Crítica | Lucifer – 2X09: Homewrecker

estrelas 3,5

Obs: Há spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios, aqui.

Depois do excelente Trip to Stabby Town, episódio que reentrou fortemente na mitologia estabelecida pela série e estabeleceu ótima química entre Lúcifer e Ella, Homewrecker vem para dar continuidade ao foco no arco macro, mais uma vez trabalhando o caso da semana como veículo para diretamente lidar com questão afeita diretamente ao protagonista. O episódio, no entanto, apesar de realmente movimentar a trama, estranhamente não entusiasma.

Mas comecemos pelo lado positivo, não é mesmo?

Lúcifer finalmente conclui, depois de sua briga com sua mãe, que Los Angeles é seu único e verdadeiro lar. Ele nunca se sentiu bem-vindo no Paraíso e seu comando do Inferno foi, claro, uma punição. Lux, que ao mesmo tempo encapsula tudo que a cidade tem de bom e de ruim, é o local que ele realmente se sente bem, ainda que ele descubra que seu lar está mesmo onde as pessoas com quem se relaciona estão. Este, aliás, é o outro ponto importante da narrativa, pois, em consulta com a Dra. Linda, ele descobre que sua mudança para lá se deu porque ele procura algo ou alguém e parece que Chloe é seu alvo.

Essa descoberta o deixa aturdido, desconcertado e, ato contínuo, ele dá um bolo na detetive, que ele chamara para jantar na noite anterior. O resultado pode ser trágico, considerando que sua mãe, sabedora de seu grande segredo – que nem ele efetivamente conhecia, ainda que sentisse algo que não pudesse classificar – instalou uma bomba no carro da detetive e está pronta para explodi-la em um cliffhanger bobo, pois é muito pouco provável que, pela segunda vez em nove episódios, a vida dela fique a perigo e, mesmo que fique, sabemos que nada de sério efetivamente acontecerá.

Sei que não demorei para logo apontar o primeiro problema do episódio, mas é que ele é integral à narrativa. A história paralela do fabricante de bombas que Charlotte passa a representar é forçada no roteiro e não funciona de verdade, deixando às escâncaras uma estrutura desnecessariamente apressada que poderia ser mais bem trabalhada ao longo de um pequeno arco narrativo. Por outro lado, o relacionamento exploratório dela com Dan, que nada percebe (quem pode culpá-lo, não é mesmo?), funciona corretamente, com uma estranha química entre Tricia Helfer e Kevin Alejandro pelos poucos minutos em que aparecem juntos. Seria saudável se essa relação continuasse de alguma forma.

Maze é a única que enxerga o jogo de “mamãe” e não se conforme com a cegueira dos irmãos anjos caídos. Ela é que, provavelmente, terá que lidar com a situação com suas próprias mãos e isso só poderá ajudar a temporada no quesito ação, já que Lesley-Ann Brandt mereceria ganhar mais destaque dentro desse universo criado por Tom Kapinos. Não combina com a personagem os momentos cômicos que o roteiro aqui empresta à ela, faltando a postura mais risqué estabelecida para a diabinha mão-direita de Lúcifer.

A grande questão é que Homewrecker, por mais que se esforce em avançar com a trama celestial por intermédio do assassinato do dono do imóvel onde fica Lux, catalisando o processo de despejo de Lúcifer, falha em aproveitar o tempo que tem. Há muita repetição temática dando voltas e mais voltas em elipses que acabam não acrescentando muito ao episódio em si e tornando-o redundante e lento, diria até mesmo arrastado. Se por um lado é bom ver quase todo o elenco sendo utilizado no jogo, por outro esse excesso acaba sendo mal aproveitado pelo roteiro de Mike Costa que nos entrega uma correria (sem ação) cheia de conveniências narrativas como as bombas, a invasão da polícia na Lux e, principalmente, a resolução deus ex machina para o dilema imobiliário de Lúcifer com um “amigo mágico e providencial” de Chloe no último segundo.

Teria sido mais interessante trabalhar o conteúdo desse episódio em duas partes, não só permitindo a melhor exploração do caso da semana em si, que simplesmente desaparece da história, como também permitindo maior enfoque nos personagens. Reparem, por exemplo, como novas duplas vão se formando – Linda e “mamãe”, Dan e Charlotte, Amenadiel e Maze (de novo) e quase Lúcifer e Chloe -, mas nenhuma delas ganha a atenção devida. Mesmo que seja a intenção explorá-las mais adiante, o episódio pareceu muito auto-contido e estanque, o que me leva a crer que qualquer continuação será menos orgânica e mais na linha do “recomeçar”.

Mas Homewrecker nem de longe é um  episódio ruim ou mesmo fraco. Ele apenas perde a oportunidade perfeita de fazer um par de peso com o anterior, já preparando a temporada para o hiato de final de ano. Vamos ver se o próximo retoma o élan estabelecido antes e cria um midseason finale digno.

Lucifer – 2X09: Homewrecker (Idem, EUA – 21 de novembro de 2016)
Desenvolvimento: Tom Kapinos (baseado em personagem criado por Neil Gaiman, Sam Keith e Mike Dringenberg)
Showrunner:  Joe Henderson
Direção: Greg Beeman
Roteiro: Mike Costa
Elenco principal: Tom Ellis, Lauren German, Kevin Alejandro, D.B. Woodside, Lesley-Ann Brandt, Scarlett Estevez, Rachael Harris, Tricia Helfer, Aimee Garcia
Duração: 44 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.