Crítica | Lucifer – 2X14: Candy Morningstar

estrelas 2

Obs: Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Quando a segunda temporada de Lucifer estava para acabar, a Fox decidiu ordenar os tão desejados (para os produtores e atores) back 9, ou seja os nove episódios finais para formar uma temporada de 22 episódios, o tamanho clássico de séries de TV de canais abertos. Em outras palavras, a emissora decidiu caminhar na direção oposta à máxima, e mexeu em time que estava ganhando, considerando a boa primeira temporada da série e uma segunda que poderia tranquilamente ter sido encerrada depois da ótima trilogia de episódios de lidava com o serial killer envenenador.

Com a encomenda, a série entrou em um longo hiato de três meses para que a produção pudesse ser realinhada e os episódios feitos. Candy Morningstar, assim, marca a volta de Lúcifer às telinhas e à vida de Chloe e os demais, depois de o personagem desaparecer – na história – por duas semanas depois de descobrir que Chloe havia sido concebida diretamente por seu pai, levando-o a concluir que tudo o que eles tiveram foi falso.

Enraivecida pela ausência inexplicável do parceiro, Chloe investiga o assassinato do vocalista de uma banda de rock em ascensão juntamente com seu ex-marido Dan. Eis que, então, Lúcifer reaparece na delegacia carregando Candy (Lindsey Gort), uma stripper de Las Vegas à tiracolo com quem – surpresa, surpresa! – ele casara.

Que esse malabarismo do roteiro era um óbvio plano de Lúcifer para alcançar algum objetivo escuso, não havia dúvida. Agora, se era para a série caminhar por esse lado, teria sido muito mais honesto se a situação fosse mantida assim pelo menos até o próximo episódio e não que tudo fosse revelado no afogadilho em um epílogo deslocado e sem graça. Afinal, todo aquele teatro apenas para descobrir qual era o plano de Charlotte? Será  que a roteirista Jenn Kao não poderia ter trabalhado algo mais orgânico, menos “na cara” do que Lúcifer fingindo um casamento em Las Vegas?

Em que ponto que Kao – e, claro, o showrunner Joe Henderson – realmente acharam que seríamos ludibriados por um artifício tão basal quanto este? O resultado é um episódio de retorno (tão aguardado!) medíocre, sem graça e que, por mais que tente começar uma nova história, falha miseravelmente em chamar atenção ou em ser minimamente interessante.

E o mais  curioso é que o roteiro desse episódio “canja de galinha” parece ter desanimado o próprio elenco, que mais parece atuar no automático, sem qualquer traço de empolgação. Até o sempre ótimo Tom Ellis parece fatigado, aborrecido até, com Lauren German apagada quase que por completo e a novata (na série) Lindsey Gort como Candy só sendo minimamente interessante por estar vivendo o estereótipo da loira burra que, apesar de evidente e telegrafado desde os primeiros minutos, consegue extrair algumas risadas chochas.

Está certo que deve ter sido uma correria da produção colocar de pé a estrutura central dos nove episódios finais em apenas três meses, mas o resultado simplesmente precisava ter sido melhor do que isso. Afinal de contas, mesmo sabendo que hiatos são comuns, o espaçamento, aqui, foi extraordinariamente grande e A Good Day to Die havia encerrado muito bem um ciclo narrativo lógico e coeso. Candy Morningstar deveria, portanto, parecer o começo de uma nova temporada, momento que deve chamar atenção, não induzir ao sono. Faltou polimento ao roteiro, além de uma indicação qualquer de um norte, de um objetivo por trás do engodo criado por Lúcifer.

Do jeito que ficou, o episódio pode prejudicar ainda mais a série depois desse tempo todo que já pode ter levado muitos espectadores a esquecerem que o Diabo anda entre nós e é dono de uma boate em Los Angeles. Agora, só nos resta torcer para que Joe Henderson realmente mostre que tem um plano e que os episódios da estirada final não serão apenas um apanhado de fillers pouco inspirados.

Lucifer – 2X14: Candy Morningstar (Idem, EUA – 1º de maio de 2017)
Desenvolvimento: Tom Kapinos (baseado em personagem criado por Neil Gaiman, Sam Keith e Mike Dringenberg)
Showrunner:  Joe Henderson
Direção: Claudia Yarmy
Roteiro: Jenn Kao
Elenco principal: Tom Ellis, Lauren German, Kevin Alejandro, D.B. Woodside, Lesley-Ann Brandt, Scarlett Estevez, Rachael Harris, Tricia Helfer, Aimee Garcia, Lindsey Gort
Duração: 45 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.