Crítica | Lucifer – 1X11: St. Lucifer

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estrelas 4

Obs: Há potenciais spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios, aqui.

Sem fazer rodeios, depois de uma semana de hiato após Pops, um episódio não mais do que mediano, Lucifer volta à forma com St. Lucifer, que volta fortemente a abordar a narrativa principal da série usando seu caso da semana como veículo para alcançar esse fim. E, sendo um capítulo especialmente voltando para seu protagonista e sua descoberta de que fazer o bem também tem seus prazeres, o espaço para diálogos sensacionais é aberto mais uma vez, com um trabalho excepcional de Sheri Elwood e David McMillan nesse fronte, com direito até à citações de O Diabo Veste PradaO Poderoso Chefão.

O assassinato da vez é do ex-jogador de basquete Tim Dunlear que, depois de uma vida desregrada, partiu para a filantropia. Claro que a vítima convenientemente espelha a exata situação do anjo caído e Lúcifer, sem titubear, vê aí um veio para explorar, passando a adotar uma postura mais santificada – daí o título -, recusando-se até mesmo a usar seu poder de fazer as pessoas revelarem seus mais íntimos desejos. Tudo que o diabo quer é replicar a sensação que sentiu ao não se aproveitar da fragilidade alcoólica de Chloe ao final do episódio anterior para levá-la para cama, situação essa que é muito bem explorada logo na abertura de St. Lucifer, para ótimo efeito. Ou seja, ele com certeza faz o bem, mas sua razão para assim agir não poderia ser mais egoísta.

A inversão de papeis é muito interessante. De um lado, Lúcifer realmente se mostra bem intencionado e sua parceira, desesperada por informações, não se conforma que ele não usa a “hipnose” dele, acabando ela mesmo agindo como o diabo  quando inteligentemente aborda o advogado da fundação do falecido. Com isso, o episódio consegue surpreender também no “caso da semana” que é trabalhado em duas frentes quase que totalmente separadas, ainda que tangenciais, com um clímax que recria as famosas resoluções expositivas de mistérios e assassinatos que Agatha Christie costumava empregar em seus romances detetivescos.

Em meio ao mistério, a trama catalisada por Amenadiel ao reviver Malcolm para mandar Lúcifer de volta ao inferno chega a seu ponto mais alto, com o protagonista lidando com sua própria mortalidade em situação de literal vida e morte, algo que acaba levando à conclusão de que sua mortalidade está, na verdade, intimamente ligada com a presença física de Chloe, que é potencialmente mais do que parece ser, mesmo que ela não faça ideia disso ainda. Mais até do que isso, parece que os dois se completam, cada um mostrando ao outro sua faceta mais frágil em um elemento potencialmente sobrenatural que pode ter desdobramentos interessantes nos dois episódios finais.

A temática de inversão de papeis também é aplicável a Amenadiel em contraste a Lúcifer, pois o emissário divino, que já vinha se comportando como o diabo, intensifica a questão ao deixar-se seduzir por Maze (não há como culpá-lo, porém, verdade seja dita…) que passa a atuar como agente dupla. Esse é outro aspecto da narrativa que parece armar o fim da temporada potencialmente com mais uma demonstração das habilidades mortais do braço direito do diabo, como vimos em Manly Whatnots (contra Amenadiel) e em Sweet Kicks (contra uma gangue mexicana).

Como já se tornou tradição na série (sim, mesmo com apenas 11 episódios, já é possível chamar de tradição), a música diegética ganha muito destaque, desta feita com Lúcifer servindo de crooner em um jantar beneficente e, no processo, encantando todos os presentes além dos espectadores, lógico. Ellis mostra toda sua versatilidade mais uma vez e comanda a cena ao ponto de eu ter pessoalmente me irritado com a interrupção pelo amante do falecido mesmo reconhecendo que ela funcionou dramaticamente. Aqui é interessante notar como Joe Henderson, o showrunner, parece confortável com essa maneira inusitada de tornar sua série fora do comum. Em mão menos hábeis, esses momentos melódicos ou nem mesmo existiriam ou seriam marretados na estrutura narrativa sem qualquer sofisticação, algo que definitivamente não acontece em St. Lucifer e em todos os demais episódios até agora que recorreram a esse artifício.

Em princípio, as cartas estão na mesa. Amenadiel foi traído tanto por Malcolm quanto por Maze e Lúcifer descobriu algo sobre si mesmo e sobre Chloe que pode render bons frutos. Os dois episódios finais provavelmente mergulharão nessas situações, mantendo a série focada em seu arco maior, o que é sempre boa notícia.

P.s.: Durante o hiato da série, a Fox anunciou que ela foi renovada para uma segunda temporada. Abençoada seja a produtora!

Lucifer – 1×11: St. Lucifer (Idem, EUA – 11 de abril de 2016)
Desenvolvimento: Tom Kapinos (baseado em personagem criado por Neil Gaiman, Sam Keith e Mike Dringenberg)
Showrunner:  Joe Henderson
Direção: Mairzee Almas
Roteiro: Sheri Elwood, David McMillan
Elenco principal: Tom Ellis, Lauren German, Kevin Alejandro, D.B. Woodside, Lesley-Ann Brandt, Scarlett Estevez, Rachael Harris, AnnaLynne McCord, Kevin Rankin
Duração: 44 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.