Crítica | Lucifer – 3X02: The One with the Baby Carrot

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

The One with the Baby Carrot parece decidido a nos lembrar que o grande e misterioso vilão da temporada, ou, pelo menos, deste começo de temporada, é o mítico Sinnerman cuja existência ninguém acredita a não ser o próprio Lúcifer. Suas razões para a crença, porém, são pessoais e, portanto, completamente egoístas.

Ah, e como poderia me esquecer? Há um outro objetivo para o episódio que é nos mostrar que a presença do Tenente Marcus Pierce, como havia mencionado anteriormente, não é simplesmente adicionar mais um personagem à história. Por seu intermédio é que temos a confirmação de que Sinnerman realmente existe, já que os dois tiveram embates em Chigado que levaram à morte de alguém querido de Marcus. Ou pelo menos é isso que ele conta a Lúcifer, na mesma toada pedindo para ele desistir de sua obsessão de encontrar o sujeito.

Claro que qualquer espectador minimamente calejado em séries de TV certamente teve seu “sentido de aranha” berrando dentro da cabeça. Tudo leva a crer que Marcus ou trabalha para Sinnerman ou é o próprio (impossível deixar de ver a relação fonética e até semântica entre Sinnerman e Superman, não?), ainda que tudo o que ele tenha dito também possa ser verdade. Com isso – e se for isso mesmo – a temporada começa com um mistério como pano de fundo que é sensivelmente mais interessante do que imaginava, com a inclusão mais orgânica de um personagem que, temia, poderia ter acontecido exclusivamente com objetivos de marketing de forma a aproveitar a fama quase esquecida de Tom Welling como o Superboy de Smallville.

Mas essa relação misteriosa de Lúcifer com Marcus é mantida em segredo. Na superfície, a série volta ao seu formato procedimental, com Chloe tentando solucionar o assassinato de um comediante que ainda tentava o sucesso na cidade. A investigação leva até o comediante de sucesso Bobby Lowe (Kevin Christy) que teria roubado as piadas do falecido e, conforme conclusões de Chloe e especialmente de um afobado Lúcifer teria assassinado o rival quando ele ameaçou trazer à tona provas da desonestidade de Lowe.

Com o envolvimento de Ella na história para além de uma mera análise médico-legista, já que ela é fã de carteirinha do comediante e duvida que ela tenha roubado as piadas, a dinâmica do trio se mostra interessante, ainda que o relacionamento em si entre Chloe e Lúcifer permaneça estranhamente distante, como se a aproximação romântica dos dois na temporada anterior nunca tivesse acontecido. Parece que o showrunner decidiu varrer a linha narrativa anterior completamente para debaixo do tapete, involuindo a série para um estágio mais inicial, menos complexo.

E não achem com isso que eu gostaria de ver os dois romanticamente envolvidos. Ao contrário, achei a possibilidade disso acontecer equivocada, mas é ingênuo imaginar que não aconteceu. No lugar de tentar desenvolver a narrativa, mesmo que fosse para que os dois permanecessem separados depois de acontecimentos lógicos, Joe Henderson mantém a temporada estranhamente silente sobre esse aspecto, o que inevitavelmente causa estranhamento no espectador.

Pelo menos, aqui, o roteiro do próprio Henderson estabelece essa boa dinâmica entre os três investigadores, com Dan sendo usado quase que cruelmente como bode expiatório na sequência em que ele é humilhado no palco por Lúcifer como parte improvisada do plano de atrair um possível assassino, alguém que teria um micro-pênis e que, claro, leva a um sem-número de piadas fáceis, mas razoavelmente sem graça, por Lúcifer. Tom Ellis definitivamente não parece ter encontrado seu tom.

Com a ausência de Maze da série em razão da gravidez de Lesley-Ann Brandt, muito da construção dos personagens coadjuvantes se perdeu e, neste episódio, o roteiro tenta consertar o problema estabelecendo um relacionamento mais aprofundando entre Linda e Amenadiel, com o último tentando entender a natureza da provação a que ele acha ter sido submetido por seu Pai. Confesso que a química entre os dois funciona, mas que a história que os une – as asas que Lúcifer repetidamente insiste em cortar – parece um pouco deslocada e usada mais como filler do que como algo que parece ter um propósito. No entanto, se o objetivo for criar um triângulo amoroso também entre os coadjuvantes da série, assim como ele existe entre Lúcifer, Chloe e Dan, pode ser que o artifício, apesar de repetitivo, funcione quando Brandt voltar.

Pouco inspirado, mas funcional ao estabelecer de vez a presença – ainda ausente – do vilão Sinnerman e o que parece ser o verdadeiro objetivo da presença de Tom Welling na série, The One with the Baby Carrot é mais um daqueles episódios da série que coloca o “caso da semana” na frente da história maior. Considerando o que parece ser um tamanho exagerado para a temporada, o que me faz esperar por vários fillers, até que o resultado final foi satisfatório, ainda que pouco empolgante.

Lucifer – 3X02: The One with the Baby Carrot (EUA – 09 de outubro de 2017)
Desenvolvimento: Tom Kapinos (baseado em personagem criado por Neil Gaiman, Sam Keith e Mike Dringenberg)
Showrunner:  Joe Henderson
Direção: Louis Milito
Roteiro: Joe Henderson
Elenco principal: Tom Ellis, Lauren German, Kevin Alejandro, D.B. Woodside, Lesley-Ann Brandt, Aimee Garcia, Tom Welling
Duração: 44 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.