apresentar o namorado para pessoas importantes como nossos amigos é sempre um grande passo, e a vontade de impressionar acaba sendo algo inevitável.

Dom, desde sempre o mais maduro dos três amigos (o qual descobrimos já ter se relacionado com Patrick no passado!), ganha novos contornos ao receber um sacode de sua amiga Dolores, uma espécie de consciência humana do personagem, que lhe abre os olhos sobre até onde sua vida se limitará a “pegar novinhos”, quando diversos outros homens mais maduros podem lhe soar mais interessantes. Dom parece ter confundido tal questão ao beijar Lynn, mas tal situação poderá servir muito bem para que Dom alcance a maturidade em sua completude, tanto no âmbito pessoal quanto no profissional.

Restando apenas dois episódios para o término da temporada (e a coisa promete esquentar nessa reta final), Looking já começa a exalar ares de saudade, mesmo que a segunda temporada já tenha sido confirmada pela HBO. De qualquer forma, é ótimo poder se deliciar com uma série tão objetiva e consciente sobre si mesma.

Looking – 1X06: Looking in the Mirror
Showrunner: Michael Lannan
Roteiro: JC Lee e Tanya Saracho
Direção: Joe Swanberg
Elenco: Jonathan Groff, Raúl Castillo, Frankie J. Alvarez, Murray Bartlett, Lauren Weedman, Russel Tovey, Andrew Law, Scott Bakula
Duração: 27 min.

RAFAEL OLIVEIRA. . . .Cinéfilo ainda em construção, mas que já enxerga na Sétima Arte algo além de apenas imagens e som. Amante de Kubrick e Hitchcock e viciado em música indie, cético e teimoso, mas sempre aberto para novas experiências e estranhas amizades.