Crítica | Lucifer – 2X13: A Good Day to Die

estrelas 4

Obs: Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

A Good Day to Die tem todas as características de um episódio de fim de temporada e, para todos os efeitos, ele é. Afinal, a primeira temporada teve apenas 13 episódios e a segunda também deveria ter tido, mas a Fox encomendou os “malditos” back 9 e, agora, a série ganhou o tamanho regulamentar que tanto me causa trepidação (leiam aqui para entenderem melhor).

Encerrando a trilogia de episódios iniciada em Stewardess Interruptus, que também marcou a volta da temporada de seu primeiro e mais curto hiato, Lúcifer, assim como em Take Me Back To Hell, morre e volta para sua ex-moradia para arrancar de Carlisle, o serial killer que se suicidara em Love Handles, a fórmula do antídoto para salvar Chloe do envenenamento. Toda a ação que desemboca nessa volta parece dispersa, mas a grande verdade é que o roteiro co-escrito pelo próprio showrunner com Chris Rafferty, autor de A Priest Walks into a Bar e Monster, dois dos melhores episódios da série até agora, consegue reunir todo o elenco em narrativas próprias unidas pelo objetivo comum de salvar a policial sem que pareçam forçadas ou fora de lugar.

Sim, a correria de um lado para o outro lembra um pouco o método Scooby-Doo de investigação, mas não é nada que detraia seriamente do todo (isto é, se aceitarmos que Lúcifer mantém seus poderes tão próximo de Chloe desta vez, depois de vermos ela correr quase um quilômetro para eles funcionarem no episódio anterior), especialmente quando o foco do episódio passa a ser a operação mata-Demônio, seguida da operação mata-mamãe-do-demônio. O mesmo Inferno que vimos antes volta aqui e confesso que, neste quesito, o episódio me desapontou tremendamente. Não que eu esperasse um show de efeitos especiais, mas o mesmo inferninho fora de foco com cenário de isopor da outra vez foi um tanto quanto frustrante, especialmente considerando o pouco de efeitos especiais que a temporada teve até agora. Um pouco mais de imaginação – e de dificuldade na missão de Lúcifer – teria feito bem ao desfecho.

Afinal, ainda que tenha sido bacana ver Michael Imperioli novamente como Uriel (apresentado e apagado da existência em Weaponizer), a prisão da culpa de Lúcifer foi batida e simplista demais, incluindo o resgate mambembe de sua mãe. Faltou urgência, faltou um pouco de senso de perigo efetivo para todos os envolvidos. Não que eu por um segundo pudesse imaginar que o Príncipe das Mentiras tivesse alguma chance de morrer, mas sim que houvesse um quebra-cabeças um pouco mais complexo e sofisticado para momento tão importante. Do jeito que as coisas andaram e foram concluídas, pareceu que os eventos aqui poderão ser facilmente esquecidos doravante. Espero estar errado, porém.

Mesmo assim, houve muita coisa boa no episódio. O “momento ternura” entre Amenadiel e Trixie quase compensou o pouco uso de D.B. Woodside, que também tem um bom momento impedindo os seguranças de tirarem Chloe do quarto como parte do plano de Lúcifer para morrer e voltar. Da mesma maneira, a interação “enfermeiras trapalhonas” entre Maze (que sim, fica bem até com roupa de hospital!) e a Dra. Linda lidando com Lúcifer e “Charlotte” teve excelente química, mais uma vez provando que essas aí formam a segunda melhor dupla da série (a melhor é Lúcifer e Detetive Douche…). Ella e Dan, apesar de terem uma missão subsidiária, também funcionaram bem dentro dos limites impostos pelo roteiro. E, finalmente, Tom Ellis, o charme em pessoa, continua convencendo como o Diabo com dúvidas existenciais e fortes doses de culpa cristã, ou seja, a contradição em pessoa em um papel sofisticado e talhado para o ator.

Não mencionei Chloe nos pontos positivos de propósito. Apesar de sua crescente importância na série, agora que Lúcifer saber que ela foi uma “criação” de seu Pai, a grande verdade é que neste e nos últimos dois episódios o exato oposto da proposta de Henderson aconteceu: a química entre ela e o Coisa Ruim começou a diminuir e muito por culpa dos roteiros que de certa forma tiraram o espaço efetivo de Lauren German nesse pedaço da temporada. Espero sinceramente que a personagem volte de verdade na volta do hiato e restabeleça o interessante elo com Lúcifer.

A Good Day to Die pode não ter sido o encerramento da temporada, mas funcionou bem para encerrar o arco inicial. Agora é torcer para que três meses longe das telinhas não façam os espectadores perderem o interesse na série, pois há potencial nela se Henderson souber manejar bem as peças divinas neste tabuleiro celestial.

*Lucifer entrará em outro hiato e só retornará no dia 1º de maio.

Lucifer – 2X13: A Good Day to Die (Idem, EUA – 30 de janeiro de 2017)
Desenvolvimento: Tom Kapinos (baseado em personagem criado por Neil Gaiman, Sam Keith e Mike Dringenberg)
Showrunner:  Joe Henderson
Direção: Alrick Riley
Roteiro: Joe Henderson, Chris Rafferty
Elenco principal: Tom Ellis, Lauren German, Kevin Alejandro, D.B. Woodside, Lesley-Ann Brandt, Scarlett Estevez, Rachael Harris, Tricia Helfer, Aimee Garcia
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.