Crítica | Lucifer – 1X03: The Would-Be Prince of Darkness

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estrelas 2,5

Obs: Há potenciais spoilers. Leia as críticas dos demais episódios, aqui.

O terceiro episódio de Lucifer efetivamente bate o martelo no estilo da série. É um procedural com caso da semana descarado, sem qualquer tentativa de disfarce. Portanto, é pegar ou largar.

Particularmente, continuo defendendo que, para uma série do tipo – que confessadamente considero “menor” – Tom Ellis no papel-título e os diálogos dos roteiros mostram-se consistentemente superiores a seus  pares. Uma vez que o espectador tenha aceitado a estrutura, resta relaxar e divertir-se com as tiradas ferinas, as ironias, os double-entendres de Lucifer e também seus problemas existenciais e sua inevitável caminhada na direção da “luz”.

Dito isto, The Would-Be Prince of Darkness é um episódio não mais do que mediano. Seu caso da semana, envolvendo a morte de uma moça responsável por desvirginar o celibatário jogador de futebol americano Ty Huntley (Redaric Williams) durante uma festa, é desinteressante e mais do que óbvio. Mesmo que concluamos que essas historinhas funcionam apenas como veículo para se observar os dilemas do diabo e sua aproximação da policial Chloe Decker, que é um enigma para ele, elas deveriam ganhar estofo para serem minimamente memoráveis. Afinal de contas, se a série será pautada em whodunits semanais, nada mais justo do que a observância de algumas regrinhas básicas como, por exemplo, tornar mais crível a presença constante de Lúcifer nas cenas do crime (no mínimo como suspeito) e desenvolver os vilões (e os aparente vilões) sem transformá-los em clichês ambulantes do que exatamente eles são, faltando apenas uma seta luminosa piscando acima do personagem com “culpado” ou “inocente” em letras garrafais. Seria mais divertido se os casos carregassem algum grau de complexidade e não pistas falsas escritas por roteiristas de primeira viagem.

Mas, para não dizer que não há um “algo mais”, a sub-trama que dá o título ao capítulo é divertida e inusitada, com Lúcifer descobrindo que alguém vem se fazendo passar por ele em Los Angeles. O ultraje do diabo é o melhor do episódio, especialmente quando Maze se diverte com a desgraça de seus mentor. É uma pena, porém, que essa narrativa não só seja pouco desenvolvida, como acabe de maneira anti-climática e simplista. O desapontamento de Maze com a atitude (ou a falta de atitude) de Lúcifer refletiu o meu nesse ponto.

Mesmo com problemas na estrutura macro, a condução de Joe Henderson e o desenvolvimento de Tom Kapinos fica evidente pela unicidade do tratamento do personagem principal. É como se todo o esforço fosse focado em Lúcifer ao ponto de o resto ser só mesmo floreio inconsequente. O problema é que não parece haver material suficiente para que a narrativa continue dessa forma. Reparem que nem mesmo Amenadiel apareceu aqui, o que dá a entender um certo distanciamento do conflito Céu vs Inferno e, com isso, um pedaço interessante da série é esquecido. Claro, foi apenas um episódio sem o anjo vindo para tentar convencer seu irmão caído a voltar ao inferno, mas, no lugar de Henderson se aprofundar nisso, ele foge completamente do assunto, passando uma mensagem truncada sobre a série que deveria ser mais do que uma comédia policial com dois parceiros improváveis.

Por outro lado, o relacionamento de Lúcifer com a Dra. Linda Martin (Rachael Harris), tanto do lado amoroso-casual quanto do lado paciente-analista ganha um pouco mais de relevo. As conclusões de Linda sobre as dúvidas de Lúcifer são interessantes muito mais porque nós sabemos que ele é mesmo quem diz ser do que pela filosofia da questão (afinal, o diabo tendo que lutar contra seu próprio demônio interior pode até ser irônico, mas é de uma obviedade de revirar os olhos). Existe um potencial por trás dessa linha narrativa que poderia ser tratado como a versão rasa, boba, mas divertida do mesmo tipo de relacionamento que marcou a fantástica série Família Soprano entre Tony Soprano e a Dra. Jennifer Melfi. Duvido, porém, que Lucifer ganhe esse tipo de complexidade.

The Would-Be Prince of Darkness fica ali na marca do apenas mediano, perigosamente resvalando no medíocre. Há material para a série deslanchar, mas a coragem que detectei e aplaudi no episódio piloto está cada vez mais tímida, mais diluída. Espero que Henderson saiba dar a volta por cima e fazer jus ao personagem e à atuação inebriante de Tom Ellis.

Lucifer – 1×03: The Would-Be Prince of Darkness (Idem, EUA – 08 de fevereiro de 2016)
Desenvolvimento: Tom Kapinos (baseado em personagem criado por Neil Gaiman, Sam Keith e Mike Dringenberg)
Showrunner:  Joe Henderson
Direção: Louis Milito
Roteiro: Jason Ning, Jenn Kao
Elenco principal: Tom Ellis, Lauren German, Kevin Alejandro, D.B. Woodside, Lesley-Ann Brandt, Scarlett Estevez, Rachael Harris, AnnaLynne McCord
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.