Crítica | Lucifer – 1X10: Pops

estrelas 2,5

Obs: Há potenciais spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios, aqui.

Pensando nos episódios dessa temporada inaugural de Lucifer, fica muito claro que o saldo é, contra todas as probabilidades, bastante positivo. Apesar de ter tido seu pontapé inicial balizado pela estrutura de casos da semana como vimos no piloto e em Lucifer, Stay. Good Devil, com o ponto mais baixo tendo sido logo o terceiro episódio, The Would-Be Prince of Darkness, a série desenvolvida por Tom Kapinos e comandada por Joe Henderson soube usar os artifícios-padrão de séries assim em seu benefício, contando, ainda, com um protagonista excelente e roteiros com diálogos inteligentes e bem acima da média.

Dessa maneira, a estrutura de caso da semana começou a perder relevância em Manly Whatnots e Sweet Kicks, somente para alcançar o seu ápice (até agora), com a dobradinha Favorite Son e Wingman, profundamente enfronhados na mitologia do personagem. Dando um respiro, mas mesclando fortemente o caso da semana com a narrativa macro, vieram Et Tu, Doctor? e o cativante A Priests Walk into a Bar, o que nos traz, finalmente, para Pops.

A temporada não pode mais fugir do embate principal, ou seja, a missão de Amenadiel de levar Lúcifer de volta ao Inferno, e, portanto, cada episódio passa a ser contaminado com essa narrativa em maior ou menor grau. Pops está na categoria do “menor grau”, já que, aqui, o assassinato de um chef de restaurante ganha os holofotes, revertendo a série um pouco para o “período” pós-The Would-Be Prince of Darkness. O caso em si permite uma discussão sobre família desde o momento em que vemos Lúcifer conversando sobre morangos com uma consumidora em um mercado (o “Oh, Deus” foi hilário) até o encerramento que discute a relação conturbada entre o morto e seu filho, além de principal suspeito. Tudo isso, claro, serve de comentário para a relação entre Lúcifer e seu pai que ganha o centro das atenções e o foco dos ótimos diálogos em duplo sentido escritos por Alex Katsnelson e Mike Costa.

Da mesma forma, engrossando o caldo familiar, a mãe de Chloe, Penelope (vivida por uma ainda bela Rebecca De Mornay), entra em cena para infernizar a vida da filha e também de Trixie, que foge para a boate de Lúcifer(???) e faz uma improvável amizade com Mazikeen (a brincadeira com o uísque foi o ponto alto!), que convenientemente procurara a Dra. Linda Martin sobre o assunto. Ainda que a costura de narrativas seja interessante e os diálogos costumeiramente bem pensados estejam presentes, não sei se me sinto convencido por Maze procurar a Dra. Martin e pelos laços de amizade que parecem começar a ser forjados aqui. O mesmo vale para o uso forçado de Trixie e do jantar ao final em que Lúcifer consegue desagradar todo mundo simultaneamente.

O roteiro pareceu trabalhar muitas conveniências para realmente funcionar e, com isso, não conseguiu empolgar, especialmente porque a trama de Amenadiel, que reviveu Malcolm para que ele mate Lúcifer, efetivamente fazendo-o retornar ao Inferno, parece simplista demais, mesmo com o envolvimento, agora, de Dan. A força que a série vinha mostrando antes dissipou-se um pouco aqui, mas isso não quer dizer que essa deva ser a regra agora. Muito ao contrário, parece-me bastante claro, por tudo que aconteceu até agora, que episódios semi-soltos como Pops são a exceção, um filler por excelência, ainda que uma temporada de apenas 13 episódios não devesse precisar de um, pelo menos não já na reta final.

Com apenas três episódios para encerrar sua temporada inaugural, Lucifer deve caminhar para a solução do conflito central, talvez com maior pegada sobrenatural já que a ausência de Amenadiel se fez sentir aqui, assim como uma Maze menos “boazinha”. Seria uma pena se a série caísse em qualidade no final depois de surpreender tanto.

Lucifer – 1×10: Pops (Idem, EUA – 28 de março de 2016)
Desenvolvimento: Tom Kapinos (baseado em personagem criado por Neil Gaiman, Sam Keith e Mike Dringenberg)
Showrunner:  Joe Henderson
Direção: Tara Nicole Weyr
Roteiro: Alex Katsnelson, Mike Costa
Elenco principal: Tom Ellis, Lauren German, Kevin Alejandro, D.B. Woodside, Lesley-Ann Brandt, Scarlett Estevez, Rachael Harris, AnnaLynne McCord, Kevin Rankin
Duração: 44 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.