Crítica | Lucifer – 2X07: My Little Monkey

estrelas 4

Obs: Há spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios, aqui.

Monster, o episódio anterior, pelo menos em princípio teria marcado a metade da temporada se ela não tivesse sido expandida para 22 episódios pela produtora (infelizmente, pois séries longas tem muito mais chances de dar errado do que as curtas como abordei aqui). Vê-se que a intenção de Joe Henderson era mexer na estrutura da série, especialmente quando somos deixados com o cliffhanger da Dra. Linda, petrificada, depois de ver o verdadeiro rosto do Diabo.

Por isso é que talvez My Little Monkey pareça um híbrido. Ao mesmo tempo que continua a narrativa principal diretamente, usando Maze como veículo de contato com Linda, apresenta um caso novo e profundamente pessoal: a morte, há mais de 10 anos, de John Decker, pai de Chloe. Mencionado en passant na série, a morte de John ganha flashback na sequência pré-créditos e logo estabelece que seu assassino está sendo liberado da prisão para batizar sua neta. Chloe, claro, não aceita a situação, tenta argumentar com o diretor do presídio, mas não consegue evitar que o suposto bandido saia de lá, somente para encontrar sua morte por meios misteriosos minutos depois.

A trama, então, se adensa, ganhando ramificações que de certa forma lembram o outro grande caso do passado de Chloe que é resolvido na primeira temporada. Os paralelos são grandes – um assassinato que se descobre que foi mais do que isso e o envolvimento de outros jogadores não previstos em algo maior -, mas o desenrolar é rápido e dinâmico, com um pouco de deus ex machina para acelerar ainda mais o desfecho, com a captura “mágica” do culpado por uma Maze que finalmente descobre que profissão pode ter no mundo dos humanos.

Falando em Maze, a diabinha garante parte do alívio cômico do episódio, ao mesmo tempo que serve de ligação do roteiro com a história mais ampla sobre a verdadeira identidade de Lúcifer (que ele nunca escondeu, mas também nunca ninguém acreditou). O grande problema, porém, está justamente na velocidade com que Linda se ajusta à revelação. Convenhamos, ela acabou de descobrir que o Diabo existe – e, por via de consequência, Deus também – e lidar com isso, seja ela religiosa ou não, precisa ter seu preço e não pode ser tratado com um convite para “sair para beber”. Realmente espero que a série lide de algum jeito com os aspectos psicológicos de uma revelação dessa monta a uma humana e que as coisas não voltem simplesmente ao normal, como se nada tivesse acontecido. Da mesma maneira, espero que Henderson evite saídas fáceis como alguma “magia de esquecimento” de forma que o status quo anterior seja restabelecido. A série precisa andar para frente e a revelação é o caminho certo desde que as consequências sejam sentidas e ecoem pela temporada.

Mas o verdadeiro alívio cômico é Lúcifer ainda tentando lidar com quem ele é, com o que ele fez com seu irmão ao passar a emular Dan, no que ele chama de “Dansformação”. Tom Ellis, então, com figurino trocado, cria uma versão caricata, ridícula e absolutamente hilária do “Detetive Otário” que ele tanto ama odiar. Os dois atuando juntos no caso do assassinato do presidiário que teria matado o pai de Chloe é o ponto alto do episódio, em uma dupla improvável com direito até a uma sequência dos dois seminus em uma sauna, cercado de mafiosos russos e Lúcifer falando sobre ele mesmo em terceira pessoa e sofrendo com isso e outra com Dan fazendo teatro de improvisão como Lúcifer, mostrando que lá no fundo inveja o Diabo. O roteiro de Jenn Kao, de Et Tu, Doctor?, é inteligente ao espelhar os sentimentos de um em outro, revelando muita coisa sobre a personalidade dos dois e dando espaço para Dan na série, algo que ele vinha precisando há tempos ainda que Kevin Alejandro continue um tanto quando caricato demais.

Se o caso do assassinato de Chloe acabar aqui, My Little Monkey terá sido um bom filler. Se, como espero, ele continuar de alguma forma – com possíveis investigações sobre o “esquema” que o diretor da prisão promete confessar com uma arma apontada para seu rosto – então, ele ganhará a relevância que merece, indo além de um mero episódio contendo mais um caso da semana.

Considerando que a série ganhou uma espichada considerável, Henderson terá que criar alguma investigação terrena mais ampla e minha aposta é mais uma vez no passado de Chloe, desta feita com seu pai. Quem sabe isso não ganha algum tipo de conexão sobre quem ela realmente é, considerando os efeitos que tem sobre Lúcifer? Do lado sobrenatural, ao contrário, o showrunner já tem material suficiente, faltando apenas realmente mergulhar na trama que envolve “mamãe” e Amenadiel, algo que, depois de sete episódios, continua sendo escondido a sete chaves, talvez justamente por ele saber que teria mais espaço para trabalhar.

Agora é esperar para ver se Joe Henderson realmente tem um plano ou se ele deixará a série perder-se com intermináveis episódios com casos da semana.

Lucifer – 2X07: My Little Monkey (Idem, EUA – 07 de novembro de 2016)
Desenvolvimento: Tom Kapinos (baseado em personagem criado por Neil Gaiman, Sam Keith e Mike Dringenberg)
Showrunner:  Joe Henderson
Direção: Tara Nicole Weyr
Roteiro: Jenn Kao
Elenco principal: Tom Ellis, Lauren German, Kevin Alejandro, D.B. Woodside, Lesley-Ann Brandt, Scarlett Estevez, Rachael Harris, Tricia Helfer
Duração: 44 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.