Crítica | Lucifer – 3X09: The Sinnerman

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Depois de dois excelentes fillers seguidos – Vegas with Some Radish e Off the Record – e um episódio-padrão tendente a filler pouco acima do mediano (Chloe Does Lucifer), a temporada volta a seu mistério central, que lida com a identidade do misterioso vilão Sinnerman que, segundo Lúcifer, teria sido o responsável por seu sequestro, que funcionou de cliffhanger da temporada anterior, pela devolução de suas asas e pela perda de sua habilidade de revelar seu verdadeiro rosto. The Sinnerman, portanto, carregava a promessa de ser um episódio importante para a série.

No entanto, ainda que sua importância seja incontestável, afinal o vilão aparece em carne e osso, o episódio desaponta por não ter foco algum, ficando disperso em uma sucessão de assuntos que pouco se desenvolvem, deixando pouco espaço para o personagem-título vivido por Kevin Carroll, o John Murphy de The Leftovers. Com isso, a grande entrada do personagem parece um detalhe em meio à profusão de informações que inclui até mesmo o que parece ser a volta oficial de Maze, depois da gravidez de Lesley-Ann Brandt.

Fazendo o que a série faz de melhor, o caso da semana é intrinsecamente ligado ao arco macro, com dois assassinatos de pessoas que pediram favores a Lúcifer há tempos, logo revelando que as mortes são recados para o Anjo Caído. Mas recados do que, exatamente? Isso o episódio não tem a intenção de explicar, mas, quando Lúcifer é atraído para um frigorífico antigo e trancado na geladeira pelo Sinnerman, que aparece e o vê por uma televisão antiga, a história começa a esquentar, ainda que a limitação dos poderes divinos do protagonista não façam lá muito sentido (ele não consegue derrubar as paredes do frigorífico). No entanto, esse momento fica só mesmo na promessa, pois Maze logo vem atrás de seu chefe para libertá-lo em questão de minutos. Não poderia ter sido mais anti-climático e mais conveniente. Sim, sabemos que Maze fica nas sombras onde quer que Lúcifer vá, mas dá para contar nos dedos as vezes em que ela interferiu, mesmo quando ele lidava com situações muito mais graves. Portanto, sua aparição, ali, pareceu preguiça do roteiro de Jenn Kao e uma completa quebra de expectativas pelo que aconteceria.

Mas a coisa piora. Em uma investigação que começa com o chefe da máfia que havia empregado, a pedido de Lúcifer, a primeira vítima, a equipe ganha a adição oficial de Charlotte, agora como promotora pública. No entanto, no lugar de ela ficar em seu lugar, ela parte para campo com Chloe por duas vezes, em uma tentativa extremamente artificial de se incluir a personagem de Tricia Helfer no núcleo central.

E, claro, já que Maze e Charlotte voltaram, trazer de volta o tenente Marcus, depois que fora baleado em What Would Lucifer Do?, era inevitável, assim como parece ser inevitável o derretimento de Chloe por ele em cenas que, confesso, são constrangedoras pela obviedade e pela maneira tacanha como foram utilizadas. Todo o requinte da série foi esquecido para fazer logo Chloe quase ter um orgasmo em cena vendo o bíceps gordo forte do tenente Pierce. O mesmo vale para a continuidade da história de Amenadiel e da Dra. Linda. Aqui, o roteiro simplesmente poderia ter esperado um pouco mais para envolvê-los romanticamente, já que o episódio já estava entulhado de fios narrativos, todos eles subdesenvolvidos e costurados por uma montagem desesperada para manter a progressão da história de maneira razoavelmente lógica.

Com isso, era de se esperar que pelo menos o Sinnerman fosse tratado com respeito. Mas ele não é. Ainda que seja interessante o anacronismo de seu figurino e da tecnologia que usa (repararam na televisão e na câmera antigas que aparecem no frigorífico), a resolução inicial de seu arco é corrida e precipitada, retirando toda a aura de suspense que o personagem tinha. O único momento que se salva é quando o vilão fura seus próprios olhos na delegacia para não ficar sujeito ao poder de Lúcifer. Isso e minha eterna desconfiança de que Marcus Pierce esteja envolvido nessa história… Em outras palavras, ainda há esperanças de que o personagem seja bem utilizado.

The Sinnerman foi, assim, um baita desapontamento. Um episódio que tinha tudo para voltar com força para o lado sobrenatural foi uma colcha de retalhos com informações demais em momento errado. Uma pena.

Lucifer – 3X09: The Sinnerman (EUA – 04 de dezembro de 2017)
Desenvolvimento: Tom Kapinos (baseado em personagem criado por Neil Gaiman, Sam Keith e Mike Dringenberg)
Showrunner: Joe Henderson
Direção: Marisol Adler
Roteiro: Jenn Kao
Elenco principal: Tom Ellis, Lauren German, Kevin Alejandro, D.B. Woodside, Lesley-Ann Brandt, Rachael Harris, Aimee Garcia, Tom Welling, Tricia Helfer, Kevin Carroll
Duração: 44 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.