Crítica | Lucifer – 3X01: They’re Back, Aren’t They?

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

A segunda temporada de Lucifer, mesmo com seus altos e baixos, teve um saldo positivo e um final que prometia mudanças, com o personagem titular sequestrado, largado no deserto e, para a surpresa de todos, novamente com suas asas de anjo. O que isso significa para seu status como ex-Diabo, atual dono da boate Lux em Los Angeles e para todos ao seu redor é, sem dúvida, a pergunta que deverá ser respondida na terceira temporada, inicialmente com 22 episódios, mas que, aparentemente, terá absurdos 26, já que os quatro episódios finais da temporada anterior foram anexados a esse começo.

E é bom ver que They’re Back, Aren’t They? não reverte o cliffhanger para a situação anterior. Bem, pelo menos não completamente. Sim, depois de um divertido preâmbulo envolvendo as consequências de roubo de um caminhão forte de banco no meio do deserto, Lúcifer volta para Los Angeles decidido a descobrir quem o sequestrou a mando de seu Pai (pois só pode ter sido ele) e o episódio toma a atmosfera padrão de mais um procedimental quando um corpo é descoberto no local do deserto onde Lúcifer estava inicialmente. No entanto, a questão do plano maior de Deus (se for ele o culpado) continua um mistério, especialmente quando descobrimos que, mesmo cortando suas asas mais uma vez, elas insistem em reaparecer.

Dessa forma, a dinâmica entre Lúcifer e Chloe é bem trabalhada, com ele mais uma vez tentando, de uma vez por todas, revelar seu segredo, mas falhando ao descobrir que não mais consegue fazer “cara de Diabo” e o mesmo pode ser dito de sua relação com Amenadiel, que fica com aquela pontada de inveja e raiva ao ver o irmão de volta à sua glória angelical, mas rejeitando a “benção”. Fica cada mais mais evidente que a série não poderá manter a narrativa por muito mais tempo sem abraçar o sobrenatural com um pouquinho mais de força, já que a presença de Deus em algum momento em futuro não tão distante parece ser inevitável. Claro que o que sinceramente espero é uma presença terrena de Deus, mais ou menos na linha de God Johnson, ainda que esse cartucho já tenha sido gasto.

Mas a grande novidade na série é a inclusão de mais um personagem fixo, o respeitado e quase mítico Tenente Marcus Pierce, vivido por ninguém menos do que o eterno Superboy (não, não o chamarei de Superman…) Tom Welling. Reverenciado quase que como um pop star pela sempre divertida médica forense Ella, o personagem mostra-se um grande conhecedor da dinâmica Chloe-Lucifer-Douche, uma certa admiração pelo filho de Deus e o mais completo desdém por Dan. Ainda está muito cedo para especular – mas já especulando – se essa sua entrada bastante aleatória na série teria alguma ligação com a volta das asas de Lúcifer ou se ele será só mais um personagem constante na história, talvez um interesse romântico de Chloe para enfurecer o Diabo.

O que realmente importa é que o novo personagem parece marretado na narrativa, sem nem de longe dizer a que veio. Ah, ok, é o fulano de Smallville, maravilha. Mas fora esse artifício de marketing, Marcus Pierce não me pareceu um personagem particularmente bem desenvolvido, ganhando inclusive piadas forçadas que pareceram deixar Welling pouco à vontade. Espero que essa impressão negativa inicial se dissipe na medida em que a temporada se desenvolve.

Uma ausência muito sentida foi a de Maze, que é mencionada como estando fora “caçando recompensas” e nem mesmo dá um “oi” nessa volta de temporada. Claro que isso me faz mais uma vez imaginar se não seria ela a sequestradora de Lúcifer, já que não deve ser tão fácil assim simplesmente dar uma coronhada nele e levá-lo ao deserto e isso sem contar com o aspecto divino da coisa. Mas se a volta das asas de Lúcifer significa que ele está sendo perdoado pelo pai, não me parece lógico que Maze seja usada como peão para justamente afastar seu amado chefe dela e do Inferno, a não ser que o plano seja colocar Amenadiel – ou ela própria – no lugar.

They’re Back, Aren’t They? é um episódio de retorno de temporada que mantém e, de certa forma, amplifica os mistérios deixados pela anterior. E, mesmo que a história em si não seja particularmente inspirada, com Tom Ellis divertido, mas não completamente no personagem e uma Lauren German que parece fisicamente cansada, a manutenção do novo status quo é um bom sinal. Meu receio maior é que, por este ser o primeiro dos quatro episódios que foram transferidos da segunda para a terceira temporada, essa narrativa em especial se feche nos próximos três capítulos. Mesmo gostando da estrutura usada na quarta temporada de Agents of S.H.I.E.L.D., que dividiu os episódios em três arcos bem definidos, não me parece razoável já encerrar um arco com apenas quatro episódios, considerando uma temporada de 26. Mas isso só sou eu especulando de novo (deu comichão especulativo aqui).

O episódio de começo da terceira temporada da série, portanto, foi simpático e interessante o suficiente para manter o interesse pela série. Mas, se o showrunner continuar se esquivando do sobrenatural por muito mais tempo, ele periga alienar os fãs.

Lucifer – 3X01: They’re Back, Aren’t They? (EUA – 02 de outubro de 2017)
Desenvolvimento: Tom Kapinos (baseado em personagem criado por Neil Gaiman, Sam Keith e Mike Dringenberg)
Showrunner:  Joe Henderson
Direção: Karen Gaviola
Roteiro: Ildy Modrovich
Elenco principal: Tom Ellis, Lauren German, Kevin Alejandro, D.B. Woodside, Lesley-Ann Brandt, Aimee Garcia, Tom Welling
Duração: 44 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.