Crítica | Lucifer – 1X04: Manly Whatnots

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estrelas 3,5

Obs: Há potenciais spoilers. Leia as críticas dos demais episódios, aqui.

Depois do mediano The Would-Be Prince of Darkness, que assustou por descolar a série completamente de seu ainda insípido arco macro, é bom ver que há um norte no trabalho de Joe Henderson como capitão do navio. Manly Whatnots é quase uma antítese do episódio anterior, um elixir de vida que traz o espectador de volta para a história com a mesma energia e eficiência que o cativou logo no piloto.

O caso da semana, uma garota desaparecida que reúne o protagonista com Chloe na investigação de um guru de auto-ajuda para homens inseguros em relação às mulheres que nada mais é do que um repugnante show de como objetificar as mulheres, é muito bem costurado dentro da própria insegurança de Lúcifer em relação ao que ele sente por Chloe. Em “consulta” com sua analista, ele apressadamente conclui que precisa voltar aos seus instintos primais e levar a policial para a cama a todo o custo e o resultado são excelentes sequências atrás de sequências em que o diálogo ferino que marca a série volta com força total.

E, como o tema principal é realmente a tentativa de Lúcifer de quebrar o encanto que Chloe tem sobre ele, a química entre os dois chega ao ponto mais alto até agora, com momentos que misturam comédia rasgada com tiradas inteligentes e momentos constrangedores para os dois – bem, para Chloe, pois, aparentemente, Lúcifer não tem um pingo de vergonha de nada… Esse episódio, assim, prova que, apesar de Tom Ellis mastigar o cenário facilmente sempre que está presente (ou seja, todo segundo de projeção), Lauren German mostra que tem o que é necessário para se destacar sempre que seu personagem recebe um tratamento especial do roteiro, neste caso escrito por Ildy Modrovich (egressa de CSI: Miami e, bem apropriadamente, de Californication).

No entanto, o grande trunfo de Manly Whatnots é costurar toda a narrativa acima perfeitamente dentro da estrutura mais ampla da série. Os avanços de Lúcifer levam à exposição de seu corpo que, além dos momentos hilários, leva à descoberta das cicatrizes que ele tem nas costas – as asas arrancadas pelo Criador – por Chloe que, por seu turno, tem sua centelha de dúvida multiplicada exponencialmente, levando-a a seriamente indagar se Lúcifer, afinal de contas, não é mesmo quem diz ser. O desdobramento e a consequência, apesar de não serem nada surpreendentes, pois qualquer um deduziria que Lúcifer sangraria com um tiro ou porque ele está se tornando cada vez mais humano ou porque Chloe é realmente especial, serve como um ponto de virada na temporada, um momento que muito provavelmente repercutirá nos episódios posteriores.

E, como Amenadiel não deu as caras (ou seriam as asas?) no capítulo anterior, ele aparece aqui em ótimo momento com Maze na boate Lux, com direito a uma curta, porém muito bem coreografada luta e, claro, uma lambida que aparentemente o deixou confuso… Esse momento, vale dizer, mostra que pode haver algo mais do que um simples pedido de “volta para casa” nas incursões do anjo negro e Amenadiel pode ter um passado com Maze ou talvez um futuro, quem sabe? Só um aparte: foi só eu ou Lesley-Ann Brandt ficou extremamente parecida com Gamora (dos Guardiões da Galáxia) naquela luta com lâminas contra o anjo emissário?

A fotografia elegante, que também marca a série, ganha especial destaque aqui, com ótimos contra-luzes e uma atmosfera polida, requintada, obtida com uma bela iluminação e um eficiente trabalho de fotografia noturna. A sofisticação da fotografia reflete tremendamente na persona do próprio protagonista, quase que tornando os ambientes onde ele aparece extensões de sua persona. Isso ficou particularmente claro no piloto e, agora, em Manly Whatnots.

Não é ainda possível dizer com certeza que a série voltou à forma que apresentou em seu comecinho e que me pegou de surpresa, mas este mais recente episódio é certamente uma boa promessa nesta direção. Agora é esperar para ver se o arco principal não será esquecido novamente.

Lucifer – 1×04: Manly Whatnots (Idem, EUA – 15 de fevereiro de 2016)
Desenvolvimento: Tom Kapinos (baseado em personagem criado por Neil Gaiman, Sam Keith e Mike Dringenberg)
Showrunner:  Joe Henderson
Direção: Matt Earl Beesley
Roteiro: Ildy Modrovich
Elenco principal: Tom Ellis, Lauren German, Kevin Alejandro, D.B. Woodside, Lesley-Ann Brandt, Scarlett Estevez, Rachael Harris, AnnaLynne McCord
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.