Crítica | Lucifer – 2X12: Love Handles

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estrelas 4

Obs: Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Escrever os roteiros sexualmente carregados de Lucifer deve ser uma diversão indescritível. Sim, também é uma tarefa árdua, considerando a quantidade de insinuações por minuto, mas o resultado tem sido para lá de satisfatório, especialmente considerando que, agora, o showrunner está finalmente se sentindo mais confortável com o material que tem em mãos e perdendo o pudor quase que completamente.

Love Handles começa exatamente depois que o fatídico beijo entre Lúcifer e Chloe acontece ao final de Stewardess Interruptus. Ou, pelo menos, somos levados a acreditar nisso. Quase que lendo minhas súplicas na crítica anterior, Henderson evita “romantizar” a dupla principal e o roteiro de Alex Katsnelson nos joga, então, para um “sonho molhado” de Chloe – hilariamente assistido, com direito a pipoca, por Maze – em que os chifres de Lúcifer servindo de “alças de amor” (as love handles do título) funcionam como o momento de ruptura, de quebra dessa imersão tamanha é sua estranheza para Chloe e também para os espectadores. Voltando ao mundo real, descobrimos que provavelmente pela primeira vez na vida, o Anjo Caído recusa sexo e deixa Chloe a ver navios na praia após o beijo. Mas a recusa faz sentido, já que o Diabo quer ter certeza de que o que Chloe sente por ele é verdadeiro e não algo do momento. Afinal, ele nunca passara por isso antes.

Do lado de Chloe, seguindo conselho “torto” de Maze, a policial inverte os papeis e passa a “atacar” Lúcifer, o que gera ótimos e desconcertantes momentos entre os dois por boa parte do episódio que lida diretamente com a figura misteriosa que aparece ao final do anterior. Trata-se de um cientista que usa venenos para forçar pessoas de bem a mutilarem-se para evitar a morte de estudantes, tudo para provar que seu ato covarde em que deixou um motorista de Über morrer para salvar seu laptop é da natureza humana. Ainda que o caso da semana seja interessante e com consequências para o próximo episódio, não deixa de ser um pouco frustrante a revelação de quem é o misterioso vilão visto nos últimos segundos de Stewardess Interruptus. Sinceramente, achei que haveria uma ligação com a história maior da série, mas não parece ser o caso.

De toda forma, porém, o lado celestial não foi esquecido. Muito pelo contrário aliás. “Charlotte” finalmente joga sua cartada final, primeiro tentando convencer a Dra. Linda a servir de pombo correio para a revelação sobre o passado de Chloe e, depois, tentando o mesmo com Maze, somente para Lúcifer descobrir tudo a partir de uma fotografia, exatamente no talvez único momento em sua longa vida em que encontrou felicidade, depois de finalmente confirmar que o que Chloe sente por ele é genuíno. O baque da revelação, porém, não é muito trabalhado e o roteiro de Katsnelson corre para um cliffhanger sem dar tempo a Tom Ellis para mostrar os efeitos do determinismo na vida do charmoso Diabo.

Por outro lado, é interessante notar que Lúcifer acha que Chloe sabe quem ela é e que vem enganando-o esse tempo todo. Ainda que essa linha narrativa seja possível, considero-a improvável. Chloe, provavelmente, é mesmo apenas um peão em um jogo de longo prazo entre Céu e Inferno, entre Pai e Filho. Resta saber como isso ser abordado e se as consequências levarão a algum embate divino familiar em algum momento mais para a frente na temporada.

O roteiro do episódio consegue navegar bem entre o caso da semana – mais complexo do que o usual – e a narrativa macro, costurando os acontecimentos de forma crível e bem compassada e isso sem esquecer dos diálogos sexualmente carregados. A direção de Karen Gaviola, responsável pelo excelente Weaponizer, em que Uriel é introduzido e morto, concilia elegância com toques de intimidade que geram mais uma vez uma boa química entre a dupla protagonista, algo que vinha fazendo um pouco de falta já há algum tempo. O tempo maior dedicado a Lauren German ajudou muito aqui, já que sua personagem ganha bom destaque nas duas linhas narrativas que se encontram no cliffhanger ao final, mais um que coloca sua vida em risco e que espero que não seja resolvido de forma tão rápida como da última vez.

Love Handles é mais um ótimo episódio da temporada alongada da série e mostra que há material para ser explorado. Ao mesmo tempo, porém, ele não deixa de passar a impressão de que as coisas talvez estejam correndo rápido demais, já com a revelação completa sobre a natureza de Chloe no horizonte e o possível embate divino. É torcer para que Henderson tenha um plano de pelo menos médio prazo a não ser que a Fox não tenha ambições muito longevas para a série…

Lucifer – 2X12: Love Handles (Idem, EUA – 23 de janeiro de 2017)
Desenvolvimento: Tom Kapinos (baseado em personagem criado por Neil Gaiman, Sam Keith e Mike Dringenberg)
Showrunner:  Joe Henderson
Direção: Karen Gaviola
Roteiro: Alex Katsnelson
Elenco principal: Tom Ellis, Lauren German, Kevin Alejandro, D.B. Woodside, Lesley-Ann Brandt, Scarlett Estevez, Rachael Harris, Tricia Helfer, Aimee Garcia
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.