Crítica | Lucifer – 3X06: Vegas with Some Radish

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Quem diria que Candy Morningstar, um dos mais fracos episódios de toda a série, com uma solução para lá de chinfrim para o dilema de Lúcifer em relação a Chloe, que o leva a casar com uma vigarista e mentir para todo mundo sobre a seriedade de sua “decisão”, geraria, não muito tempo depois, um dos melhores episódios da série e certamente o melhor da terceira temporada até agora. E isso mesmo considerando que ele é completamente descolado do arco macro lidando com o lado sobrenatural, algo que a temporada agora em andamento está sendo pródiga em fazer, para a irritação de muitos, inclusive a minha.

No entanto, Vegas with Some Radish é irresistível em quase todos os seus aspectos.

Para começo de conversa, aquele ar de sofisticação nariz em pé de Lúcifer, com direito a números musicais, dinheiro sendo jogado para o alto, aquele ar blasé e charme escorrendo por todos os poros volta com força total, o que, por si só, já é razão de sobra para comemorar. Além disso, seu pareamento com Ella, depois que a médica forense organiza uma festa surpresa de aniversário para Chloe com direito a stripper em plena delegacia é o supra-sumo da química perfeita entre atores, o que também permite que Chloe, deprimida por Lúcifer sumir sem explicação nesse dia tão importante, forme uma divertidíssima dupla com a Dra. Linda, com direito a bebida e a vingança soft na cobertura do Coisa Ruim pelo seu “abandono” da parceira.

E, como a cereja do bolo, um dos assuntos que vinha sendo evitado a todo o custo na temporada – o fim abrupto do quase-relacionamento amoroso de Lúcifer com Chloe – ganha o centro do palco, sendo abordado diretamente nos dois lados da história. Mesmo que a “solução” para a questão não seja exatamente uma solução, pelo menos agora temos tudo em panos limpos e teremos que aceitar que, pelo menos por enquanto, essa linha narrativa parece ter simplesmente acabado, ainda que esteja longe de ser esquecida.

O caso da semana, que lida com o que parece ser a morte de Candy, leva Lúcifer e uma relutante – ma non troppo – Ella a Las Vegas, para investigar o que aconteceu sem envolver Chloe em seu dia. Mesmo tendo que aceitar que o deslocamento dos dois, de carro, de uma cidade para a outra, seja praticamente impossível durante apenas um dia (são quatro horas para ir e mais quatro para voltar), isso é o de menos e a morte que catalisa o episódio serve não só para nos dar uma outra visão ao que aconteceu entre o Diabo e Candy quando ele desapareceu da série e voltou casado, emprestando novas e bem-vindas camadas para sua noiva, como também revela um segredo (ou dois) de Ella.

O primeiro dos segredos é que, definitivamente, como Lúcifer deixa bem claro, ela é ravishing (“arrebatadora”) mesmo – ou radish (“rabanete”), he, he, he… – com uma transformação completa para um figurino de femme fatale brega (como Vegas exige) e até mesmo com direito a fazer parte do número musical ao final. Mas o melhor é descobrir sua capacidade de Rain Man de contar cartas, o que lhe  valera o banimento dos cassinos e explica sua relutância em ir até a cidade, algo que ela já havia mencionado em episódios anteriores. O roteiro de Ildy Modrovich e Sheri Elwood não tem dificuldade alguma em lidar com essas questões todas de forma orgânica, mesmo em meio a uma investigação sobre quem tentou matar Candy.

As cores e o brilho da ação em Vegas, porém, dão espaço a um lado levemente mais melancólico com Chloe e Linda no apartamento de Lúcifer. Mas “levemente” é a palavra chave aqui, pois a interação entre duas, rara na série, rivaliza com os momentos Lúcifer-Ella-Candy lá na Cidade do Pecado. São duas amigas lidando com seus problemas (leia-se: Lúcifer) da maneira mais descompromissada possível, estabelecendo uma bela cumplicidade entre as duas. Apenas a presença de Dan foi completamente desnecessária e poderia ter sido facilmente evitada.

Mesmo sendo um episódio solto da mitologia, Vegas with Some Radish é aquilo que a série mostrou ser em seus melhores momentos: uma divertida brincadeira sofisticada com ótimas atuações de ponta-a-ponta. Com a relação entre os protagonistas enfocada e enterrada, agora é esperar que Joe Henderson mantenha a qualidade que vem mostrando nos últimos dois capítulos, mas, agora, abordando de verdade o lado sobrenatural da história.

Lucifer – 3X06: Vegas with Some Radish (EUA – 06 de novembro de 2017)
Desenvolvimento: Tom Kapinos (baseado em personagem criado por Neil Gaiman, Sam Keith e Mike Dringenberg)
Showrunner:  Joe Henderson
Direção: Karen Gaviola
Roteiro: Ildy Modrovich, Sheri Elwood
Elenco principal: Tom Ellis, Lauren German, Kevin Alejandro, D.B. Woodside, Lesley-Ann Brandt, Aimee Garcia, Tom Welling, Tricia Helfer
Duração: 44 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.