Crítica | Lucifer – 3X11: City of Angels?

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Toda série, mais cedo ou mais tarde, é brindada com um “episódio-flashback” com o objetivo de explicar alguém, alguma coisa ou algum elemento do presente. Os melhores episódios dessa natureza são aqueles que trazem uma boa história e, ao mesmo tempo, conseguem ser relevantes para a narrativa macro da temporada em que está inserido.

Recentemente, com Rewind, Agents of S.H.I.E.L.D. mostrou como fazer um desses episódios com maestria, costurando uma história independente, mas fortemente presa à mitologia que a temporada busca erigir. City of Angels?, porém, não tem a mesma sorte, ainda que a comparação entre séries seja – sou o primeiro a afirmar – completamente injusta e de certa forma incabível.

Afinal, diferente de AoS, nada em Lucifer exigia um capítulo de volta no tempo. Não havia um evento ou algum personagem que precisasse particularmente de algum desenvolvimento neste exato momento, pós-revelação da identidade verdadeira do tenente Marcus Pierce. A não ser claro, que estivéssemos falando do próprio Caim, mas seria, sem dúvida, cedo demais para isso.

Portanto, City of Angels? é um episódio-flashback que poderia ser facilmente classificado também como filler, pois ele nada agrega à temporada a não ser a curiosidade em si de ver Lúcifer em seus primeiros dias em Los Angeles ajudando seu irmão Amenadiel, que viera levá-lo de volta ao Inferno, a recuperar seu tão querido colar, aquele mesmo que é uma das peças da espada de Azrael. Mas isso não quer dizer que o episódio é ruim, apenas que ele ficou, digamos, perdido e deslocado nesse momento da temporada em que fomos deixados com um cliffhanger. Se ele faz parte de um plano maior que será revelado mais para a frente, veremos, mas é necessário julgar cada episódio pelo que ele é e pelo que ele representa de forma discernível à série, pelo que ele, então, perde pontos nesse quesito, já que parece jogado aqui do nada, gratuitamente.

Mas, como disse, City of Angels? está longe de ser fraco. Na verdade, ele diverte bastante. O roteiro de Jason Ning e Jenn Kao é leve e inteligente o suficiente para voltar a história no tempo sem que as situações pareçam forcadas demais. Sim, Chloe vê Amenadiel antes de efetivamente conhecer Lúcifer, mas o momento cômico funciona eficientemente e torna crível que os dois não se reconheçam mais anos depois. E o mesmo vale para toda a estrutura narrativa que coloca os irmãos angelicais investigando paralelamente o mesmo caso do que o casal de policiais com diversos pontos de tangenciamento bem executados.

No entanto, o roteiro sofre um pouco por querer mostrar muito em pouco tempo. A presença de Chloe e Dan parece desnecessária e teria sido talvez mais interessante empregar mais tempo na relação fraternal entre Lúcifer e Amenadiel, já que é este elemento que realmente torna o episódio algo agradável de se assistir. O deslumbramento do Anjo Caído e a sisudez de seu irmão criam uma dinâmica de good cop, bad cop que carrega aquele DNA de sofisticação brega que a série tanto cultiva. Quando a dupla policial é agregada à história, ela mais do que retira da relação angelical do que contribui em si para a narrativa.

No final das contas, é simpático descobrir como Lúcifer efetivamente decidiu fincar raízes em Los Angeles e o que era a boate Lux antes de ser…bem… a boate Lux, além de vermos um pouco da dinâmica da dupla divina em uma era pré-Chloe. Mas City of Angels? para por aí e acaba não oferecendo mais nada além de um agradável intervalo em uma temporada particularmente longa.

  • Lucifer entrará em hiato novamente, retornando dia 22 de janeiro.

Lucifer – 3X11: City of Angels? (EUA – 1º de janeiro de 2018)
Desenvolvimento: Tom Kapinos (baseado em personagem criado por Neil Gaiman, Sam Keith e Mike Dringenberg)
Showrunner: Joe Henderson
Direção: Mark Tonderai
Roteiro: Jason Ning, Jenn Kao
Elenco principal: Tom Ellis, Lauren German, Kevin Alejandro, D.B. Woodside, Lesley-Ann Brandt, Rachael Harris, Aimee Garcia, Tom Welling, Tricia Helfer, Kevin Carroll, Scarlett Estevez
Duração: 45 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.