Crítica | Lucifer – 3X03: Mr. & Mrs. Mazikeen Smith

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Não fossem suas implicações indiretas – e uma direta ao final – de que ou um novo vilão está para aparecer ou que este é o tão falado Sinnerman, Mr. & Mrs. Mazikeen Smith seria um episódio completamente solto da mitologia da série. No entanto, não afirmo isto de forma negativa, já que ele traz uma rara mudança de ares, além do foco quase exclusivo em Maze, que volta à Lucifer depois de Lesley-Ann Brandt ter tido que se ausentar por dois episódios em razão de gravidez.

E o retorno da personagem não poderia ser mais divertido, com uma chateada Maze querendo desafios maiores em sua carreira de caçadora de recompensas, ao mesmo tempo que lidando com o fato de não ter alma ou um propósito na vida. Pela primeira vez durante a série, vemos Maze efetivamente sendo uma caçadora, desta vez atrás de um dos mais perigosos fugitivos da lista, o charmoso Ben Rivers (Chris McKenna). Depois de pegar o caso do tenente Herrera (Marco Sanchez), Maze descobre que Rivers está no Canadá e, sem titubear, segue para lá apesar das preocupações de Chloe que conta com ótimas tiradas como “não me preocupo com a Maze, mas sim com o Canadá”.

Apesar de algumas tentativas cômicas que falham fragorosamente – com a sequência em que Maze leva uma chuva de neve – em sua maior parte o episódio funciona muito bem, com uma caçada que não é por Rivers, mas sim pela alma da personagem. Sua interação com Rivers e todo o jogo investigativo de Chloe e Lucifer em Los Angeles que desenterra a bandidagem do tenente Herrera e a inocência de seu alvo estabelece bons momentos para a personagem de Brandt, que realmente estava precisando de uma evolução, de um arco de desenvolvimento. De uma diaba protetora de Lucifer, ela ganhou um quê de humanização ao passar a viver com Chloe e a lidar com Trixie, além de seus laços de amizade com a Dra. Linda Martin, mas faltava a ela algo que a integrasse de verdade a todo o grupo mais uma vez, retirando-a efetivamente debaixo da asa (agora literal) de Lúcifer e dando-lhe um lugar de direito para que ela continue a se desenvolver.

Momentos desde já clássicos como Maze afofando o travesseiro e ajeitando o cabelo de Rivers logo depois de socá-lo são impagáveis e traduzem bem esse processo de humanização da personagem, mas sem de fato trair sua natureza violenta. E o melhor é que grande parte da ação se passa no Canadá – ou pelo menos em um cenário que nos remete à Whistler, a estação de esqui nos arredores de Vancouver -, finalmente um novo cenário para a série que, até agora, havia ficado circunscrita à Los Angeles e imediações. A troca de ares é boa justamente para permitir que nossa atenção fique 100% em Maze sempre que detectamos “neve” em cena.

Se existe um ponto negativo é a inserção de praticamente todo o restante do elenco no episódio. Ainda que, no início, a presença da Dra. Linda tomando um porre com Maze funcione como catalisador da história, a grande verdade é que as constantes voltas para Los Angeles para vermos Chloe agindo com Lucifer para descobrir detalhes sobre Herrera e Rivers, com direito até a um interrogatório da advogada deste último, me parecem forçadas, retirando-nos a oportunidade de lidar com mais ênfase com Maze e sua evolução no norte. E, como se isso não bastasse, a presença de Dan Espinoza no Canadá, a pedido de Chloe, não só não faz sentido algum, como não revela sua utilidade. Em que momento especificamente a inclusão de Dan nessa história ajuda sua evolução? Maze certamente não precisava da ajuda dele para nada e o que ele faz efetivamente – basicamente lidar offscreen com a polícia canadense – poderia ter sido executado de diversas maneiras diferentes.

Não sei se a volta de Maze a “exatamente o lugar em que ela quer estar” será explorada organicamente nos próximos episódios ou se Mr. & Mrs. Mazikeen Smith funcionou apenas para marcar e festejar o retorno da personagem, mas, seja como for, o episódio quase que completamente separado da mitologia é um ótimo exemplo do que pode ser feito na série se Lúcifer sair um pouco dos constantes holofotes. Resta, agora, saber quem afinal é o sujeito com um arquivo sobre todos os personagens, com indicações claras de suas respectivas naturezas sobrenaturais (Maze é Mazikeen, a Lilim, em direta referência à sua herança demoníaca).

Lucifer – 3X03: Mr. & Mrs. Mazikeen Smith (EUA – 16 de outubro de 2017)
Desenvolvimento: Tom Kapinos (baseado em personagem criado por Neil Gaiman, Sam Keith e Mike Dringenberg)
Showrunner:  Joe Henderson
Direção: Tara Nicole Weyr
Roteiro: Joe Henderson, Alex Katsnelson
Elenco principal: Tom Ellis, Lauren German, Kevin Alejandro, D.B. Woodside, Lesley-Ann Brandt, Aimee Garcia, Tom Welling, Rachael Harris
Duração: 44 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.