Crítica | Lucifer – 2X15: Deceptive Little Parasite

estrelas 3

Obs: Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Deceptive Little Parasite de forma alguma dá esperanças que Lucifer voltará à forma anterior ao prolongado hiato de três meses causado pela expansão da segunda temporada, mas certamente foi um avanço em relação ao fraco e de certa forma até desrespeitoso Candy Morningstar, que tinha a obrigação de trazer algo interessante para chamar a atenção de seus espectadores. Se pensarmos bem, já o segundo episódio desse retorno apaga da memória qualquer traço de importância o anterior, o que é a primeira boa notícia.

Com Candy Morningstar como um tropeção que não mais precisa ser lembrado, o novo episódio consegue acertar razoavelmente bem no timing cômico de Lúcifer, Chloe e principalmente Maze, o primeiro lidando com Trixie da forma mais adoravelmente atabalhoada possível e as duas em uma boa dinâmica de dupla em casa e também na festa-velório da vítima da semana, como um casal gay improvisado. O caso investigado, aliás, é simplista, e lida com a morte da diretora de admissões de uma escola alternativa extremamente requisitada de Santa Mônica, mas, como a maioria dos casos abordados na série, ele só existe mesmo para dar uma roupagem policial a questões que Lúcifer tem que lidar em seu complicado dia-a-dia equilibrando o divino e o mundano.

Seu problema da vez é como controlar suas emoções, algo que a Dra. Linda diz não ser possível e ele, claro, não aceita. Usando a alternatividade da escola como pano de fundo, vemos o Anjo Caído tendo que tragar Trixie para o exclusivo local posando de filha dele para que ele possa “pegar dicas” de professores. Sem dúvida alguma, é uma historinha rasteira, forçada mesmo em muitos pontos, mas a grande verdade é que, com alívio, aqui finalmente vemos Tom Ellis voltar ao seu “eu” anterior, emprestando mais vigor para seu personagem e levando-nos a bons momentos com a menina.

A interação entre Chloe e Maze, também girando em torno de sentimentos e como lidar com eles, porém, é o ponto alto do episódio, com as duas bem à vontade dividindo a casa. Chloe, de um lado, ainda irritada pelo sumiço de Lúcifer por semanas e Maze, de outro, não conseguindo dar importância ao que a amiga sente. Quando, para compensar sua aparente frieza, Maze surge do nada fingindo ser a esposa de Chloe no evento da escola, o episódio ganha aquele tom risqué inteligente que marca a série desde seu começo, mas que ainda não engrenou de verdade nesse “pedaço final” da segunda temporada. Há estocadas no politicamente correto ao mesmo tempo que no preconceito – mãe que trabalha, que absurdo! – e uma boa forma de abordar a diversidade sem esfregar as coisas na cara do espectador.

Do lado divino da história, temos “Charlotte” mostrando-se desesperada para fazer a Espada Flamejante entrar em ignição, algo que depende do controle das emoções por Lúcifer. Ainda que o epílogo finalmente mostre o porquê da urgência da bela mamãe, falta ainda muita coisa para essa história funcionar. E essa falta passa pelo exagero que é a premissa da coisa: ela quer a espada para invadir o Paraíso e voltar para casa. Calma, eu explico. Ainda que isso faça sentido dentro da narrativa, eu e você sabemos que não veremos isso acontecer na série, a não ser que, de uma hora para outra, a Fox comece a derramar dinheiro sobre ela para bancar os efeitos especiais que não dão as caras de forma efetiva há muito tempo. Ou, se virmos algo do gênero, os Portões do Paraíso provavelmente serão trocados por algo bem mais terreno, como algum portão de mansão em Beverly Hills, com Deus refestelado em uma jacuzzi ao ar livre.

Mas eu divago. Meu ponto é que aquela espadinha mixuruca pegando fogo ao final foi, sem papas na língua, absolutamente ridículo. Se é para fazer algo assim, prefiro que Joe Henderson não faça nada e economize o que puder para um episódio realmente eficiente em termos de efeitos especiais. É muito difícil, para qualquer espectador, tenho certeza, aceitar o pulo narrativo que seria necessário para sair desse ponto em que estamos para a execução do plano de Charlotte, Lúcifer e Amenadiel seja ainda nesta temporada, seja na próxima, já em produção. Não me parece ser algo que em algum momento foi o objetivo da série em sua concepção e a insistência com esse assunto pode levar à frustração mais para frente.

No entanto, vamos com calma. Deceptive Little Parasite é um pequeno passo na direção certa, mostrando que a série, depois de um recomeço desapontador, pode voltar ao seu ar de sofisticação pleno em pouco tempo, talvez já no próximo episódio se Henderson souber combinar as histórias terrenas com a divina, criando arcos curtos e objetivos, sem tentar arroubos imaginativos que ele, muito provavelmente, não poderá realizar. Tomara que ele acerte!

Lucifer – 2X15: Deceptive Little Parasite (Idem, EUA – 08 de maio de 2017)
Desenvolvimento: Tom Kapinos (baseado em personagem criado por Neil Gaiman, Sam Keith e Mike Dringenberg)
Showrunner:  Joe Henderson
Direção: Brad Tanenbaum
Roteiro: Mike Costa, Julia Fontana
Elenco principal: Tom Ellis, Lauren German, Kevin Alejandro, D.B. Woodside, Lesley-Ann Brandt, Scarlett Estevez, Rachael Harris, Tricia Helfer, Aimee Garcia, Lindsey Gort
Duração: 45 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.