Crítica | Lucifer – 2X01: Everything’s Coming Up Lucifer

estrelas 3

Obs: Há potenciais spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios, aqui.

A decisão do showrunner Joe Henderson, que também escreveu o episódio, de determinar que a 2ª temporada de Lucifer começa apenas dois dias após o fim da primeira parece estranha em um primeiro momento, mas faz muito sentido, já que, com isso, é possível trabalhar essa volta da série como uma espécie de “cenas dos capítulos anteriores” que torna confortável o intervalo real de meses sem que o espectador precise quebrar a cabeça para lembrar o que aconteceu. Ainda que o texto acabe carregando nos diálogos expositivos, o retorno de Tom Ellis encarnando o Coisa Ruim é mais do que bem vindo, ainda que longe de fenomenal ou mesmo memorável.

Como sempre, o “caso da semana” da vez é apenas um pequeno detalhe que está lá como alegoria da caçada de Lúcifer e Amenadiel por sua mãe, que fugiu do inferno ao final da temporada passada (ou em algum momento desde que Lúcifer abandonou seu posto de Lorde das Trevas, isso não está claro). Seu receio é que ela queira se vingar dele, por ele tê-la mantido presa no Inferno sem mover um dedo para ajudá-la. Desconfiando que sua alma desencarnada possa ter possuído alguém que tenha tido uma experiência de quase-morte, os dois logo compõem uma lista e, quando vemos a dupla, eles estão lidando com um assaltante de banco que seria o último candidato a ser a “mamãe” deles. Diálogo engraçado aqui, situação desconcertante ali e nada da mãe aparecer, ainda que Tricia Helfer, que a encarnará, tenha sido largamente anunciada pela produção, o que torna toda a surpresa do final bastante anti-climática.

De toda forma, a “culpa cristã” de Lúcifer volta a todo vapor, desta vez em relação seu passado com a mãe, o que é alvo de sua sessão de terapia com a Dra. Linda Martin. Ainda que essa sequência seja carregada de longas explicações – que são efetivamente necessárias, mas que ajudam a manter o ritmo lento do episódio -, ela consegue ao mesmo tempo ser um das mais interessantes, com Lúcifer se recusando a admitir o que está sentindo e culpando literalmente todos ao seu redor, até mesmo Linda. São em diálogos assim, com um eficientíssimo equilíbrio de sofisticação e humor, que a série costuma se destacar e aqui não é diferente, com Ellis mostrando que voltou inspirado.

Outro elemento interessante do episódio foi a abordagem mais direta da verdadeira identidade de Lúcifer em relação a Chloe. Aquele ar de “brincadeira” que existia desaparece e o Diabo fala abertamente para ela, que hesita em testar seu sangue divino (e que provavelmente ainda aparecerá pela série, pois aquela lixeira não engana…). A tentativa de Amenadiel de expor Lúcifer como uma fraude funciona como um breve alívio cômico que, exatamente por também não ser muito levado a sério por Chloe, ganha a devida organicidade dento da narrativa. Ela precisa de seu parceiro de investigações e ponto final. Quem ele é de verdade (se é que ele é alguém mais do o excêntrico dono de uma boate) pouco interessa para ela, pelo menos no momento.

No entanto, mesmo com os pontos positivos, esse episódio de volta foi morno. A cadência é lenta em razão dos diálogos expositivos e pela necessidade de se rever pontos-chave da temporada anterior (era necessário mesmo que Dan voltasse tão rapidamente à ativa?) e, também, pela aparente necessidade – “escolha” seria a palavra mais adequada – de se esconder a mãe de Lúcifer até os segundos finais. Funcionou como um “olha, estamos de volta”, mas não muito mais do que isso se conseguirmos ir além do requinte da produção e da irresistível simpatia do Diabo.

E, claro, como poderia deixar de terminar a crítica sem aplaudir mais um sensacional número musical de Tom Ellis ao piano, desta vez cantando All Along the Watchtower, de Bob Dylan. A montagem utilizada serviu para fechar as pequenas pontas soltas e introduzir “mamãe” de maneira intrigante, ainda que o número em si tenha sido forçado no final, soando bem menos orgânico do que os demais que pontuaram a 1ª temporada.

Everything’s Coming Up Lucifer revela muito sem criar suspense e levemente “queima” a largada da 2ª temporada. Mas isso não o torna ruim, apenas insosso em grande parte. Mas, considerando o que vimos na temporada anterior, aposto que ainda vem muita coisa interessante pela frente.

Aliás, para finalizar, que tal rever a performance de Tom Ellis ao piano no vídeo abaixo?

Lucifer – 2×01: Everything’s Coming Up Lucifer (Idem, EUA – 19 de setembro de 2016)
Desenvolvimento: Tom Kapinos (baseado em personagem criado por Neil Gaiman, Sam Keith e Mike Dringenberg)
Showrunner:  Joe Henderson
Direção: Nathan Hope
Roteiro: Joe Henderson
Elenco principal: Tom Ellis, Lauren German, Kevin Alejandro, D.B. Woodside, Lesley-Ann Brandt, Scarlett Estevez, Rachael Harris, Tricia Helfer, Aimee Garcia
Duração: 44 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.