Crítica | Lovesick – 2ª Temporada

lovesick-scrotal-recall-plano-critico

estrelas 4,5

Em 2014, a Netflix comprou os direitos da série britânica Scrotal Recall, criada originalmente para o Channel 4 (Reino Unido) e a disponibilizou sob imenso silêncio e quase total desconhecimento dos seriadores de plantão. Depois de uma excelente primeira temporada e (pasme!) muitas reclamações de espectadores americanos sobre o título da série — que faz uma piada ótima com Total Recall –, a Netflix conseguiu convencer Tom Edge, o criador da série, a mudar o título, em troca de uma segunda temporada.

Assim apareceu Lovesick, que apesar do nome, mantém o cumulativo da numeração e o mesmo tema, mesmo elenco e mesma qualidade. Embora um tantinho mais confuso que a temporada anterior, este segundo ano do programa não se desvia do humor inteligente e fino, até quando quer ser escrachado; da forma como representa conflitos amorosos de maneira realmente complexa; e da libido masculina, aliada a uma série de papéis sociais pré-estabelecidos encontrando um momento de ruptura, como acontece com Luke (Daniel Ings) a partir do quarto episódio.

Os oito capítulos desta segunda temporada se passam em um curto espaço de tempo no presente, mas aqui, os roteiros cultivaram mais reações no passado dos personagens. Demora um pouco para o espectador se acostumar com a leve diferença narrativa para a exposição do presente, mas é questão de um episódio e meio para que tudo fique claro. Para aqueles que reclamaram que não havia uma “base” para a amizade entre os protagonistas, esta temporada servirá como um bem-vindo remédio, já que muitos primeiros encontros e origens são mostrados aqui.

Outro ponto importante é o uso ainda mais escrupuloso da música, assim como um inteligente planejamento de linha central para o drama da temporada, onde a maioria das peças se encaixam e onde vemos a premissa básica ganhar outros acompanhantes. Não que a lista de ex-parceiras de Dylan (Johnny Flynn) tenha acabado — ainda faltam algumas, mas todos esperamos por Tasha, a garota que fez ele decidir seguir a sequência por ordem alfabética para não ligar para ela primeiro — mas este não é exatamente o único núcleo da série. Outras portas foram abertas e diferentes ideias foram bem integradas a este universo de amores, apego e rompimentos, abrindo o leque para diversos tipos de relações amorosas exploradas de maneira cômica, inteligente e com muito mais realismo do que How I Met Your Mother, que é o show conceitualmente mais próximo de Lovesick, para efeitos de comparação.

Há que se temer o enlace entre Dylan e Evie (Antonia Thomas), que finalizou a primeira temporada e foi um dos motores para movimentar os amigos e eles próprios nesta segunda. Espero que isso avance e chegue a um lugar definitivo para os dois, seja o de ficarem juntos, seja o de cada se conformar que não podem ficar. Não creio que esse jogo de gato e rato, até aqui muito bem representado na comédia e no drama, consiga sobreviver como destaque por mais um ano. Levando em consideração os novos blocos dramáticos criados nesta temporada, parece-nos que o terceiro ano terá um novo princípio para fazer a saga avançar e certamente trará novos caminhos para cada uma das partes do trio. Assim esperamos.

Com um episódio de roteiro simplesmente genial (Abigail – Part 2), boa montagem e cliffhanger interessante, a temporada nos deixa com personagens mais maduros, com os quais nos identificamos ou antipatizamos por motivos que podemos justificar bem, agora que existe um número de histórias passadas sobre deles. Espero que antes de a série terminar façam aquelas linhas do tempo para mostrar tudo em ordem cronológica e nos ajudar a lembrar das coisas. E que mantenham vivo esse tom sério e debochado de trabalhar a libido e o comportamento em relações amorosas de homens e mulheres. É algo do qual ficamos viúvos em séries britânicas desde o fim de Him & Her, que fazia isso em um recorte menor, mas de maneira igualmente viciante.

Lovesick – 2ª Temporada (Reino Unido, 2016)
Criador: Tom Edge
Direção: Elliot Hegarty, Gordon Anderson
Roteiro: Tom Edge (com ideias de Andy Baker e Ed Macdonald)
Elenco: Johnny Flynn, Antonia Thomas, Daniel Ings, Richard Thomson, Hannah Britland, Joshua McGuire
Duração: 30 min. (cada episódio)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.