Crítica | Lucifer – 2X16: God Johnson

estrelas 4

Obs: Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Charme. Sofisticação. Diversão. São esses os três elementos-chave que fazem de Lucifer uma ótima série de TV, mas que estavam ausentes desde sua volta do hiato de três meses para a produção dos nove episódios finais da segunda temporada estendida. No entanto, parece que eles voltaram.

God Johnson brinca com a ideia de Lúcifer finalmente reencontrando seu pai, depois de milênios no Inferno e, claro, Los Angeles. Ao internar-se em uma clínica psiquiátrica para acelerar os procedimentos investigativos do assassinato da semana, algo que, lógico, ele não tem muita dificuldade em conseguir, o Coisa Ruim inadvertidamente encontra-se com um homem barbado que o reconhece como Samael – um dos nomes de Satanás – e demonstra ter poderes de cura. Com isso, temos um episódio inteiro que lida quase que exclusivamente com o lado divino da série, ainda que, lá no fundo, saibamos que as coisas não podem ser tão simples e fáceis assim.

Afinal de contas, se Johnson fosse mesmo Deus, a série ganharia em surpresa, mas perderia em mistério, antecipando seu fim, basicamente. Há o Diabo em pessoa, um anjo (ainda que agora sem poderes), a esposa de Deus e uma “demônia” e isso sem contar com Chloe que tem um pé no divino mesmo que não saiba. A introdução do próprio Todo Poderoso, agora, ainda na segunda temporada e dessa forma tão aberta sem dúvida seria precipitado. No entanto, o roteiro de Jason Ning merece pontos por fazer excelentes esforços para manter o mistério e a dúvida até os minutos finais.

Nossa própria reação, no início, é igual a de Lúcifer: completa incredulidade. Afinal, não somos bobos e um personagem dessa magnitude não apareceria assim, sem mais nem menos. No entanto, na medida em que o episódio avança, recebemos mais evidências de que há algo milagroso ali naquele novo personagem vivido por um simpático Timothy Omundson. Até mesmo a fotografia exageradamente angelical como a que ilustra a presente crítica ao mesmo tempo funciona para firmar a divindade e consolidar a dúvida. Pensamos “Não, é óbvio demais para ser isso mesmo… Mas será que é?” em diversos momentos que colocam Lúcifer e também sua mãe lidando com essa surpreendente volta.

Por isso é que chega a ser um tanto desapontador que a “solução” para a questão seja uma fivela de cinto mágica, parte da espada de Azarael. E o desapontamento vem pela forma quase aleatória como o assunto é introduzido, nos minutos finais do episódio e sem maiores explicações. Por outro lado, agora parece que o objeto desse arco final da temporada ficou claro: localizar os pedaços remanescentes da espada. Se for isso mesmo, espero que Joe Henderson encontre soluções criativas para que todas elas estejam facilmente ao alcance em Los Angeles (ou mesmo apenas nos EUA) e não facilite demais a procura. Ou eu posso estar errado e esse não seja a história dos episódios finais, o que manteria a série um tanto quanto à deriva.

Mesmo carregado no lado divino, God Johnson reserva também alguns bons momentos para a relação entre Chloe e Maze, a primeira querendo espaço em sua própria vida e, a segunda, grudando-se como um carrapato na policial. A dinâmica está divertida e o double entendre sexual que sempre permeou a série volta com força total aqui, com direito a posições sexuais, ménage à trois e uma coleção de piscadelas do gênero que fariam corar até os menos pudicos. Mas, como sempre, tudo em feito em nome do bom gosto, com uma pegada gostosa e harmônica que combina muito bem com a atmosfera já estabelecida na série que muitas vezes coloca a forma na frente da substância, o que nem sempre é algo negativo.

Em meio a um retorno morno, God Johnson é um destaque, sem dúvida alguma. Aliás, para ser sincero, o episódio seria ótimo mesmo que estivéssemos no ápice da série. E, se ele realmente iluminar o caminho do arco final, tanto melhor, pois ele terá cumprido com louvor sua função narrativa. Se os planos de Henderson, porém, forem outros, ficamos então com um mais do que simpático filler para nos lembrar de quando a série tinha diferenciais.

Lucifer – 2X16: God Johnson (Idem, EUA – 15 de maio de 2017)
Desenvolvimento: Tom Kapinos (baseado em personagem criado por Neil Gaiman, Sam Keith e Mike Dringenberg)
Showrunner:  Joe Henderson
Direção: Sherwin Shilati
Roteiro: Jason Ning
Elenco principal: Tom Ellis, Lauren German, Kevin Alejandro, D.B. Woodside, Lesley-Ann Brandt, Scarlett Estevez, Rachael Harris, Tricia Helfer, Aimee Garcia, Lindsey Gort
Duração: 45 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.