Crítica | Lucifer – 1X13: Take Me Back to Hell

estrelas 4

Obs: Há potenciais spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios, aqui.

E o caso da semana que encerra a primeira e surpreendente temporada de Lucifer é a morte do padre apocalíptico das ruas que vimos ao final de #TeamLucifer, cujo suspeito é o próprio demônio. Apropriado e redondo, ainda que não espetacular ou particularmente inspirado, Take Me Back to Hell encerra parcialmente o arco inicial e abre as portas para outro potencialmente ainda mais interessante.

Sem o apoio de Chloe Decker e desapontado por isso, Lúcifer é resgatado por seu irmão Amenadiel, que quer expiar seus próprios pecados caçando o enlouquecido Malcolm que ele próprio soltara sobre o mundo. Além do pecado da carne – mas não dá para culpar Amenadiel por não resistir aos encantos de Maze, não é? – o emissário divino, que tinha como função fazer com que o Anjo Caído encerrasse suas férias em Los Angeles e voltasse ao Inferno, agora é responsável pela morte de um humano.

E, assim, estabelece-se, pela primeira vez, a dinâmica dos dois irmãos, juntos, saindo ao encalço de Malcolm, o que traz novidade para a série e que parece que continuará pela próxima temporada. Sempre trabalhados em franca oposição, Lúcifer e Amenadiel funcionam bem como a dupla “anjo mal, anjo bom” (resta saber qual é qual…), com direito a alfinetadas de um lado ao outro, timing cômico perfeito, além de uma muito bem coreografada sequência de ação em que eles derrotam, sem suar, a gangue de um traficante local.

O roteiro, escrito pelo próprio showrunner, fazendo novamente dobradinha com Nathan Hope na direção, como em Lucifer Stay. Good Devil, imprime bom ritmo investigativo ao episódio, sem cair em armadilhas típicas do gênero, como a demora a se achar pistas. Ao contrário, não se perde tempo aqui e a estrutura narrativa, que usa ações paralelas com Chloe e Dan de um lado e os anjos do outro, tem passo acelerado sem parecer corrido. Há tempo para que o “caso Palmetto” seja efetivamente encerrado com a confissão de Dan à Chloe; para que Maze mostre o quanto gosta de Amenadiel; para que vejamos a Dra. Linda mais uma vez, indignada por ter sido enganada, mas ainda sem nem de longe acreditar na história bíblica de seu paciente e, finalmente, o encerramento digno do arco principal, catalisado pela ressurreição de Malcolm.

No entanto, o mistério sobre quem ou o que é Chloe permanece aberto e a breve volta de Lúcifer ao Inferno – que, convenhamos, parecia feito de restos de cenário de Os Feiticeiros de Waverly Place (sim, eu tenho filhas…) – traz um mistério ao mesmo tempo interessante e hilário. Afinal, confesso que nunca havia pensado na mãe do Coisa Ruim e essa mera noção já me traz um sorriso ao rosto imaginando as possibilidades narrativas. Pode ter sido um daqueles cliffhangers mais do lado “aleatório” ou desconexo em relação à trama – ainda que desconfie que terá relação com Chloe de alguma forma -, mas ele funcionou bem para aguçar a curiosidade.

Se o roteiro foi azeitado na maioria do tempo, ele falhou ao repetir situações. As “quase-mortes” de Amenadiel e de Lúcifer em um intervalo muito pequeno de tempo tiraram o impacto dos respectivos momentos, especialmente depois que a morte mais possível acaba não acontecendo (e as “cenas dos capítulos anteriores” no início mostrando a pena da asa de Lúcifer ajudou a acabar com o mínimo de tensão que poderia haver). Se nem mesmo Amenadiel tem chance de realmente morrer (ou sei lá o que acontecem com anjos depois que são esfaqueados com armas do Inferno), o que dirá de Lúcifer, não é mesmo?

A fotografia do episódio final trabalha bem a desesperança do protagonista no começo, que vê sua vida despedaçar-se com a desconfiança de Chloe, ao inundar a tela de tons de cinza – com direito a um belo toque do isqueiro na chuva que não produz fogo logo ao Senhor das Trevas -, e aos poucos aquecendo-os, primeiro com o interior do consultório falso de Amenadiel e, em seguida, com o “momento eureka” no consultório de Linda.

Ainda que tenha ficado muito satisfeito com a primeira temporada de Lucifer e seu final correto e divertido, teria ficado talvez mais feliz ainda se a temporada tivesse sido encerrada com um momento musical, talvez uma dupla dos irmãos ao piano ou, melhor ainda, revivendo uma versão do duelo de guitarras entre Ralph Macchio e Steve Vai em A Encruzilhada. Quem sabe não teremos algo assim na próxima temporada?

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Não viram A Encruzilhada? Então confiram esse tira-gosto:

Lucifer – 1×13: Take Me Back to Hell (Idem, EUA – 25 de abril de 2016)
Desenvolvimento: Tom Kapinos (baseado em personagem criado por Neil Gaiman, Sam Keith e Mike Dringenberg)
Showrunner:  Joe Henderson
Direção: Nathan Hope
Roteiro: Joe Henderson
Elenco principal: Tom Ellis, Lauren German, Kevin Alejandro, D.B. Woodside, Lesley-Ann Brandt, Scarlett Estevez, Rachael Harris, AnnaLynne McCord, Kevin Rankin
Duração: 44 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.